- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA;
- Ucrânia encontra alternativas para garantir suas exportações.
- Redução na estimativa da área plantada de trigo argentino;
- Projeção de cortes para a produção 2023/24 da Argentina, Austrália e Canadá.
Na semana passada, as cotações do trigo em Chicago terminaram o período em alta, mas variaram bastante entre as sessões diárias. O vencimento para dezembro encerrou a sexta-feira (dia 06) em 568,25 cents por bushel, alta de 4,9% no período.
A semana começou com o trigo em recuperação após as consideráveis quedas em setembro. A posição vendida expressiva dos fundos especulativos (Managed Money) ajuda a explicar a baixa na última semana de setembro.
Quanto à safra norte-americana, o plantio da safra de inverno caminha em ritmo normal para o período, tendo alcançado 40%, contra a média de cinco anos em 43%.

Pelo lado da demanda, as vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 28/09 alcançaram 273,1 mil toneladas, volume no piso das estimativas, que iam de 250 a 600 mil toneladas. No acumulado, as negociações de trigo da safra 2023/24 alcançam 9,4 milhões de toneladas, abaixo do alcançado nessa mesma semana de 2022, em 10,9 milhões. Destaca-se, contudo, que as estimativas do USDA esperam que as exportações do ciclo 2023/24 sejam 1,6 milhão de toneladas mais baixas que na temporada anterior.
O trigo norte-americano continua encontrando dificuldade em competir com a oferta russa. O Ministério da Agricultura russo espera que a produção do país no ciclo 2023/24 alcance 90 milhões de toneladas, enquanto o número do USDA está em 85 milhões.
As preocupações com o conflito no Mar Negro foram renovadas após um navio turco ter atingido uma mina marítima perto de um porto ucraniano. Detalhes revelados depois indicaram que esse navio estava fora do corredor que vem sendo utilizado para os embarques ucranianos. De qualquer forma, essa ocorrência ofereceu suporte às cotações, mas que voltaram a cair na sexta-feira (dia 06), com a percepção que nada mudaria em relação às condições atuais dos embarques ucranianos.

Na bolsa MATIF de Paris, o contrato com vencimento em dezembro de 2023 registrou um recuo de 0,3% no comparativo semanal, passando de EUR 235,5/t em 29 de setembro para EUR 234,75/t em 6 de outubro.
Segundo dados da Comissão Europeia, as exportações de trigo soft da UE totalizaram 191,6 mil toneladas na semana encerrada em 1º de outubro, um volume 59,1% menor que o observado uma semana antes e 45,9% abaixo do registrado na mesma semana de 2022. A queda verificada nos embarques pode ser atribuída à fraca demanda e aos preços mais baratos de outras origens. Os embarques acumulados na temporada 2023/24 do Bloco chegaram a 7,4 milhões de toneladas, contra 9,8 milhões no mesmo período de 2022/23.
Por outro lado, as importações da União Europeia apresentaram avanço. Na semana encerrada em 1º de outubro, 180,7 mil toneladas de trigo soft foram importadas pelo Bloco, 12% a mais que uma semana antes, mas 23% a menos que na mesma semana do ano passado. Com isso, as importações acumuladas totalizaram 2 milhões de toneladas na data em questão, volume 52,3% maior que o registrado no mesmo período da safra passada.
Em meados de setembro, a UE havia suspendido as restrições para a importação de commodities de origem ucraniana, o que, em um primeiro momento, não havia sido bem aceito pela Polônia, Hungria e Eslováquia, que optaram pro prolongar as proibições de forma unilateral. Contudo, no último dia 3 de outubro, Polônia e Ucrânia declararam um acordo para acelerar a circulação de cereais ucranianos, com o trânsito dos produtos sendo feito pela Lituânia, que se responsabilizaria também pelas inspeções.

Logo no início da semana passada, surgiram novos relatos de que a Ucrânia iria embarcar mais 5 navios com grãos, após os sucessos das duas iniciativas anteriores. Ao longo da semana, Kiev seguiu desafiando a Rússia e, até o final da semana passada, a marinha ucraniana já havia anunciado 12 navios prontos para entrar no corredor temporário criado para o transporte de grãos no Mar Negro.
Outro assunto que chamou a atenção na semana anterior foi um navio turco ter sido atingido por uma mina próximo de um dos portos da Ucrânia. Apesar das especulações iniciais, os detalhes que surgiram posteriormente indicavam que a mina estava fora do corredor temporário criado pela Ucrânia e que a embarcação não fazia parte dos 12 navios destinados ao transporte de grãos. Além disso, os relatos indicaram que os danos ao navio turco não foram graves e que a operação não foi interrompida. Ademais, até o momento, os navios ucranianos que estão transportando grãos o fizeram sem interrupção pela Rússia.
Por outro lado, por mais que o fluxo de grãos pelo corredor temporário venha ocorrendo sem interrupções, a guerra ainda traz incertezas para a disponibilidade do cereal. Na sexta-feira, 6 de outubro, a Ucrânia relatou que ataques feitos por drones danificaram infraestruturas portuárias do porto de Reni, no Rio Danúbio. A continuidade dos ataques russos aos portos da região são motivo de preocupação, visto que a rota de exportação através do Rio Danúbio tem sido crucial para o escoamento dos grãos ucranianos desde o fim do acordo para a exportação de grãos pelo Mar Negro.






