- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativas de maior produção global para a safra 2023/24;
- Renovação do acordo Iniciativa de Grãos.
- Condições ruins para a safra HRW nos Estados Unidos, sobretudo no Kansas.
- Possibilidade de aumento da demanda chinesa, após chuvas excessivas no campo;
- Perspectiva de redução da safra australiana, que enfrenta problemas de clima seco.

O Centro Nacional de Informações de Grãos e Oleaginosas da China (NGOIC) reduziu sua previsão para a produção de trigo no ano comercial de 2023/24. O corte foi de 8 milhões de toneladas, passando de 137,72 registrados no ano passado, para 129,72 milhões de toneladas.
Este corte acentuado na produção pondera grande quantidade de perda de safra devido as chuvas prolongadas que atingiram as principais áreas produtoras de trigo durante a colheita. Estima-se que aproximadamente 25-30 milhões de toneladas de trigo foram germinados em diferentes graus serão usados apenas para ração, devido a problemas de qualidade.
Além disso, há previsão de que 15 milhões de toneladas de trigo possam ser adicionadas para substituir o milho além do uso normal, da ordem de 9 milhões de toneladas, assim, uso total de trigo para ração poderá aumentar para 45,57 milhões de toneladas (aumento de 30 mi ton em relação a 2022/23). Por outro lado, houve cortes também na projeção para as importações de trigo, que passou de 10,6 em 2022/23 para 9 milhões de toneladas em 2023/24, devido ao maior fornecimento doméstico de trigo forrageiro.
Na América do Sul, o plantio avança, a Conab indica que 40,9% das lavouras de trigo brasileiro foram semeadas até o dia 3 de junho, e, na Argentina, a Bolsa de Cereais divulgou que a semeadura atingiu 19,5% da área esperada.
No Acompanhamento de Safra divulgado segunda-feira (12), cerca de 38% da safra de inverno estava em condições boas/excelentes, com a etapa de colheita atingindo 8%, avanço de 4 pontos percentuais, em linha com a média de cinco anos e com os estados do sul liderando o ritmo. A qualidade da safra segue como um fator de preocupação, intensificado pelas fortes chuvas registradas em algumas áreas das Planícies na última semana.
Os EUA já passaram das primeiras duas semanas da temporada de vendas, com as vendas de exportação de trigo 2023/24 dos EUA na semana encerrada em 08/06 ficando abaixo do piso das estimativas, ao alcançar 165 mil toneladas (800 mil de toneladas atrás do ritmo do ano passado). A tendência é o interesse pelo fornecimento de trigo dos EUA continuar em ritmo lento, já que os valores russos permanecem inalterados em USD 230/ton.

Na última semana, as preocupações quanto ao clima mais seco na Europa forneceram certo suporte para o trigo, uma vez que as condições climáticas adversas podem contribuir para a diminuição da oferta do grão.
Aliado a isso, a semana também contou com o corte das estimativas realizadas pelo escritório agrícola da França, FranceAgriMer, para a exportação do ciclo 2022/23. Contudo, vale notar que a safra em questão ainda exibe um volume total 16% maior em relação ao ciclo anterior, limitando ralis de preços mais acentuados.
Sobre os dados semanais, a FranceAgriMer atualizou as condições da safra francesa durante o período de 05 a 11 de junho. Para o trigo soft, a vigésima terceira semana de levantamento mostrou que as condições ruins, suficientes, boas e excelentes foram de, respectivamente, 3%, 12%, 79% e 6%, sinalizando uma ligeira piora das condições boas em relação a semana anterior. Comparado ao mesmo período do ano passado, a produção segue em condições melhores visto que, em 2022, as condições muito ruins, ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em, respectivamente, 2%, 10%, 22%, 61% e 4%.
Para o trigo duro francês, o documento indicou que 3% da safra está em condições ruins, 16% em condições suficientes, 67% em condições boas e 14% em condições excelentes, mostrando estabilidade ante a semana anterior. O trigo duro também exibe melhora na comparação anual, dado que em 2022 cerca de 1% do trigo duro estava em condições muito ruins, 12% em condições ruins, 27% em condições suficientes, 58% em condições boas e 2% em condições suficientes.
Para o trigo europeu no geral, foram atualizados os dados das exportações referentes ao ciclo 2022/23. Até o dia 13 de junho, o acumulado de exportações foi de 29,9 milhões de toneladas para o trigo soft – avanço de 13,2% ante o mesmo período de 2022, quando o acumulado era de 26,4 milhões de toneladas. Assim, as exportações do soft sofreram acréscimos de, aproximadamente, 403 mil toneladas no período de uma semana.
No entanto, as exportações do trigo duro europeu não exibem o mesmo desempenho. O acumulado da safra 2022/23 está em 712 mil toneladas, sinalizando que o volume atual é 26,6% inferior em relação ao observado na safra passada (970,9 mil toneladas).

Para o Mar Negro, a semana não contou com muitas novidades, mostrando um maior foco do mercado para as condições de oferta do suprimento.
A Iniciativa de Grãos segue no radar dos agentes, uma vez que a inspeção e liberação dos navios estão sendo dificultadas pela Rússia. Com isso, o escoamento das exportações ucranianas mostra um ritmo mais lento em relação ao esperado, instabilizando os embarques dos suprimentos pelo Mar Negro. Esse movimento é acompanhado pelas constantes ameaças da Rússia em finalizar o acordo entre os países, uma vez que o país ainda sofre com sanções impostas ao seu comércio.
Enquanto isso, as plantações de inverno na Rússia mostram números maiores do que o esperado. Na última semana, a área destinada ao trigo de primavera russo atingiu 105% do planejado, alcançando os 13,66 milhões e hectares e indicando a maior área desde 2011. Esse cenário não parece muito otimista para o país, uma vez que o alto volume de estoques russos segue preocupando o mercado.
Para a Ucrânia, o seu Ministério da Agricultura afirmou que as exportações dos grãos 2022/23 estão em 47,5 milhões de toneladas, mostrando um recuo ante as 47,8 milhões de toneladas referentes ao mesmo período do ano passado. Desse total, o acumulado do trigo é responsável por 16,3 milhões de toneladas exportadas.
Por fim, as plantações ucranianas também seguem exibindo avanço. Em relação ao trigo de primavera, o plantio ucraniano está em 95% da área planejada, equivalente a 271 mil hectares.





