- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativa de maiores estoques finais para a safra 2023/24 dos EUA;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA.
- Ucrânia buscando alternativas para garantir suas exportações
- Fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro;
- Redução na estimativa para a produção 2023/24 da Argentina, Austrália e Canadá;
- Condições abaixo da média de 5 anos para a safra de primavera nos Estados Unidos.
O mercado futuro de trigo se mantém dentro do patamar de preços histórico para o período do ano, oscilando entre 500 e 600 USD cents/bu. Desde o início do ano, o trigo luta para encontrar uma amplitude maior de movimento dos preços, mas esbarra nos fundamentos de oferta e demanda. A Rússia tem uma oferta confortável no mercado internacional, servindo como régua para os preços, e o cenário financeiro da economia global segue de aversão ao risco.

A semana começou com o trigo ganhando destaque no relatório de estimativas de oferta e demanda do USDA, que como já vinha sendo sinalizado nos Semanais de Trigo recentes, não tardaria a fazer ajustes nas safras de importantes players.
As condições climáticas ao redor do mundo mais uma vez impactam lavouras de trigo e o USDA ponderou isso, reduzindo projeções para a safra de trigo da Argentina, que caiu 1 milhão de toneladas; da Austrália, com corte de 3 milhões e do Canadá, 2 milhões. A única safra que obteve ajuste positivo foi da Ucrânia, que teve um aumento de 1,5 milhão de toneladas.
Apesar dos ajustes no volume esperado para a produção destes países, a preocupação com a oferta ainda não é um problema no curto prazo, dado que o cenário é de oferta russa muito confortável, inundando o mercado internacional e pressionando os preços na Bolsa de Chicago. A Rússia mantém seu desconto de US$70/tonelada em relação ao trigo HRW dos EUA, criando um cenário de baixa competitividade de preços.
Uma melhor perspectiva para as condições do clima nas lavouras de trigo de inverno nos Estados Unidos, somada a exportação ainda fracas e a falta de maiores desdobramentos do conflito no Mar Negro, levam a um cenário de poucas novidades para o cereal.
No mercado dos EUA, entre os dias 8 e 14 de setembro, as vendas líquidas de trigo 2023/24 alcançaram 438 mil toneladas, um pouco acima do volume reportado para o mesmo período do ano passado. Dessa maneira, continua sendo um fundamento de demanda que cria limites para movimentos de alta nos preços, dado o fluxo desaquecido.

Na bolsa MATIF de Paris, o contrato com vencimento em dezembro de 2023 registrou uma baixa semanal de 3,5%, passando de EUR 235,25/t em 08/09 para EUR 243,50/t em 15/09.
A consultoria Strategie Grains estimou um corte robusto para as exportações de trigo soft da União Europeia, indicando um início lento da temporada dado o cenário pouco competitivo em relação ao trigo russo, assim como sinalizado para o trigo dos EUA.
Em seu relatório mensal, a consultoria anunciou que aguarda exportações de trigo soft na ordem de 30,1 milhões de toneladas nesta temporada, uma queda de 700 mil toneladas em relação à previsão de agosto e bem abaixo das exportações de 2022/23, de 32,3 milhões de toneladas.
O acompanhamento da safra francesa realizada pela FranceAgriMer não trouxe mudanças em mais uma semana. O trigo duro francês, que permaneceu com 1% em condições muito ruins, 5% em condições ruins, 26% em condições suficientes, 57% em condições boas e 10% em condições excelentes.

A retomada do acordo Iniciativa de Grãos entre Rússia e Ucrânia volta a ocupar as manchetes. Apesar disso, os meios para que se concretize o transporte de cargas pelo Mar Negro ainda parecem distantes, a Ucrânia afirma que se opõe à ideia de conceder à Rússia alívio nas sanções em troca de um acordo.
A Ucrânia informou que embarcou 470 mil toneladas de grãos na primeira semana de setembro, contra cerca de 1 milhão de toneladas há um ano. Mesmo com um volume consideravelmente menor, o governo ucraniano se posiciona contrário a retomada do acordo sem uma responsabilização russa pelos danos e sem uma garantia do fim do conflito.
Para a Rússia, a renovação do acordo de grãos do Mar Negro ocorrerá "no mesmo dia" em que as condições para a exportação de seus próprios grãos e fertilizantes para os mercados globais forem atendidas. O HRW dos EUA permanece US$70 acima do FOB russo e o SRW dos EUA segue competitivo em relação ao francês no hemisfério ocidental, mas perde quando considerado o frete no leste.






