- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativa de maiores estoques finais para a safra 2023/24 dos EUA;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA.
- Fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro;
- Ataques do governo ucraniano às regiões portuárias da Rússia;
- Condições ruins para a safra de primavera nos Estados Unidos.
Os ataques da Ucrânia ao porto russo na primeira semana de agosto obtiveram breve impacto sobre os preços no mercado futuro. O movimento não se sustentou na semana entre os dias 7 e 11 de agosto, apesar da expectativa de resposta ofensiva por parte da Rússia. O mercado segue pressionado, com o trigo dos EUA pouco competitivo e novas estimativas do USDA reforçando o cenário de baixa para os preços, com corte para a perspectiva de exportação e estoques finais mais altos para os EUA.
De modo geral, o trigo dos EUA está enfrentando uma combinação de fatores que limita movimentos de ganhos nos preços, sendo um cenário explicado pelos fundamentos de oferta e demanda, condições climáticas, conjuntura geopolítica e concorrência internacional. Os valores FOB (Free On Board, que representa o preço do produto na saída do porto) continuam apresentando vantagem para o trigo russo, dado que o trigo Hard Red Winter (HRW) esta cerca de US$60 por tonelada mais caro.

A temporada de cultivo de Hard Red Spring (HRS) está chegando ao fim nos Estados Unidos. Cerca de 41% das lavouras estão em condições boas/excelentes, bem abaixo do registrado no mesmo período do ano passado (64%). O acompanhamento de safra do USDA apontou ainda que 11% da área já foi colhida. Quanto a colheita da safra de trigo de inverno nos EUA, aproximadamente 87% está concluída.
Na sexta-feira (11), o relatório divulgado pelo USDA destacou um cenário global de oferta e demanda para 2023/24 com uma redução na produção, juntamente com um ajuste negativo no consumo. Os suprimentos devem diminuir em 3,3 milhões de toneladas, com uma produção estimada de 793,4 milhões de toneladas. Isso se deve principalmente à diminuição na produção da União Europeia, China e Canadá, sendo parcialmente compensada por aumentos na Ucrânia e Cazaquistão.
O mercado focou nos dados dos Estados Unidos, com estimativas que exerceram pressão sobre os preços do trigo, já que as perspectivas para a safra de trigo dos EUA em 2023/24 indicam uma redução nas exportações e um aumento nos estoques finais.
As exportações de trigo dos Estados Unidos foram ajustadas em -3,4%, totalizando 19,05 milhões de toneladas na safra 2023/24. Isso ocorreu devido às vendas fracas e ao ritmo lento de embarque do trigo vermelho duro de inverno. Como resultado, os estoques finais aumentaram em 3,9% em comparação com a estimativa anterior, atingindo um total de 16,74 milhões de toneladas.
As vendas semanais de trigo para exportação 2023/24 na semana encerrada no dia 3 de agosto alcançaram volume de 567,6 mil toneladas, cujo principal destino foram as Filipinas. Apesar de estar acima da média, o volume semanal pesou pouco sobre o déficit no acumulado do ano comercial. Cerca de 6,4 milhões de toneladas foram registradas no total, bem abaixo do ano passado, quando nesse mesmo período já haviam sido reportadas 8,6 milhões de toneladas.

Na bolsa MATIF de Paris, o contrato com vencimento em setembro de 2023 registrou um recuo semanal de 4,15%, passando de EUR 247,25/t em 04/08 para EUR 237/t em 11/08.
Além das notícias relacionadas à região do Mar Negro, os agentes estavam focados na divulgação do Relatório de Oferta e Demanda Global (WASDE), divulgado na sexta-feira (11). Para a União Europeia, o Departamento estima que a produção 2023/24 deve ser de 135 milhões de toneladas, mostrando um corte de 3 milhões de toneladas em relação ao estimado em julho, influenciado pelas diminuições na Espanha, Lituânia e Romênia. Ainda assim, a nova safra deve ser 0,6% maior comparada ao ciclo 2022/23.
O lado do consumo para 2023/24 também sofreu reduções de, aproximadamente, 2 milhões de toneladas, sendo projetado um total de 107,50 milhões de toneladas – um recuo de 0,5% ante o ciclo anterior. Por fim, a relação estoque/uso pode ser menor, passando de 9,91% estimado em julho para 9,01% estimado no último relatório, contra os 12,04% projetados para a safra 2022/23. Para mais detalhes, veja o relatório clicando aqui.
Para as atualizações semanais, o acompanhamento da safra francesa realizada pela FranceAgriMer foi atualizado contendo o período de 31 de julho a 06 de agosto. Para o trigo soft, a 31ª semana de levantamento mostrou que as condições muito ruins, ruins, suficientes, boas e excelentes foram de, respectivamente, 1%, 5%, 18%, 73% e 4%. O plantio segue em melhores condições em comparação ao mesmo período de 2022, quando as condições muito ruins, ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em, respectivamente, 2%, 12%, 23%, 60% e 3%.
Para o trigo duro francês, o documento permaneceu indicando que 1% da safra está em condições muito ruins, 5% em condições ruins, 26% em condições suficientes, 57% em condições boas e 10% em condições excelentes. Na comparação anual, o trigo duro também exibe melhora, visto que em 2022 cerca de 2% do trigo duro estava em condições muito ruins, 13% em condições ruins, 30% em condições suficientes, 54% em condições boas e 1% em condições suficientes.

A semana se iniciou com novos registros de ofensivas na região do Mar Negro, influenciando no patamar positivo das cotações de trigo em Chicago. A Ucrânia afirmou que, durante o fim de semana, atacou um navio petroleiro russo no Mar Negro, intensificando o temor relacionado à guerra na região.
À medida em que há uma escalada no conflito entre Rússia e Ucrânia, é comum que o mercado de trigo exiba pontos de suporte. Mais especificamente, os ataques na infraestrutura de cada país são acompanhados com maior atenção, mas, ao mesmo tempo, verifica-se que a alta oferta por parte da Rússia acaba limitando grandes avanços dos preços.
Na quinta-feira (10), a Ucrânia anunciou um novo “corredor humanitário” no Mar Negro, em cooperação com a Organização Marítima Internacional (OMI), tendo como objetivo ser uma rota alternativa aos navios bloqueados na região. No entanto, parte do mercado não acredita que a rota conseguirá manter os embarques de grãos, o que acabou suavizando os movimentos voláteis do mercado no encerramento da semana.
Em relação ao WASDE, o documento trouxe um cenário mais favorável para a produção ucraniana. Os novos números do USDA apontam para um incremento de 3,5 milhões de toneladas para a produção 2023/24, devendo totalizar 21 milhões de toneladas. A motivação para este aumento está na expectativa de maior área colhida, como também ganhos nos rendimentos.
Para o trigo russo, o órgão permanece projetando uma oferta robusta, de 85 milhões de toneladas. As exportações receberam um incremento de 1,1% em relação ao relatório anterior, devendo totalizar 48 milhões de toneladas. Com isso, a relação estoque/uso da Rússia passou de 13,90% estimados em julho para 12,71% estimados agora em agosto. Para mais detalhes, veja o relatório clicando aqui.





