Os preços do trigo seguiram em queda entre os dias 8 e 12 de maio, com uma variação de -3,8% no comparativo sexta contra sexta no mercado futuro em Chicago. O trigo vem expressando volatilidade que poderá aumentar nas próximas semanas. O clima nas Planícies dos Estados Unidos e as crescentes tensões no Mar Negro guiam o mercado.
Intraday | Preço para o contrato de julho/23– Chicago (USD cents/bushel)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Especulações de que a Rússia está interrompendo o fluxo de embarques ucranianos no Mar Negro podem gerar uma onda de volatilidade para os preços nos próximos dias, mas o movimento já é encontrado nesta última semana.
O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia indicou que apenas 2,5 milhões de toneladas de grãos foram embarcados do Mar Negro em abril. Este volume é inferior ao nível de volumes que haviam sido enviados anteriormente sob a Iniciativa de Grãos do Mar Negro. O ponto de origem para esse problema está nas inspeções russas que diminuíram o ritmo de verificações das cargas.
Na próxima quinta-feira (18 de maio), oficialmente o acordo Iniciativa de Grãos será encerrado, caso as negociações sob intermediação da ONU e Turquia não resultem em uma renovação.
Nos Estados Unidos, o Acompanhamento de Safra dos Estados Unidos indicou que as condições do trigo HRW continuam a melhorar, o que gera um teto para os preços. As classificações de qualidade do trigo de inverno subiram um ponto na semana encerrada no domingo (7), alcançando 29% das lavouras em condições boas a excelentes. Outros 27% da safra está classificada como regular (-3 pontos percentuais em relação a semana anterior) e os 44% restantes da safra classificada como ruim ou muito ruim (+2 pontos percentuais).
Quanto a safra de primavera, as plantações passaram de 12% concluídas para 24% até domingo. Apesar do avanço, ficou dois pontos atrás do ritmo de 26% de 2022 e ainda mais abaixo da média de cinco anos anterior, de 38%.
As vendas de exportação de trigo dos EUA para a safra 2022/23 entre os dias 28 de abril a 4 de maio, ficaram abaixo das expectativas do mercado, de acordo com dados relatados pelo USDA, ao alcançar apenas 26,30 mil toneladas. Para a safra 2023/24, foram relatadas vendas de 333,60 mil toneladas, cujo destaque foi Filipinas.
Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
A sexta-feira (12) trouxe fôlego para o mergulho dos preços junto com a divulgação das estimativas globais de O&D do USDA. O trigo teve seu déficit no saldo global reduzido, com o aumento da produção acompanhado da redução do consumo na primeira projeção para o ciclo 2023/24. O aumento da produção global refletiu o crescimento esperado para as safras dos EUA, Argentina, Canadá, União Europeia e China, superando as perdas previstas para Rússia, Ucrânia, Austrália e Brasil.
O aguardado Relatório de Oferta e Demanda Global do USDA foi divulgado na sexta-feira (12), mostrando revisões para a safra 2022/23 e estimativas para a nova safra 2023/24. No geral, observa-se que o ciclo 2022/23 sofreu cortes para o lado da demanda, a qual deve mostrar uma melhora no próximo ciclo.
Para o trigo 2022/23 da União Europeia, o USDA trouxe novamente um aumento da relação estoque/uso, o qual passou de 8,33% estimados em abril, para 11,38% na nova projeção. A manutenção da estimativa para o trigo produzido (134,34 milhões de toneladas), aliado a redução do consumo e da exportação influenciaram no aumento dos estoques finais, os quais são estimados em 16,16 milhões de toneladas, contra 12,16 milhões de toneladas anteriormente.
Em relação ao ciclo 2023/24, embora o WASDE de maio mostre um aumento na produção (+4,66 milhões de toneladas em relação à safra anterior), espera-se que o lado da demanda exiba números maiores. Isso porque as estimativas apontam um aumento no consumo (aproximadamente +2 milhões de toneladas) e na exportação (aproximadamente +3,5 milhões de toneladas) ante a temporada 22/23. Para mais detalhes, confira o relatório clicando aqui.
Com isso, os estoques finais para 23/24 podem ser menores, totalizando 14,66 milhões de toneladas, fazendo com que a relação Estoque/Uso fique em 9,94% - abaixo do estimado para a safra 22/23. No entanto, deve-se notar que os desdobramentos acerca da Iniciativa de Grãos do Mar Negro podem influenciar tais estimativas, uma vez que o acordo é essencial para entender o panorama de oferta e demanda da região.
Sobre os dados atualizados semanalmente, as condições da safra francesa mostram dados do período de 01 a 07 de maio. De acordo com a FranceAgriMer, 6% do trigo soft se encontra em condições suficientes, 87% em condições boas e 7% em condições excelentes, não havendo mudanças significativas em relação à semana passada. Para o mesmo período do ano passado, a décima oitava semana de levantamento trouxe 4% em condições ruins, 14% em condições suficientes, 78% em condições boas e 4% em excelentes.
Para o trigo duro, cerca de 2% estão em condições ruins, 11% em condições suficientes, 75% em condições boas, e 13% em condições excelentes. Observou-se uma melhora ante a semana anterior, quando as condições estavam em 10% suficientes, 77% boas e 11% excelentes. Além disso, o trigo duro francês também avançou em relação ao mesmo período de 2022, quando as condições ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em 4%, 19%, 75% e 2%, respectivamente.
Intraday | Preço contrato set/23– Paris (EUR/tonelada)
Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
A atualização das estimativas do WASDE trouxe números melhores no lado da demanda pela safra 2022/23 ucraniana, ao mesmo tempo em que mostrou uma demanda mais enfraquecida para a safra 2022/23 russa.
Em relação a Rússia, estima-se que a relação Estoque/Uso do ciclo 2022/23 aumente de 16,17% estimados em abril, para 20,33% estimados agora em maio. Isso se deve ao aumento dos estoques finais (+3,25 milhões de toneladas) que, acompanhado pelas reduções do consumo (-1,75 milhões de toneladas) e da exportação (-0,5 milhão de toneladas) podem indicar uma menor força da demanda pelo trigo russo.
Exibindo uma direção contrária, as projeções para a temporada 2022/23 da Ucrânia mostram um recuo da relação Estoque/Uso, de 14,21% estimados anteriormente, para 9,33% estimados em maio. O principal fator para isto seria a diminuição dos estoques finais, os quais estão projetados em 2,24 milhões de toneladas – contra as 3,34 milhões de toneladas projetadas no mês passado. Para mais detalhes, confira o relatório clicando aqui.
Vale destacar novamente que, à medida em que aumentam as incertezas sobre o prolongamento do Acordo de Grãos do Mar Negro, os números para o ciclo 2023/24 podem sofrer significativas revisões – principalmente para o trigo ucraniano. Observou-se que o conflito influenciou a projeção quanto às exportações do país para a próxima temporada, visto que se espera uma diminuição de, aproximadamente, 5 milhões de toneladas exportadas.
O vencimento da Iniciativa será nesta quinta-feira (18), e a Rússia ainda mostra resistências para uma possível extensão do acordo, dadas as suas reclamações sobre o impasse com os suprimentos de amônia não resolvidos. Por outro lado, o Ministério da Ucrânia afirmou que, caso a extensão não seja feita. há a possibilidade dos fluxos de exportações continuarem sendo escoados por formas alternativas, o que pode acrescentar uma certa segurança aos agentes do mercado.
Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.