- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativas de maior produção global para a safra 2023/24 em relação a 2022/23;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA.
- Fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro
- Ataques do governo russo às regiões portuárias da Ucrânia
- Condições ruins para a safra HRW nos Estados Unidos, sobretudo no Kansas.
As cotações do trigo em Chicago registraram forte alta na semana passada, após a não renovação do Acordo Inciativa de Grãos pela Rússia e com a intensificação dos ataques russos a alvos ucranianos. O vencimento para setembro terminou a sexta-feira (dia 21) em 697,50 cents por bushel, ganhos de 5,4%.
Após a não renovação do acordo na segunda-feira (dia 17), a Rússia promoveu vários ataques a alvos na região portuária da Ucrânia no Mar Negro ao longo da semana, afetando inclusive volumes de grãos armazenados, como cevada. Além disso, as preocupações com a possibilidade de a Rússia atacar navios em alto mar contribuíram para o rali de preços observados em algumas sessões, abrindo espaço para os especuladores atuarem.
Na sexta-feira (dia 21), essas preocupações arrefeceram com a Rússia afirmando que não afundaria navios no entorno dos portos ucranianos, realizando a “captura” dos mesmos, situação que abriu espaço para um considerável recuo na última sessão da semana, mas que não impediu a alta importante no período como um todo.
Mesmo com as preocupações com os impactos sobre os volumes de trigo exportados pelo Mar Negro, ainda é cedo para se saber o quanto as exportações de trigo da Ucrânia serão penalizadas, com o país buscando por rotadas alternativas, como por via terrestre e fluvial, para escoar suas exportações.
Contudo, nessa segunda-feira (dia 24), um ataque a drone a instalações de grãos no rio Danúbio intensificou as preocupações com o escoamento dos grãos ucranianos, uma vez que essa rota tem sido central para as exportações desde o início do conflito, no começo do ano passado.

Além disso, o mercado acompanha a produção do cereal ao redor do mundo, destacando que as estimativas para o balanço mundial do cereal não estão folgadas, com a última revisão do USDA para a safra global 2023/24 tendo voltado a trazer uma produção abaixo do consumo.
Em relação à safra dos EUA, as preocupações com o clima estão centradas na safra de primavera do trigo HRW, que ainda poderá sofrer alguma alteração, devido às condições mais secas da região norte dos EUA (e também no Canadá). De qualquer forma, o percentual das lavouras na classificação boa/excelente subiu de 47% para 51% na semana encerrada em 13/07, nível ainda abaixo do registrado nessa mesma época do ano passado e na média de 5 anos, em 71% e 61%, respectivamente.
Aqui na América do Sul, destaca-se que a StoneX divulgou sua estimativa para a produção brasileira 2023/24, que ficou inalterada em 11,46 milhões de toneladas. A safra do cereal está indo bem nestes meses iniciais do ciclo, com as lavouras, no geral, mostrando boas condições. De qualquer maneira, o clima vai ser determinante nos próximos meses para se confirmar a boa produtividade média nacional esperada e a qualidade do trigo.
Na Argentina, 92,2% do plantio estava completo até a última quarta-feira (dia 19), de acordo com a Bolsa de Buenos Aires, um avanço semanal de 6 p.p. Além disso, 71% das lavouras estão em uma condição hídrica adequada ou ótima, uma melhora de 5 p.p. em uma semana.

Influenciado pelos desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia, o trigo na bolsa MATIF de Paris encerrou a semana em alta. O contrato com vencimento em setembro de 2023 exibiu uma valorização semanal de 6,7%, passando de EUR 231,75/t em 14/07 para EUR 247,25/t em 21/07.
Hoje, foi divulgado o Boletim MARS de julho, documento responsável por analisar as condições das lavouras da região.
De acordo com a Comissão Europeia, entre o período de 1 de junho e 16 de julho, as lavouras da Europa enfrentaram um clima mais quente do que o normal, além de um certo déficit hídrico, o que influenciou na revisão dos rendimentos.
Com isso, os dados de rendimento indicados pelo Boletim mostram que o rendimento do trigo total europeu deve ser próximo à média dos últimos 5 anos, sendo projetado um rendimento de 5,59 toneladas/hectare, contra 5,58 toneladas/hectare referentes a média de 5 anos. Vale lembrar que, no boletim de junho, o órgão havia projetado um rendimento de 5,70 toneladas/hectare.
Especificamente para o trigo soft, estima-se um rendimento de 5,80 toneladas/hectare, contra a média de 5 anos de 5,79 toneladas/hectare e as 5,92 toneladas/hectare projetadas em junho. Para o trigo duro, as estimativas estão em 3,39 toneladas/hectare, contra a média de 5 anos de 3,50 toneladas/hectare e as 3,40 toneladas/hectare estimadas no mês passado.
Na frente dos dados semanais, as condições da safra francesa foram atualizadas para o período de 10 a 16 de julho. De acordo com a FranceAgriMer, as condições do trigo soft se mantiveram estáveis ante a semana anterior, com 1% em condições muito ruins, 4% em condições ruins, 16% em condições suficientes, 75% em condições boas e 5% em condições excelentes. O ciclo permanece exibindo condições melhores em relação à safra anterior visto que, no ano passado, a 28ª semana do levantamento mostrou 2% em condições muito ruins, 12% em condições ruins, 23% em condições suficientes, 60% em condições boas e 3% em excelentes.
As condições para o trigo duro também mostraram estabilidade, com 1% em condições muito ruins, 5% em condições ruins, 25% em condições suficientes, 58% em condições boas, e 10% em condições excelentes. Tais resultados são melhores ante o mesmo período do ano passado, quando as condições péssimas, ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em, respectivamente, 2%, 13%, 30%, 54% e 1%.

A semana se iniciou com a notícia do fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro, o que contribuiu para o avanço do trigo em Chicago. O Acordo permitiu que os embarques ucranianos fossem escoados pela região, aspecto que foi dificultado desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Durante a sua vigência, o trigo foi o segundo produto mais exportado pela Ucrânia, totalizando 8,9 milhões de toneladas.
Com o consequente fim da garantia de segurança dos navios, as seguradoras afirmaram considerar sua retirada da região. Este movimento diminuiria a disponibilidade de navios que carregam os grãos ucranianos, apertando a oferta do cereal. A tensão na região se intensificou horas depois do encerramento da Iniciativa, dado que novos ataques foram verificados nas cidades portuárias de Odessa e Mykolaiv, afetando a infraestrutura dos locais.
Como comentado na semana passada, apesar da Ucrânia afirmar que possui alternativas para as exportações dos grãos, como o uso dos portos romenos ou o fluxo por vias terrestres, passando pela Polônia por exemplo, ainda é incerto se tais opções compensariam completamente os volumes embarcados pelos portos do Mar Negro.
De acordo com o cenário atual, parte do mercado entende que as restrições não serão tão problemáticas quanto as observadas no início da guerra em 2022. Ainda assim, as cotações devem seguir ganhando suporte com as tensões entre os dois países.
A consultoria IKAR aumentou suas estimativas para o ciclo da Rússia. De acordo com suas projeções, devem ser produzidos 134,5 milhões de toneladas de grãos, com o trigo responsável por 86,5 milhões de toneladas – contra 86 milhões de toneladas estimadas pela consultoria anteriormente, e 78 milhões de toneladas estimadas pelo governo russo. Para as exportações, o volume dos grãos passou de 55 milhões de toneladas projetadas anteriormente, para 58,5 milhões de toneladas. Desse total, o trigo passou de 44 milhões de toneladas projetadas anteriormente para 46 milhões de toneladas.
Na Ucrânia, a colheita de grãos conta com 14% das plantações concluídas, totalizando 5,9 milhões de toneladas. Para o trigo, cerca de 18% das plantações estão colhidas, com aproximadamente 830 mil hectares.





