Dados oficiais do governo russo indicam que a safra 2022/23 alcançou o volume recorde de 102,0 milhões de toneladas. Na comparação com o ciclo passado, este valor é impressionantes 36,9% mais elevado, refletindo as ótimas condições climáticas e o consequente crescimento da produtividade no país.
As exportações da Rússia estão em ritmo lento. Apesar da oferta recorde, as sanções econômicas estão limitando o número de parceiros comerciais do país eslavo. Devido a isso, 9,6 milhões de toneladas deixaram os portos russos desde o início do ciclo 2022/23 (1º de junho), volume bastante inferior às 12,8 milhões registradas no ciclo passado. Caso esse ritmo se mantenha, as exportações dificilmente ultrapassarão as mais de 40 milhões de toneladas que, no papel, a Rússia tem condições de embarcar.
Preços FOB russos seguem bastante atraentes. A combinação entre oferta elevada e demanda baixa teve como resultado óbvio a queda dos preços. No momento, é possível comprar uma tonelada no porto de Novorossiysk com entrega para novembro por USD 333,00. Já o preço FOB do trigo hard norte-americano é de USD 440,00/t e o do soft francês é de USD 346,00/t.
Tarifa russa sobre exportação de trigo é de RUB 1.926,80/t, o equivalente a USD 30,00/t. Esta taxa foi criada com o objetivo de garantir a oferta doméstica em um momento de inflação e baixa disponibilidade de trigo. Agora, com a oferta mais que garantida devido à safra recorde, os motivos para a manutenção da tarifa são incertos.
Na Ucrânia, o Ministério da Agricultura anunciou que a safra 2022/23 foi encerrada em 19,2 milhões de toneladas contra as 32,0 milhões registradas no ciclo anterior. Evidentemente, esta retração é resultado da perda de territórios para a Rússia e das dificuldades logísticas enfrentadas pelos fazendeiros ucranianos.
No momento, já foram plantados 1,1 milhões de hectares de trigo na Ucrânia, contra 3,1 milhões no ano passado. Este volume representa 27% da área de 4,07 milhões de toneladas estimada para 2022/23.
Exportações ucranianas de trigo estão em 3,6 milhões de toneladas. Boa parte deste volume foi escoado pelo corredor de exportações do mar Negro, mostrando a importância para o governo ucraniano da manutenção deste acordo.