- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativas de maior produção global para a safra 2023/24;
- Renovação do acordo Iniciativa de Grãos.
- Condições ruins para a safra HRW nos Estados Unidos, sobretudo no Kansas.
- Possibilidade de aumento da demanda chinesa, após chuvas excessivas no campo;
- Perspectiva de redução da safra australiana, que enfrenta problemas de clima seco.

O clima vem acendendo alertas em diferentes regiões. O Cazaquistão teve seu quinto mês mais seco nos últimos 45 anos. A Austrália enfrenta problemas de umidade em 25% da sua principal região produtora. A Abares estima que a safra pode cair abaixo da média de 10 anos.
A China também passa por problemas climáticos, em que a safra de trigo pode sofrer com perdas de produção devido às chuvas intensas. O mercado aguarda sinais de demanda de importação para confirmar os rumores.
No Mar Negro, a Ucrânia acusa a Rússia de estar rompendo o acordo por não inspecionar no ritmo correto as cargas ucranianas. Por outro lado, a União Europeia estendeu a proibição das importações da Ucrânia para cinco países fronteiriços até 15 de setembro, com o objetivo de proteger o mercado doméstico de grãos. Além disso, o rompimento de uma barragem na Ucrânia elevou os contratos futuros de trigo dos EUA, em mais um suposto ataque russo.
No Acompanhamento de Safra divulgado terça-feira (30), cerca de 34% da safra de inverno estava em condições boas/excelentes, com a etapa de espigamento atingindo 72% e 4% da safra colhida, em linha com a média de cinco anos e com os estados do sul estão liderando o ritmo.
Já o plantio de trigo na primavera atingiu 93% da área esperada, em bom ritmo de emergência, com 76% da safra nesta etapa, 19 pontos percentuais acima do indicado semana passada. As primeiras classificações de condição do trigo de primavera foram divulgadas, em linha com as leituras de milho e soja. Cerca de 64% da safra estava em condições boas/excelentes, 2 pontos percentuais abaixo do esperado.
Os dados do WASDE chamaram a atenção, em especial para o trigo, em que a produção norte-americana 2023/24 foi estimada em 45,32 milhões de toneladas, levemente acima da safra anterior, com ajuste também para os estoques finais, que passaram de 15,12 para 15,28 milhões.
O Departamento fez mudanças positivas para vários produtores, como União Europeia, Rússia e Ucrânia. Com estes ajustes, a produção mundial 2023/24 foi elevada em cerca de 10,4 milhões de toneladas em relação a estimativa de maio. Mas o balanço continua apertado, com o consumo quase superando a produção. A China chamou a atenção pelo lado da demanda, com importações passando de uma estimativa de 149 para 151 milhões de toneladas.
As vendas de exportação dos EUA entre os dias 26 de maio e 1 de junho foram de 234,8 mil toneladas, de acordo com o USDA. Dentre os principais compradores está Taiwan, com 56 mil toneladas, seguido pela Colômbia, com 40,8 mil toneladas e México com 36,4 mil toneladas. A campanha de comercialização do trigo terminou em 31 de maio e o ano-comercial 2023/2024 iniciou em 1 de junho.

A semana foi marcada pela espera do Relatório de Oferta e Demanda global, divulgado na sexta-feira (09). O reporte pode contribuir para a pressão sob o mercado de trigo, uma vez que as novas estimativas mostram um aumento da relação estoques/uso da União Europeia tanto para o ciclo atual, quanto para o novo ciclo.
Segundo o USDA, a relação estoque/uso para a temporada 2022/23 passou de 11,38% estimados em maio, para 11,69% estimados agora em junho. Apesar de esperar um consumo de 108 milhões de toneladas, o aumento das importações de 10,50 milhões de toneladas para 11,50 milhões de toneladas fez com que a projeção para os estoques finais aumentasse, totalizando 16,66 milhões de toneladas.
Para o ciclo 2023/24, o cenário também é de estoques finais maiores em relação ao projetado em maio – passando de 14,66 milhões de toneladas, para 16,16 milhões de toneladas. Tal perspectiva, aliada à estabilidade das estimativas para a demanda, influenciou no valor de 10,92% para a relação estoque/uso – contra os 9,94% projetados anteriormente. Ainda assim, vale observar que o USDA espera que tal relação para a nova safra seja menor em comparação à relação da temporada 2022/23, podendo fornecer certo suporte às cotações do grão.
Em relação aos dados semanais, as condições da safra francesa foram atualizadas, com dados do período de 29 a 04 de junho. De acordo com a FranceAgriMer, 6% do trigo soft se encontra em condições ruins, 10% em condições suficientes, 82% em condições boas e 6% em condições excelentes. Para o mesmo período do ano passado, a vigésima segunda semana do levantamento trouxe 2% em condições péssimas, 10% em condições ruins, 22% em condições suficientes, 63% em condições boas e 3% em excelentes, indicando que as plantações francesas estão em condições melhores neste ano de 2023.
Para o trigo duro, cerca de 3% estão em condições ruins, 15% em condições suficientes, 68% em condições boas, e 14% em condições excelentes. Com isso, o trigo duro francês também apresenta uma melhora em relação ao mesmo período de 2022, quando as condições péssimas, ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em 1%, 11%, 26%, 60% e 2%, respectivamente.

O início da semana foi acompanhado pelo crescimento das tensões no Mar Negro após o rompimento de uma barragem da Ucrânia. O ataque à barragem de Nova Kakhokva trouxe inundações em regiões residenciais e lavouras, aumentando o temor de que a produção da região fosse prejudicada. Tal situação contribuiu para que as cotações do trigo se fortalecessem, dada a possibilidade de uma oferta ucraniana menor.
No entanto, os agentes também ficaram atentos às projeções do WASDE de maio para a região. As estimativas para a safra 2022/23 russa foram estáveis, sendo a safra 2023/24 o principal foco dos ajustes.
As condições climáticas favoráveis na Rússia fizeram com que o órgão aumentasse a produção 2023/24 estimada, totalizando 85 milhões de toneladas. Apesar de ser um volume inferior ao ciclo 2022/23, o aumento na projeção dos estoques finais levou ao avanço da relação estoque/uso, a qual deve ficar em 16,32%.
Por fim, a semana foi marcada pelo encerramento da plantação de primavera na Rússia, a qual mostrou que o trigo atingiu cerca de 13,5 milhões de hectares.
Em relação à Ucrânia, a plantação de trigo alcançou os 95% esperados, com 271 mil hectares destinados à cultura. As exportações semanais foram de 405 mil toneladas, aumentando o acumulado da temporada para 15,93 milhões de toneladas.
As estimativas do USDA para o trigo ucraniano mostraram um estoque final da safra 2022/23 menor, puxado principalmente pelo aumento das exportações – que devem ficar em 16 milhões de toneladas exportadas.
No entanto, a nova safra continua com fundamentos não tão favoráveis: ainda que o WASDE estime uma maior exportação e menor relação estoque/uso, o aumento da produção para 17,50 milhões de toneladas ucranianas contribui para a interpretação de que o trigo pode não obter o suporte esperado – resta acompanhar os desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia para entender como os eventos poderão impactar a oferta do trigo.






