- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativa de maiores estoques finais para a safra 2023/24 dos EUA;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA.
- Ucrânia buscando alternativas para garantir suas exportações
- Fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro;
- Redução na estimativa para a produção 2023/24 do Canadá;
- Condições abaixo da média de 5 anos para a safra de primavera nos Estados Unidos.
O mercado futuro de trigo em Chicago segue pressionado, obtendo pouco avanço para os preços, que obtiveram variação de apenas 0,5% no comparativo sexta contra sexta. De forma geral, o mercado encontra limite para ganhos nos preços, na medida em que as exportações dos Estados Unidos seguem desaquecidas e a Rússia inunda o mercado com ofertas vantajosas.

Os futuros do trigo iniciaram a semana com movimento limitado para os preços, seguindo notícias de que a Ucrânia conseguiu transportar um navio pelo corredor marítimo especial. O navio estava carregado com aço, não grãos, mas é um indicativo de que as exportações na Ucrânia podem ganhar algum fôlego. Por outro lado, é válido lembrar que o governo ucraniano espera uma redução para a área plantada de trigo de inverno na próxima temporada, enquanto a área plantada de canola poderá expandir.
Nos Estados Unidos, o clima continua desfavorável para as lavouras de trigo, apesar do mercado ter expectativas positivas para os rendimentos. O ritmo de exportações lento, menores sinais de riscos geopolíticos da Rússia, incentivaram o maior posicionamento de venda para o trigo na Bolsa de Chicago. O contrato WZ23 se encontra em novas mínimas, com mais 10 mil contratos vendidos. Essa é a maior posição liquidamente vendida dos fundos desde meados de junho.
O Acompanhamento de Safra de Trigo dos Estados Unidos referente até o domingo (27) indicou queda nas classificações do HRS em 1 ponto percentual em termos de condições boas/excelentes, que agora corresponde a 37%. Na média histórica, para o mesmo período, cerca de 69% das lavouras estavam nestas condições. Foram colhidos 54% da safra, índice também abaixo da média histórica, de 63% para o período. O mercado aguarda o relatório mensal de estimativas do USDA para direcionar melhor as expectativas de redução da safra de trigo de primavera dos EUA.
O clima seco nas Planícies do Sul dos EUA reportado pelo monitor de seca do Serviço Nacional de Meteorologia americano, indica que o Texas será o mais atingido em setembro. A previsão de 90 dias estende a probabilidade de seca para o trimestre setembro-outubro-novembro, o que pode gerar problemas para uma safra recém-plantada. A umidade é importante para a germinação e, posteriormente, para o estabelecimento antes da dormência.
No Canadá, o clima também causa preocupação. A StatsCan divulgou sua atualização das estimativas de produção e mostrou que espera uma produção de 29,5 milhões de toneladas, isso representaria um declínio anual de mais de 14%, se concretizado. Tal estimativa é significativamente menor que a reportada pelo USDA, de 33 milhões de toneladas. Essa mudança pode ocorrer dada a produção muito menor de trigo duro e de primavera, que está parcialmente compensada por um aumento na produção de trigo de inverno.
No mercado dos EUA, entre os dias 25 e 31 de agosto, as vendas líquidas de trigo 2023/24 alcançaram 329 mil toneladas, aumentando a defasagem em relação ao ano passado. Dessa maneira, continua sendo um fundamento de demanda que cria limites para movimentos de alta nos preços. Além disso, a Rússia continua a oferecer trigo a preços vantajosos, se colocando a disposição para reduzir o preço quando for diretamente contratada.

Na bolsa MATIF de Paris, o contrato com vencimento em dezembro de 2023 registrou uma baixa semanal de -0,3%, passando de EUR 235,25/t em 25/08 para EUR 234,50/t em 01/09.
O mercado europeu segue influenciado pelas estimativas do Boletim Mars, as quais indicaram rendimentos para o trigo soft total da União Europeia menores do que o projetado anteriormente. Segundo o Boletim, o cereal pode enfrentar uma deterioração em sua qualidade devido aos diferentes eventos climáticos observados durante o mês de julho e meados de agosto.
O maior volume de chuva contribuiu para atrasos nas colheitas de inverno e de primavera, principalmente na região noroeste da França e em partes da Alemanha. Entretanto, outras regiões da Europa experimentaram clima oposto, com severas ondas de calor no mesmo período. Com isso, o órgão afirmou que as safras de verão no sul e leste da Romênia, na Polônia e na Bulgária foram afetadas.
A estimativa atual para o rendimento do trigo soft europeu são de 5,78 toneladas/hectare. O MARS destaca que o monitoramento da safra deve continuar pois a perspectiva pode sofrer mudanças.
O acompanhamento da safra francesa realizada pela FranceAgriMer não trouxe grandes mudanças em relação a semana anterior. O trigo duro francês, que permaneceu com 1% em condições muito ruins, 5% em condições ruins, 26% em condições suficientes, 57% em condições boas e 10% em condições excelentes. O grão exibe melhora na comparação anual visto que, em 2022, cerca de 2% do trigo duro estava em condições muito ruins, 13% em condições ruins, 30% em condições suficientes, 54% em condições boas e 1% em condições suficientes.

As tensões do conflito entre Rússia e Ucrânia continuam e o mercado foca na confiabilidade dos abastecimentos do Mar Negro, com as autoridades ucranianas trabalhando em soluções para fornecer seguros aos navios que usam seus portos.
E mudanças na perspectiva dos demais players no comércio internacional podem afetar a importância do Mar Negro. Na França, o Ministério da Agricultura elevou sua estimativa de produção de trigo, principalmente devido a um aumento projetado no rendimento, que passou de 7,34 ton/h para 7,47 ton/h. A Índia está considerando cortar o imposto de importação de trigo, o que pode favorecer as importações de trigo da Rússia e da UE. Essa conjuntura somada ao padrão sustentado recentemente para o novo valor mínimo FOB na Rússia, de 250 USD/ton, reforça a presença do país no comércio.
No cenário geopolítico, o Kremlin está cético quanto às promessas dos EUA de proteger suas exportações de alimentos em um possível acordo de cereais. Houve progresso em discussões relacionadas à segurança, como a ausência de explosivos nos telhados do reator de Zaporizhzhia. A Ucrânia expressou preocupações sobre a densidade das minas russas e minimizou as expectativas de uma contra-ofensiva.
Por fim, a China planeja enviar um enviado especial à cúpula de paz em Jeddah, na Arábia Saudita, buscando encerrar o conflito entre a Ucrânia e a Rússia, enquanto Kiev busca apoio para seu plano de paz antes de uma cúpula maior no outono. A situação global continua tensa e em constante evolução.






