- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativas de maior produção global para a safra 2023/24 em relação a 2022/23;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA.
- Fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro;
- Ataques do governo ucraniano às regiões portuárias da Rússia;
- Condições ruins para a safra de primavera nos Estados Unidos.
O mercado futuro de trigo em Chicago iniciou o mês com queda nos preços, em um movimento de variação de -10,1% no comparativo sexta contra sexta. Por outro lado, o ataque ucraniano registrado na sexta na Rússia pode mudar o movimento dos preços no mercado futuro em Chicago na semana que se inicia, hoje (07).
A Rússia segue como foco de atenção de traders, orientando a tomada de posições dos contratos futuros de trigo dos Estados Unidos. Autoridades russas indicaram interesse em retomar discussões sobre a renovação do acordo Iniciativa de Grãos e isso gerou um efeito de venda de contratos de trigo, pressionando os preços no início da semana.
Entretanto, agências de notícias informaram na sexta (4) que a Ucrânia executou um ataque de drones no porto de Novorossiysk, que levou a interrompimento do movimento de navios na região e demonstrou que os recursos russos estão suscetíveis aos riscos do conflito também.

Apesar da preocupação gerada, a possível parceria entre China e Ucrânia criou limites para o movimento nos preços. A percepção de que haja uma solidariedade China-Rússia vem sendo corroída no mercado internacional na medida em que há algum tipo de proteção oferecida pela China para garantir grãos da Ucrânia.
No Acompanhamento de Safra divulgado segunda-feira (31), a safra de inverno 80% das lavouras colhidas, pouco abaixo da média de 83%. Quanto ao trigo de primavera, as condições boas/excelentes atingiram 42% (-7 pontos percentuais em relação à semana anterior, o que aumenta a perda para 19 pontos percentuais em relação à média histórica). A etapa de colheita atingiu 2% até o domingo (30), o que torna as classificações da safra ainda insuficientes para ponderar o rendimento.
A semana entre os dias 31 de julho e 04 de agosto foi pressionada pela demanda fraca dos Estados Unidos e pelo volume excedente de trigo russo, o que gera um cenário pouco competitivo. As vendas para exportação obtiveram o volume registrado nesta semana de 421,3 mil toneladas, pouco acima da média.

Digerindo os acontecimentos relacionados ao fim do Acordo de Grãos entre Rússia e Ucrânia, o trigo na bolsa MATIF de Paris encerrou a semana com queda na comparação semanal. O contrato com vencimento em setembro de 2023 exibiu um recuo semanal de 4,9%, passando de EUR 247,25/t em 28/07 para EUR 235,25/t em 04/08.
Na frente dos dados semanais, as condições da safra francesa foram atualizadas para o período de 24 a 30 de julho. Segundo os dados da FranceAgriMer, houve uma manutenção das condições do trigo soft ante a semana anterior, com 1% em condições muito ruins, 4% em condições ruins, 17% em condições suficientes, 74% em condições boas e 4% em condições excelentes.
A safra permanece em melhores condições quando comparada ao ciclo anterior visto que, em 2022, a 30ª semana do levantamento mostrou 2% em condições muito ruins, 12% em condições ruins, 23% em condições suficientes, 60% em condições boas e 3% em excelentes.
Também é mostrada uma estabilidade para as condições do trigo duro, com 1% em condições muito ruins, 5% em condições ruins, 26% em condições suficientes, 57% em condições boas, e 10% em condições excelentes. Os dados mostram uma melhora ante o mesmo período do ano passado, quando as condições péssimas, ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em, respectivamente, 2%, 13%, 30%, 54% e 1%.

Em outra semana marcada pela incerteza em torno dos embarques ucranianos, o mercado permaneceu especulando sobre as possibilidades de escoamento das exportações sem a utilização dos portos do Mar Negro. Ao mesmo tempo, as estimativas para a produção do trigo russo continuaram sofrendo acréscimos, colaborando para a interpretação de grande disponibilidade do cereal russo – que vem exibindo um preço abaixo de outros países.
Na quarta-feira (02), os participantes do mercado repercutiram o ataque com drones russos, responsável por atingir a infraestrutura ucraniana no Rio Danúbio, importante alternativa para o escoamento dos embarques ucranianos. No entanto, o mercado também se manteve atento às especulações relacionadas à possibilidade da Rússia querer renegociar a sua participação no Acordo de Grãos.
De acordo com o vice-primeiro-ministro ucraniano Oleksandr Kubrakov, o ataque deteriorou aproximadamente 40 mil toneladas de grãos, que seriam destinados à China, Israel e alguns países africanos. A incerteza relacionada à oferta se intensificou, dado que tais ataques impediram a operação dos navios nos portos da Ucrânia.
Também foi possível observar investidas realizadas pela Ucrânia, atingindo as proximidades do porto de Novorossiysk, que possui papel relevante para as exportações de grãos russos. Dado que a Rússia é o maior exportador de trigo, a possibilidade de que a oferta russa seja prejudicada poderia causar um forte impacto na oferta global.
Enquanto isso, a consultoria Sovecon aumentou a sua projeção para a colheita russa, passando de 86,8 milhões de toneladas de trigo estimadas anteriormente, para 87,1 milhões de toneladas projetadas. Até agora, o país exibe 28,9 milhões de toneladas de grãos colhidos, volume 17% inferior comparado ao mesmo período do ano passado.
Para o trigo, a colheita atingiu 5,7 milhões de hectares, com 22,7 milhões de toneladas colhidas. Este volume representa um recuo de 23% em relação ao ano passado, com relatos de chuvas atrasando o processo.
Na Ucrânia, o Ministério da Agricultura relatou que a colheita de grãos está em 11,2 milhões de toneladas, com o trigo responsável por 8 milhões de toneladas colhidas em 1,8 milhão de hectares (40% concluído).






