- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA;
- Ucrânia encontra alternativas para garantir suas exportações.
- Redução na estimativa da área plantada de trigo argentino;
- Projeção de cortes para a produção 2023/24 da Argentina, Austrália e Canadá.
O mercado futuro de trigo obteve mais uma semana estável, em um cenário com poucas mudanças, mas de alertas que vem se tornando frequentes. Algum ânimo poderá ser encontrado caso o monitoramento do clima em regiões produtoras continue com condições adversas, em especial no caso da Argentina, Austrália e Canadá. Dessa maneira, o trigo se mantém em patamar historicamente baixo, em um mês de setembro com fechamento de -6% em relação ao mês anterior.

Os embarques para exportação de trigo dos EUA permanecem baixos, com apenas 450 mil toneladas carregadas na semana passada, contra 590 mil toneladas na mesma semana no ano passado. Os valores do trigo vermelho de inverno (HRW) continua em desvantagem em relação à Rússia, não conseguindo ser competitivo. O HRW está US$ 60/ton acima do trigo russo no momento.
O plantio de trigo nos EUA avança, embora os agricultores esperem por mais chuva nas planícies para ajudar na germinação e no desenvolvimento inicial da cultura. De acordo com o Acompanhamento de Safra do USDA, cerca de 26% das lavouras de trigo de inverno previstas foram plantadas, pouco abaixo da média de 29%.
O Monitor de Secas dos EUA, indica que a umidade do solo no sul das Planícies melhorou significativamente em relação à posição de um ano atrás. Isso pode ser um sinal positivo de que a safra estará em melhores condições para a fase de dormência este ano.
No mercado dos EUA, entre os dias 22 e 28 de setembro, as vendas líquidas de trigo 2023/24 alcançaram 540 mil toneladas, contribuindo para diminuir o déficit em relação ao volume acumulado do ano passado para 900 mil toneladas. A Rússia ainda tem dois preços no comércio internacional, um para licitações abertas e outro para negociações privadas. Se o país focar em reduzir os preços no mercado aberto novamente, isso poderá reduzir o volume de vendas dos EUA novamente.

Na bolsa MATIF de Paris, o contrato com vencimento em dezembro de 2023 registrou uma variação semanal de 0,1%, passando de EUR 235,25/t em 22/09 para EUR 235,50/t em 29/09.
A Comissão Europeia continua a favor da retirada das restrições para importação de commodities de origem ucraniana, dado que as distorções do mercado entre os países não são ponderadas como um problema atual para os preços domésticos. Entretanto, Polônia, Hungria e Eslováquia irão prolongar as proibições nos seus países, ao julgarem o momento ainda como de risco para o nível de preços interno.
De acordo com a Comissão Europeia, a projeção para a produção de trigo mole foi reduzida em 125,3 mil toneladas, alcançando 126,1 milhões de toneladas. As importações também foram ajustadas, com aumento de 2,5 milhões de toneladas, em um volume esperado total de 6,5 milhões de toneladas, ainda abaixo do esperado pelo USDA.
O ritmo das exportações segue lento, com o volume acumulado de trigo mole desde 1º de julho equivalente a 6,88 milhões de toneladas, abaixo dos 9,42 milhões de toneladas do ano anterior para o mesmo período.
O Egito comprou 170 mil toneladas de trigo da União Europeia para embarque em novembro, de origem da Romênia e Bulgária. Essa licitação, em especial, chamou a atenção do mercado, uma vez que a Rússia não foi a fornecedora escolhida.

A Rússia atingiu novamente instalações portuárias da Ucrânia, causando danos a instalações de exportação e caminhões de grãos.
A Tunísia procura 100 mil toneladas de trigo mole, com a sua oferta mais baixa ligeiramente abaixo 275 dólares/tonelada C&F, mas as ofertas são fracas devido à ausência de empresas russas – elas parecem estar prejudicadas pelo preço mínimo de exportação russo não oficial negociado de forma privada.
O Egito está supostamente em negociações para comprar um milhão de toneladas de trigo da Rússia através de um acordo entre governos. A parte desta negociação, comprou 170 mil toneladas de trigo da União Europeia para embarque em novembro, de origem da Romênia e Bulgária.
A Ucrânia continua carregando alguns navios e realizando o transporte de cargas pelo corredor temporário. Embora não tenha nenhum acordo de grãos com a Rússia, as exportações tem fluído pelo Mar Negro, mas seu monitorado segue observado pelo mercado, que absorve o movimento em meio a um cenário baixista para o cereal.
As ofertas FOB da Rússia permanecem vantajosas em relação ao trigo dos EUA, sem indicativos que a relação entre os preços FOB se alterem no médio prazo.






