- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativas de maior produção global para a safra 2023/24 em relação a 2022/23;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA.
- Condições ruins para a safra HRW nos Estados Unidos, sobretudo no Kansas.
- Possibilidade de aumento da demanda chinesa, após chuvas excessivas no campo;
- Incerteza sobre a continuidade do acordo Iniciativa de Grãos, que expirará dia 18 de julho.
O mercado futuro de trigo em Chicago encerrou o mês com um mergulho dos preços, que obtiveram variação de -14,8% no comparativo sexta contra sexta. A semana entre os dias 26 e 30 de junho foi pressionada pelo volume excedente de trigo russo e o dólar fortalecido, que leva as commodities cotadas na divisa dos EUA a se tornarem menos competitivas.
Os dados de área plantada e estoque aguardados com entusiasmo pelo mercado foram acompanhados pelo movimento direto nos preços, mas em meio a esse cenário doméstico e às condições do clima, o contexto mais amplo diante da oferta russa gera pouco espaço para ganhos nos preços.
Essa conjuntura pode se alterar nas próximas semanas, em que o acordo Iniciativa de Grãos será discutido, pois caso não seja renovado, será expirado no dia 18 de julho.

A tensão geopolítica durante o final de semana na Rússia não foi absorvida pelos preços no mercado futuro em Chicago, dado que não houve maiores desdobramentos acerca do grupo paramilitar Wagner e do governo russo.
Na América do Sul, o governo da Argentina estima que a safra de trigo 2023/24 ficará entre 18 e 19 milhões de toneladas, abaixo do estimado pelo USDA, da ordem de 19,5 milhões de toneladas. A bolsa de Buenos Aires diminuiu a área plantada de 6,1 para 6 milhões de hectares em seu informe recente semanal.
No Acompanhamento de Safra divulgado segunda-feira (26), a safra de inverno estava com 40% das lavouras em condições boas/excelentes (+2 pontos percentuais em relação à semana anterior, mas ainda 6 pontos percentuais abaixo da média histórica). A etapa de colheita atingiu 24% até o domingo (25), contra uma média de 33%.
As expectativas no início da semana para o relatório de área plantada do USDA eram de que os valores estimados obtivessem recuo moderado, ou seja, ainda ficassem próximos aos de março. Da mesma forma, esperava-se que os estoques também indicassem pouca variação.
As condições climáticas nas regiões produtoras de trigo nos EUA, sobretudo no Kansas, estiveram menos favoráveis para o trigo de inverno vermelho (HRW). As expectativas sobre o relatório do USDA se concretizaram, dado que esta situação resultou em um ajuste negativo para a área plantada, que passou de 20,17, estimada em março, para 20,08 milhões de hectares.
Na temporada passada, 18,57 milhões de hectares foram semeados com trigo, o que apesar do ajuste negativo entre as estimativas de março e junho, indica que se espera um aumento de 9% para a área plantada da safra atual em relação à safra anterior.
As vendas para exportação foram novamente aquém do esperado, com o volume registrado nesta semana sendo 25% do total contabilizado no ano passado. Cerca de 155 mil toneladas foram negociadas e no acumulado do ano comercial, o déficit é de 1,5 milhão de toneladas em relação ao que já havia sido negociado no mesmo período do ano anterior.

Com o crescimento das tensões políticas na Rússia, como também a possibilidade de não renovação do Acordo do Mar Negro, os agentes estavam focados nos desdobramentos dos impasses entre Rússia e Ucrânia.
As atualizações semanais contam com o acompanhamento da safra francesa realizada pela FranceAgriMer referente ao período de 19 a 25 de junho. Para o trigo soft, a vigésima quinta semana de levantamento mostrou que as condições muito ruins, ruins, suficientes, boas e excelentes foram de, respectivamente, 1%, 4%, 14%, 76% e 5%. As lavouras permanecem em melhores condições em comparado ao mesmo período de 2022, dado que no ano passado as condições muito ruins, ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em, respectivamente, 2%, 11%, 23%, 60% e 4%.
Para o trigo duro francês, o documento indicou que 1% da safra está em condições muito ruins, 7% em condições ruins, 23% em condições suficientes, 57% em condições boas e 12% em condições excelentes. Em relação ao ano passado, o trigo duro também exibe melhora, visto que em 2022 cerca de 2% do trigo duro estava em condições muito ruins, 13% em condições ruins, 29% em condições suficientes, 55% em condições boas e 1% em condições suficientes.
A safra de trigo europeu no geral contou com os dados das exportações referentes ao ciclo 2022/23. Até o dia 25 de junho, o acumulado de exportações foi de 30,7 milhões de toneladas para o trigo soft – avanço de 11,3% ante o mesmo período de 2022, quando o acumulado era de 27,6 milhões de toneladas. Assim, as exportações do soft sofreram acréscimos de, aproximadamente, 171 mil toneladas no período de uma semana.
Mostrando um desempenho diferente, as exportações do trigo duro europeu continuam abaixo do volume relatado no ano passado. O acumulado da safra 2022/23 está em 740,9 mil toneladas, sinalizando que o volume atual é 23,7% inferior em relação ao observado na safra passada (971 mil toneladas).

O início da semana foi marcado pelas preocupações sobre a estabilidade política na Rússia, colaborando para um aumento de preços. No fim de semana, o grupo paramilitar Wagner passou a contestar o governo russo, justificando que o governo não estava fornecendo o devido suporte para a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia. Com isso, a moeda russa, o rublo, sofreu desvalorização para a mínima dos últimos 15 meses ainda no início da semana.
À medida em que a instabilidade política foi se amenizando, os investidores mudaram o seu foco para a repercussão nas sessões. O excedente de oferta russa com uma colheita grande pareceu ganhar protagonismo, dado que ainda é incerto se a produção da Rússia encontrará uma demanda que atenda aos grandes volumes da sua oferta.
Outra preocupação do mercado está nas condições climáticas da Rússia. A expectativa é que a colheita de trigo na região sul se inicie em breve, no entanto, as chuvas na região causam apreensão em torno da qualidade das lavouras no momento da colheita.
A consultoria Sovecon aumentou a sua estimativa para as exportações de grãos russo referentes a junho, passando de 3,5 milhões de toneladas estimadas anteriormente, para 3,8 milhões de toneladas estimadas agora. Desse total, o trigo está sendo projetado em 3,2 milhões de toneladas exportadas.
A possibilidade de que a Iniciativa de Grãos do Mar Negro não seja prolongada neste mês está afetando os embarques de grãos ucranianos. Para o trigo, foram exportadas 258 mil toneladas ao longo da semana, totalizando 16,84 milhões de toneladas para o acumulado do ciclo (cerca de -10% em relação ao ano passado). Os principais compradores foram Turquia e Egito.






