- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA;
- Ucrânia encontra alternativas para garantir suas exportações.
- Afastamento de frota russa da região da Crimeia.
- Redução na estimativa da área plantada de trigo argentino;
- Projeção de cortes para a produção 2023/24 da Argentina, Austrália e Canadá;
- Vendas de exportação mais aquecidas na semana, com registro de negociações com a China.
Na semana passada, marcada por novos dados de oferta e demanda do USDA, o valor do trigo em Chicago registrou uma alta de 2%, com o vencimento para novembro alcançando 579,75 cents por bushel no fechamento da última sexta-feira (13/out). Destaca-se que os contratos CBOT operaram boa parte da semana em queda, recuperando as perdas no final do período.

Boa parte do movimento altista observado na sexta-feira reflete o alto volume de vendas de exportação dos EUA. O Relatório de Vendas de Exportação do USDA trouxe à tona a informação de que o país vendeu cerca de 652 mil toneladas na semana encerrada em 05/out. A China foi responsável por 220 mil toneladas negociações, fato que impulsionou os preços, num momento de ampla oferta e competitividade favorável do cereal russo.
A competição com o trigo de origem russo continua presente, tendo sido ressaltada no período com o fechamento de um acordo de venda privada entre Egito e Rússia no volume de 480 mil toneladas. O fato lança luz para o encarecimento do trigo estadunidense, afetado principalmente por uma valorização do dólar, o que faz com que os importadores busquem outras fontes de importação.
Além disso, a semana também foi marcada pelo Relatório de Oferta e Demanda do USDA. O reporte trouxe perspectivas de maior produção e consumo doméstico do trigo nos EUA. A melhora na produção, puxada por um aumento na produtividade configurou um fator baixista nos preços, destacando que as exportações ficaram inalteradas dentro da já citada tendência de diminuição da competitividade internacional das commodities norte-americanas, com a estimativa de estoques finais avançando.

Segundo dados da Comissão Europeia, as exportações de trigo soft da UE totalizaram 8,1 milhões de toneladas entre o início da temporada 2023/24 (1º de julho de 2023) e o dia 8 de outubro, volume 22,8% menor que no mesmo período da safra passada. Em meio a uma demanda ainda enfraquecida e uma competição acirrada com o trigo russo, mais barato atualmente, as exportações do cereal pela UE seguem enfraquecidas.
Por outro lado, as importações têm se mostrado mais expressivas. Até o dia 8 de outubro, o Bloco havia importado 2,3 milhões de toneladas de trigo soft, volume 51,6% maior que no mesmo período de 2022/23. Apesar disso, é possível que haja uma desaceleração do ritmo de importações nas próximas semanas, visto que Polônia, Hungria, Eslováquia e Moldávia mantiveram restrições unilaterais para a importação de produtos agrícolas ucranianos, incluindo o trigo. Apesar de a Polônia seguir com as barreiras com a justificativa de que são necessárias para proteger os agricultores locais, no início do mês, o país, juntamente com Ucrânia e Lituânia, chegou a um acordo para facilitar a circulação de cereais ucranianos para outros países, transferindo as inspeções do produto para um porto da Lituânia.

Do ponto de vista geopolítico, a informação de que a Russia recuou parte de sua frota marítima da Crimeia para regiões mais distantes do conflito parece esboçar uma melhora nas condições de exportação pelo corredor que está sendo usado na região para o transporte de grãos no Mar Negro. Isso pode favorecer um aumento do nível de embarques pela Ucrânia. Ainda assim, novos dados sugerem até aqui um nível de exportações mais baixo em comparação ao ano passado para o país.
Além dessa, não houve muitas novas notícias de impacto relacionadas ao conflito no Mar Negro que pudessem fazer preço nos mercados de grãos.
Os próprios dados do USDA sugerem poucas novidades no que se relaciona à oferta de trigo da região do Mar Ngro, com o dado mais chamativo sendo um aumento na estimativa de exportação por parte da Rússia de 2% (+1 mi de toneladas). O aumento se relaciona à oferta elevada e aos preços competitivos do país, mesmo com a queda nos preços do trigo norte-americano que vem sendo observada nos últimos meses.
Além disso, novos dados da situação climática ucraniana sugerem problemas na safra corrente. O Ministério de Agricultura do país indica que apenas 2,35 milhões de hectares de trigo de inverno foram plantados até agora, o que representa por volta de 54% da área estimada. O dado representa um ritmo de plantio um pouco mais lento do que a média e está relacionado a uma situação de um clima mais seco na região do Mar Negro.






