- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativas de maior produção global para a safra 2023/24;
- Renovação do acordo Iniciativa de Grãos.
- Condições ruins para a safra HRW nos Estados Unidos, sobretudo no Kansas.

A semana foi mais curta nos Estados Unidos, iniciando sem operações em Chicago devido ao feriado Memorial Days. O mercado continua caminhando lateralmente aos fundamentos e traders aguardam novas informações.
Mais uma vez, a Rússia ameaça a continuidade do acordo Iniciativa de Grãos, mas seus pronunciamentos obtiveram pouco efeito sobre os preços. O país indica que não renovará o acordo novamente em meados de julho, assim lançando esta faísca como estratégia para obter o fim das sanções as suas exportações de grãos e fertilizantes e acesso ao SWIFT (abreviatura de Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication, em português, Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais), sistema que possibilita a troca de informações bancárias e transferências financeiras entre as instituições financeiras.
Nos EUA, a desvantagem de oferta de trigo com preços internacionais baixos tem levado o cereal a atingir mínimas históricas, sem perspectivas para um novo suporte dos preços. O comércio internacional ficou ainda mais suscetível a compras baratas após a Rússia colocar oferta do trigo a USD 230/ton.
O clima nas Planícies do Sul dos EUA aponta melhora para as condições da safra de inverno, entretanto, ainda distante de condições ideais. No Acompanhamento de Safra divulgado terça-feira (30), cerca de 34% da safra de inverno estava em condições boas/excelentes, com a etapa de espigamento atingindo 72%.
As pequenas variações de alta no preço registradas ao longo da semana passada encontraram espaço em meio aos padrões climáticos do El Niño que estão levando fortes chuvas para a China. Neste período do ano, as fortes chuvas podem prejudicar a colheita no maior produtor mundial de trigo.
Com o potencial dano causado pelas chuvas intensas, os estoques de trigo da China podem ser reduzidos e dar suporte para o aumento dos preços de grãos e oleaginosas no mercado internacional.
As vendas de exportação dos EUA entre os dias 19 a 25 de maio para a safra 2022/23 indicaram mais uma semana fraca, atingindo um novo pico de baixa. Cerca de 210,5 mil cancelamentos foram registrados, de acordo com o USDA. No acumulado do ano comercial, o país comprometeu 18,63 milhões de toneladas de trigo, frente a 19,44 milhões de toneladas do mesmo período do ano anterior, mas ainda em linha com a estimativa de exportações, da ordem de 21,09 milhões de toneladas para a safra.

A semana foi marcada por movimentações de alguns países europeus para que as restrições dos produtos ucranianos fossem estendidas.
Em maio, a União Europeia impôs restrições de importações dos embarques ucranianos para Romênia, Hungria, Polônia, Bulgária e Eslováquia, visando proteger a produção doméstica destes países contra os embarques da Ucrânia. As restrições teriam validade até hoje (05), no entanto, os líderes de tais países seguem acreditando que a melhor saída seria o prolongamento dessas limitações.
Sobre os dados semanais, a FranceAgriMer atualizou as condições da safra francesa durante o período de 22 a 28 de maio. Para o trigo soft, as condições ruins, suficientes, boas e excelentes foram de, respectivamente, 1%, 8%, 84% e 7%, mostrando uma ligeira piora em relação à semana anterior. Comparado ao mesmo período do ano passado, a safra segue em condições melhores visto que, em 2022, as condições muito ruins, ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em, respectivamente, 2%, 9%, 22%, 64% e 3%.
Em relação ao trigo duro francês, o reporte mostrou que 3% da safra está em condições ruins, 11% em condições suficientes, 71% em condições boas e 15% em condições excelentes, exibindo estabilidade ante a semana anterior. Na comparação anual, o trigo duro também exibe melhora, visto que em 2022 cerca de 1% do trigo duro estava em condições muito ruins, 10% em condições ruins, 26% em condições suficientes, 61% em condições boas e 2% em condições suficientes.
Para o trigo europeu no geral, os dados divulgados pela Comissão Europeia mostram que as últimas semanas de exportações do ciclo 2022/23 continuam positivas. Até o dia 28 de maio, o acumulado de exportações foi de 28,4 milhões de toneladas para o trigo soft – avanço de 11,5% em relação ao mesmo período de 2022, quando o acumulado era de 25,4 milhões de toneladas. Com isso, as exportações do soft aumentaram, aproximadamente, 150 mil toneladas no período de uma semana.
Por outro lado, as exportações do trigo duro europeu permaneceram mais fracas ante o ano passado. O acumulado da safra 22/23 está em 691 mil toneladas, indicando um volume 27,3% menor em relação ao observado na safra passada (950,1 mil toneladas).

O plantio do trigo de primavera russo se encaminhou para o final ao atingir os 12,9 milhões de hectares, equivalente a 99% da área destinada para a cultura.
A expectativa da Rússia está na colheita de outra safra recorde de trigo. Se isso acontecer, o seu volume de exportações para a próxima campanha de comercialização pode aumentar, contribuindo para que a oferta russa faça frente à oferta dos EUA. Assim, tal perspectiva de competição pode continuar influenciando uma tendência de preços pressionados.
De acordo com a Sovecon, o resultado para as exportações do trigo russo em maio é estimado em 3,8 milhões de toneladas, mostrando um significativo aumento ante as 1,2 milhões de toneladas exportação no mesmo mês do ano passado. Os embarques tiveram como principais destinos o Egito, Turquia e Peru.
No entanto, informações do Escritório de Estatísticas da Rússia (Rosstat) mostram que a demanda não está conseguindo acompanhar a oferta da commodity. O órgão informou que os estoques do trigo nas fazendas está em 12 milhões de toneladas, sendo um volume recorde.
As negociações em torno do Mar Negro seguem ativas, e agora a ONU busca uma saída para o escoamento da amônia russa através da Ucrânia. O órgão pediu para que Turquia, Rússia e Ucrânia começassem a trabalhar em um plano que permitisse tais embarques, o que poderia contribuir para a extensão da Iniciativa de Grãos do Mar Negro.
Na Ucrânia, o cultivo dos grãos de primavera atingiu os 5,5 milhões de hectares. Deste total, o trigo de primavera é responsável por 269,5 mil hectares. Além disso, o Ministério da Agricultura ucraniano reduziu a sua estimativa para o plantio de grãos, sendo projetados 13,5 milhões de hectares – contra 14 milhões de hectares estimados anteriormente.
Para as exportações semanais, foram exportadas cerca de 230 mil toneladas do trigo ucraniano. Com isso, o acumulado para o trigo do ciclo está em 15,53 milhões de toneladas.
As ofensivas de guerra entre Rússia e Ucrânia continuam colocando obstáculos para uma possível resolução do conflito. Vários bombardeios foram observados nesta semana, o que contribui para um aumento dos atrasos de navios e, consequentemente, para maiores problemas na entrega dos embarques.






