- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativas de maior produção global para a safra 2023/24;
- Renovação do acordo Iniciativa de Grãos.
- Condições ruins para a safra HRW nos Estados Unidos, sobretudo no Kansas.

Na América do Sul, a safra de trigo da Argentina para o ciclo 2023/24 foi estimada em 18 milhões de toneladas de acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, frente a 12,4 milhões de toneladas da safra anterior, após as lavouras enfrentarem seca severa. É válido lembrar que o país é um importante exportador de trigo e um parceiro comercial para a demanda brasileira.
No Acompanhamento de Safra dos EUA que reportou aspectos das lavouras registrados até o domingo (14), o trigo foi relatado com condição boa/excelente estável, se mantendo em 29%. Com isso, cerca de 30% da safra é indicada como regular (+3 pontos percentuais no comparativo semanal). Vale destacar que o Kansas, principal produtor, tem apenas 10% da safra classificada como boa/excelente.
Quanto ao progresso do plantio de trigo de primavera, cerca de 40% do cereal foi semeado, ficando à frente do ritmo registrado em 2022, de 42%.
De modo geral, a safra de trigo HRW ainda está em condições ruins, sobretudo no Kansas. Além disso, os preços no comércio internacional ainda seguem pouco competitivos, o que se reflete sobre os volumes de vendas registradas nesta reta final do ano comercial.
As vendas de exportação dos EUA entre os dias 5 à 11 de maio para a safra 2022/23 totalizaram cancelamentos de 42,10 mil toneladas, de acordo com o USDA. Tal volume ficou significativamente abaixo do esperado pelo mercado. No acumulado do ano comercial, o país negociou 18,89 milhões de toneladas do cereal, bem semelhante ao nível registrado no mesmo período do ano passado e em linha com o estimado pelo USDA, que aguarda 21,09 milhões de toneladas na safra. Para o ciclo 2023/24, foram relatadas vendas de 336,80 mil toneladas, cujo principal comprador foram as Filipinas.

A semana foi marcada por intensas especulações sobre o fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro, a qual expirou na quinta-feira (18) e foi renovada por, aproximadamente, mais dois meses. Dado que as condições de oferta parecem boas na Europa, o preço do contrato contínuo na bolsa de Paris (MATIF) exibiu uma baixa na comparação de sexta (19) contra sexta (12), desvalorizando cerca de 22,9%.
Sobre os dados semanais, a FranceAgriMer atualizou as condições da safra francesa, mostrando dados referentes ao período de 08 a 14 de maio. Para o trigo soft, as condições suficientes, boas e excelentes foram de, respectivamente, 7%, 86% e 7%, não havendo alterações significativas em relação à semana anterior. Comparado ao mesmo período do ano passado, a safra segue apresentando uma melhora, visto que, em 2022, as condições muito ruins, ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em, respectivamente, 1%, 7%, 18%, 70% e 3%.
Em relação ao trigo duro francês, o reporte mostrou que 2% da safra está em condições ruins, 12% em condições suficientes, 74% em condições boas e 13% em condições excelentes, também exibindo estabilidade ante a semana anterior. Na comparação anual, o trigo duro também exibe melhora, visto que em 2022 cerca de 6% do trigo duro estava em condições ruins, 21% em condições suficientes, 71% em condições boas e 2% em condições suficientes.
Para o trigo europeu no geral, o desempenho da comercialização da safra 2022/23 continuou exibindo um bom desempenho de acordo com os dados divulgados pela Comissão Europeia. Até o dia 14 de maio, o acumulado de exportações ficou em 27,16 milhões de toneladas do trigo soft referente à safra 22/23 – avanço de 11,7% em relação ao mesmo período de 2022, quando o acumulado era de 24,3 milhões de toneladas. Com isso, as exportações do soft aumentaram, aproximadamente, 234,2 mil toneladas no período de uma semana, mantendo o bom desempenho para a comercialização da safra 22/23 europeia.
No entanto, as exportações do trigo duro europeu permaneceram mais lentas em relação ao ano passado. O acumulado da safra 22/23 está em 655,1 mil toneladas, indicando um volume 27,4% inferior ao observado na safra passada, uma vez que o mesmo período do ano mostrava 902,4 mil toneladas exportadas.

Após muitas repercussões sobre a insatisfação russa com a Iniciativa de Grãos, foi anunciada a extensão do acordo para até meados de julho deste ano. Com isso, mercados como o trigo e milho ucranianos poderão ter suas exportações escoadas através do corredor do Mar Negro, região estratégica para tais commodities. Confira a matéria especial sobre a renovação clicando aqui.
A Rússia segue com o seu plantio de primavera, atingindo os 28 milhões de hectares cultivados. Desse total, o trigo é responsável por 46% da área, com cerca de 6 milhões de hectares voltados à commodity.
Segundo dados da consultoria Sovecon, as exportações semanais do trigo russo foram de 680 mil toneladas, representando um desempenho menor em relação às 1,06 milhão de toneladas exportadas na semana anterior. Para o acumulado do ciclo 2022/23, a consultoria estima que as exportações atingirão 44,4 milhões de toneladas.
Já para a Ucrânia, o Ministério de Agricultura do país indicou que as exportações de trigo foram de 267,7mil toneladas na semana, elevando o acumulado do ciclo 2022/23 para 15,1 milhões de toneladas. Para grãos em geral, o órgão indica que foram exportadas cerca de 43,6 milhões de toneladas até o dia 15 de maio.
Para o plantio dos grãos de primavera ucraniano, a área está em cerca de 4,7 milhões de hectares, correspondendo a 86% dos 5,5 milhões de hectares esperados. Além disso, é esperado que 285 mil hectares sejam voltados ao cultivo do trigo de primavera.
Embora a extensão do Acordo de Grãos do Mar Negro tenha aliviado o sentimento da Ucrânia, o país sinalizou que só permitiria o fluxo de exportações da amônia russa pelo território ucraniano se a Iniciativa incluísse mais portos e outras commodities. Assim, será necessário acompanhar os próximos desdobramentos sobre o impasse.




