A segunda-feira (12) obteve estabilidade para o contrato contínuo, após divulgação do WASDE de setembro com poucos ajustes. Os pontos de destaque ficaram com o aumento da produção global, incremento de 4,3 milhões de toneladas em relação à estimativa de agosto, mas com a manutenção da diferença elevada no balanço global entre a produção e consumo, na ordem de 7,1 milhões de toneladas.
Para o Brasil, o USDA manteve a projeção para a produção em 8,7 milhões de toneladas. A StoneX estima para a safra de trigo brasileiro uma produção mais otimista, na ordem de 9,67 milhões de toneladas. É importante indicar que o mês de setembro será importante para regiões mais ao sul do Paraná e para os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pois o clima pode ainda ter efeitos sobre os rendimentos da safra.
Na terça-feira (13), o mercado também refletiu os dados das lavouras dos Estados Unidos divulgados no dia anterior pelo USDA, que indicaram 85% da colheita de trigo concluída até 11 de setembro. O progresso das lavouras ainda é mais lento quando comparado a 2021, em que 95% já havia sido colhida. Por outro lado, as plantações de trigo de inverno passaram de 3% para 10%, um avanço considerável e próximo da média de cinco anos. O progresso de plantio pode ser visto pelo relatório de Acompanhamento de Safra de Trigo divulgado pela StoneX.
As inspeções divulgadas pelo USDA, encerradas na quinta-feira (8), indicaram aumento no nível de exportações dos Estados Unidos, registrando 757,8 mil toneladas embarcadas. Desde o início do ano de comercialização do grão em 1º de junho, foram embarcadas 7,21 milhões de toneladas, abaixo das 7,75 milhões de toneladas para o mesmo período de 2021.
Na quarta-feira (14), o acirramento do acordo “Iniciativa de Grãos”, trouxe pequena recuperação para os preços, pois é possível que a Rússia rompa o acordo como mais uma medida de ataque à Ucrânia. Os descontos nos preços FOB russos continuam pressionando os preços, uma vez que a Rússia continua oferecendo trigo com desconto de USD 100/ton em comparação com o HRW FOB dos EUA.
Na quinta-feira (15), as vendas de trigo 2022/23 dos Estados Unidos subiram para 217,3 mil toneladas, frente a 192,6 mil toneladas na semana anterior. No acumulado do ano comercial, o país já negociou 5,83 milhões de toneladas, frente a 6,33 milhões de toneladas do mesmo período do ano anterior – lembrando que a estimativa total do USDA é de exportações de 22,45 milhões de toneladas na safra atual. Dentre os principais compradores da semana, o Iraque registrou uma compra de 100 mil toneladas, o México 78,3 mil toneladas, a China 64,7 mil toneladas e a Nigéria 46,1 mil toneladas.
A semana se encerra na sexta-feira (16) com os preços na variação semanal em negativo na Bolsa de Chicago para o contrato de dezembro/22. Em resumo, foi uma semana com movimentos atrelados à incertezas na diplomacia de importantes players do comércio internacional e a uma queda geral nos preços de commodities.