No mercado de trigo do mar Negro, duas notícias dominaram as manchetes na semana que se estendeu entre os dias 8 e 14 de agosto. Em primeiro lugar, os embarques nos portos ucranianos, que voltaram a acontecer no início deste mês depois de cinco meses de interrupção. Segundo declaração do ministro da infraestrutura da Ucrânia, 16 navios carregando 450 mil toneladas de grãos e oleaginosas já deixaram o país desde que o corredor foi estabelecido, no dia 22 de julho. Apesar da maior parte dos embarques terem sido de milho, volumes importantes de trigo também foram exportados. Conforme as seguradoras, as empresas de transporte e as tripulações forem ficando mais confortáveis na hora de navegar pelas águas do mar Negro, devemos observar um crescimento nos embarques.
A segunda grande notícia foi a atualização das perspectivas de produção da Rússia. Segundo a consultoria IKAR, a safra do país eslavo pode chegar a impressionante cifra de 95,0 milhões de toneladas, disparadamente o maior volume da história. Apesar de mais conservador, o USDA também aumentou seus números, de 81,0 para 88,0 milhões. Essa correção aconteceu porque a produtividade das lavouras que já foram colhidas está extremamente elevada, com as 4,4 ton/ha sendo significativamente superiores às 3,3 ton/ha registradas no ciclo passado.
Além destas duas grandes atualizações, vale destacar os dados de colheita. Na Rússia, já foram colhidas 64,1 milhões de toneladas provenientes de 14,52 milhões de hectares. A maior parte do trigo de inverno já está fora do solo, mas a colheita das lavouras de primavera está apenas começando.
Já na Ucrânia, 15,45 milhões de toneladas foram retiradas de 3,85 milhões de hectares, área que corresponde a 82% da área de plantio do país. Caso a produtividade se mantenha nos 18% restantes, a safra ucraniana será de 18,8 milhões de toneladas, volume significativamente inferior às 33,0 milhões registradas no ciclo passado.
Sobre as exportações, essa segue sendo a grande dúvida na região do mar Negro. Apesar da enorme safra, ainda não se sabe quanto que os russos conseguirão exportar, dada às sanções impostas pelas nações ocidentais. No momento, o país está vendendo volumes significativos para 12 nações; antes da guerra, eram 20. A estimativa do USDA é de 42,0 milhões de toneladas contra 33,0 milhões no ano passado.
Já os ucranianos agora contam com o corredor de exportações, mas não se sabe quem estará disposto a navegar até lá. Além disso, a possibilidade de um fechamento repentino por parte da Rússia ainda paira no ar. O USDA aposta nas vendas de 11 milhões de toneladas, contra 18,8 milhões no ciclo passado.