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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Mercado de trigo não encontra espaço para ganhos nos preços e oferta russa segue como fator limitante
 
 
Fatores baixistas
  • Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
  • Estimativa de maiores estoques finais para a safra 2023/24 dos EUA;
  • Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA.
  • Ucrânia buscando alternativas para garantir suas exportações
Fatores altistas
  • Fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro;
  • Redução na estimativa para a produção 2023/24 do Canadá;
  • Condições abaixo da média de 5 anos para a safra de primavera nos Estados Unidos.

 

 

 

 
Estados Unidos

Existe pouco espaço para o mercado futuro de trigo encontrar ânimo. Entretanto, recentes ajustes em estimativas para o Canadá e Austrália e condições da safra da Argentina geram algum temor sobre possível aperto na oferta destes países. Apesar disso, há um limite explicito para o movimento nos preços, dado que a Rússia tem uma oferta robusta no mercado internacional e o cenário financeiro da economia global segue de aversão ao risco. 

Intraday | Preço para o contrato de Dezembro/23– Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

 

Os futuros do trigo iniciaram a semana com manchetes sobre a região do Mar Negro movimentando o mercado. A consultoria russa Sovecon aumentou sua estimativa de trigo russo para a safra 2023/24 em 0,5 milhão de toneladas, atingindo 48,6 milhões. A previsão do USDA foi de 48 milhões de toneladas no relatório de agosto. 

Os contratos de trigo começam a ponderar preocupações com as safras da Argentina, Canadá e Austrália. Na Argentina, os sinais são dados pelas chuvas escassas em toda a área agrícola, junto aos eventos de geada e as ondas de calor, que continuam impactando as lavouras de trigo em estágios avançados. Com isso, 23% da safra se encontra em condições de cultivo entre regular e ruim, de acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

A Austrália reduziu sua previsão de produção de trigo em 800 mil toneladas, para 25,4 milhões de toneladas, ajuste de -36% em relação ao ano passado, à medida que o tempo seco impacta os rendimentos. A justificativa é encontrada nas áreas com escassez de chuva e umidade do solo abaixo da média. Além disso, se espera mais tempo seco devido ao fortalecimento do El Niño.

No Canadá, a produção de trigo obteve queda de 14,2% para 2023 em comparação com 2022, de acordo com a pesquisa da Statistics Canada, devido a condições climáticas semelhantes as relatadas para a Argentina e Austrália. A estimativa de produção atual é de 29,5 milhões de toneladas. Para o USDA, a expectativa é de um volume de 33 milhões de toneladas. 

Além disso, se deve acompanhar atentamente o ritmo da semeadura do trigo de inverno nos Estados Unidos, etapa que começou nas planícies e teve os primeiros indicativos no relatório de terça-feira (5) do USDA. Devido à seca nas lavouras, o primeiro dado indicou que apenas 1% da área estimada está com trigo em solo.

Por outro lado, o tempo seco está contribuindo para a colheita do trigo de Primavera nas Planícies do Norte, sinalizando uma conclusão do cultivo. O relatório de Acompanhamento de Safra indicou que 74% da safra foi colhida até dia 3 de setembro.

No mercado dos EUA, entre os dias 1 e 8 de setembro, as vendas líquidas de trigo 2023/24 alcançaram 370 mil toneladas, aumentando a defasagem em relação ao ano passado. Dessa maneira, continua sendo um fundamento de demanda que cria limites para movimentos de alta nos preços. Além disso, a Rússia continua a oferecer trigo a preços vantajosos e a possibilidade de uma safra maior gera força de pressão sobre os preços, limitando movimentos mais amplos.

Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
União Europeia

Na bolsa MATIF de Paris, o contrato com vencimento em dezembro de 2023 registrou uma modesta alta semanal de 0,3%, passando de EUR 235,25/t em 01/09 para EUR 236,00/t em 08/09.

Os preços do trigo na Europa caminham em movimento limitado por um euro mais forte e pela concorrência contínua do trigo russo e ucraniano. A oferta de trigo da União Europeia enfrenta uma pressão intensa por parte do excedente russo que é concorrente no mercado global. Um exemplo vendo sendo a mudança na demanda do Marrocos e outros países do Norte de África, que são importantes compradores de trigo da União Europeia, mas estão adquirindo cada vez mais trigo da Rússia.

A Comissão Europeia proibiu as exportações de grãos ucranianos para cinco dos seus vizinhos na Europa Oriental, justificando que os suprimentos estavam prejudicando os preços locais. Essa proibição está programada para expirar em 15 de setembro, embora pareça provável que seja renovada.

O acompanhamento da safra francesa realizada pela FranceAgriMer não trouxe grandes mudanças em relação a semana anterior. O trigo duro francês, que permaneceu com 1% em condições muito ruins, 5% em condições ruins, 26% em condições suficientes, 57% em condições boas e 10% em condições excelentes. O grão exibe melhora na comparação anual visto que, em 2022, cerca de 2% do trigo duro estava em condições muito ruins, 13% em condições ruins, 30% em condições suficientes, 54% em condições boas e 1% em condições suficientes.

Intraday | Preço contrato Dez/23– Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
Mar Negro

As Nações Unidas estão considerando conceder à Rússia acesso de volta à rede bancária global SWIFT caso o país concorde em renovar as negociações para reiniciar as garantias de passagem segura de carga de cereais no Mar Negro.

Por outro lado, a Ucrânia opõe-se às negociações propostas, uma vez que continua a rechaçar os ataques russos isentos de punição internacional. O governo ucraniano acredita que o levantamento das sanções da Rússia em troca da passagem segura dos seus fornecimentos de cereais não será uma vantagem estratégica favorável enquanto houver o combate em seu território.

De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, Oleg Nikolenko, a retirada das sanções contra a Rússia em troca da retomada do acordo Iniciativa de Grãos seria uma vitória para a “chantagem alimentar russa” e reforçaria o poder geopolítico do país.

Pelo lado da demanda, o Egito comprou 480 mil toneladas de trigo russo num acordo privado no final da semana passada, com preços mais baixos do que nos leilões tradicionais, USD 270/ton, juntamente com 60 mil toneladas de trigo búlgaro a um preço semelhante.

A SovEcon, consultoria russa, estima que as exportações russas de cereais em agosto atingiram 6,1 milhões de toneladas. O volume conseguiu ser maior do que o visto em julho, da ordem de 5,6 milhões de toneladas.

Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
Trigo nos mercados futuros de Chicago e Kansas
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10 de agosto – Os mercados globais de commodities e a economia permanecem em risco em meio a duas guerras nesta manhã. As tensões continuam a escalar tanto no Oriente Médio quanto no Mar Negro – ameaçando arrastar outros países para os conflitos. As ações estão em leve queda nesta manhã à medida que iniciamos uma semana de negociações na qual veremos dados-chave de inflação e vendas no varejo após um relatório de empregos fraco na última sexta-feira. Ainda assim, as ações continuam a ser negociadas logo abaixo dos níveis recordes, com o VIX sendo negociado perto das mínimas de 2026, logo acima de 15. O dollar index está sendo negociado perto de 99,7. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,68%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,23%. Os mercados de energia e de alimentos estão mais firmes hoje em meio aos riscos elevados. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 80, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 85 por barril. Ganhos de dois dígitos nos mercados de trigo de inverno lideram a alta dos preços de grãos e oleaginosas.

Arlan Suderman
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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

Mike Castle
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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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