- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA;
- Ucrânia encontra alternativas para garantir suas exportações.
- Ocorrência de chuvas em áreas da Austrália e da Argentina.
- Redução na estimativa da área plantada de trigo argentino;
- Projeção de cortes para a produção 2023/24 da Argentina, Austrália e Canadá;
- Vendas de exportação dos EUA mais aquecidas pela segunda semana consecutiva.
As cotações do trigo em Chicago terminaram a semana passada no campo positivo, com o mercado equilibrando a disponibilidade de trigo russo e as preocupações com a safra do cereal em outros players relevantes. O vencimento para dezembro finalizou a sexta-feira (dia 20) em 586 cents por bushel, alta de 1,08% na semana.
O trigo russo continua mais competitivo que o cereal dos EUA, com descontos ao redor de USD 70/tonelada, o que pesa sobre os preços, uma vez que a Rússia é o maior exportador mundial. Assim, os EUA acabam vendo sua participação em leilões de compra, como os do Egito, ficar mais limitada

Por outro lado, as vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 12/10 vieram em 632,8 mil toneladas, superando consideravelmente as expectativas do mercado, que iam de 200 a 400 mil toneladas e acima de 600 mil toneladas pela segunda semana consecutiva. Esse bom resultado colocou o ritmo de negociação acima do necessário para se atingir a estimativa de exportações do ciclo 2023/24. Novamente, foi a surpresa com compras chinesas, em 182 mil toneladas, que garantiram o bom resultado semanal.

Ainda nos EUA, o plantio da safra de inverno alcançou 68% no dia 15/10, nível em linha com a média de 5 anos para essa mesma semana. As expectativas são de que o plantio seja finalizado dentro da janela, sem maiores problemas.
Na Argentina e na Austrália, houve o registro de chuvas benéficas nos últimos dias. Mesmo assim, na Austrália, o acumulado de precipitações desde 01/09 está em 50% ou menos do normal. Na Argentina, há previsões de boas chuvas nos próximos 10 dias.
No Brasil, destaca-se que a StoneX cortou a estimativa de produção de trigo no ciclo 2023/24, que ficou em 10,5 milhões de toneladas, recuo de 5,9% frente a setembro. Com isso, essa nova previsão já não configura um recorde para o país, diante das questões climáticas no Sul, afetando a qualidade e a produtividade das lavouras.
As preocupações com o resultado da safra são maiores no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, em comparação ao Paraná, onde os problemas estão concentrados nas áreas ao sul do estado. De qualquer forma, há previsão de chuva volumosa em algumas áreas nas próximas semanas, o que pode levar a novos ajustes negativos na safa brasileira.
Conforme dados publicados pela Comissão Europeia, a UE exportou 184,4 mil toneladas de trigo soft na semana encerrada em 15 de outubro. A demanda ainda enfraquecida pelo trigo europeu e a forte concorrência com o trigo russo seguem limitando os embarques do Bloco. As exportações ficaram 61% abaixo das observadas uma semana antes e 67,5% abaixo da média das 10 semanas anteriores. Além disso, o volume registrado foi 77% menor que um ano antes e 65% inferior à média de 5 anos para a semana equivalente. No acumulado da temporada 2023/24 (julho/23 a junho/24), o Bloco embarcou 8,8 milhões de toneladas de trigo soft, contra 11,3 milhões no mesmo período da safra passada.
Por outro lado, ao longo das últimas semanas, a União Europeia vinha apresentado elevados volumes de importação. Entre o início da temporada 2023/24 (1º de julho de 2023) e o dia 8 de outubro, o Bloco havia importado 2,3 milhões de toneladas, 830 mil a mais que no mesmo período de 2022/23. Contudo, como comentado no último Relatório Semanal de Trigo, esperava-se uma desaceleração do ritmo de importações, visto que Polônia, Hungria, Eslováquia e Moldávia mantiveram restrições unilaterais para a importação de produtos agrícolas ucranianos. E foi o que aconteceu. Na semana encerrada em 15 de outubro, a União Europeia importou 96,9 mil toneladas de trigo soft, 65,7% a menos que uma semana antes e 49,9% abaixo da média das 10 semanas anteriores. No comparativo anual, o recuo foi de 44,1%.
Com isso, as importações acumuladas avançaram para 2,4 milhões de toneladas, mas o superávit em relação à temporada anterior recuou de 830 mil toneladas para 752 mil. No curto prazo, espera-se que o volume importado não registre um fortalecimento expressivo, visto que as restrições impostas pelos quatro países citados continuam válidas.

A semana foi marcada por poucas movimentações no cenário geopolítico do Mar Negro. O conflito parece se concentrar agora no entorno da cidade de Avdiivka, ao noroeste de Donetsk. Assim, não foram observados novos danos significativos à infraestrutura de portos e vias de escoamento dentro do território ucraniano, enquanto o corredor marítimo temporário parece dar sinais de efetividade.
Mesmo com essa sinalização positiva para o futuro próximo, novos dados retroativos demonstram uma queda das exportações ucranianas. De acordo com novos dados do Ministério de Política Agrária e Alimentos do dia 18 de outubro, as exportações de trigo durante a temporada safra 2023/24 (julho-junho) ficaram 8,5% abaixo do ano anterior, com 3,99 milhões de toneladas embarcadas até o dia 12 de outubro.
Ainda, durante a última semana, o país exportou 230 mil toneladas, contra 288 mil um ano antes.
Quanto à geopolítica na Rússia, o encontro de Vladimir Putin com Xi Jinping parece ter rendido alguns frutos para o comércio internacional de grãos. Esse fato vem à tona com a assinatura de um acordo de US$ 25,7 bilhões, que englobaria 70 milhões de toneladas de grãos e oleaginosas pelos próximos 12 anos. O estreitamento do comércio sino-russo deve continuar chamando s atenção conforme os países se envolvam conjuntamente na construção de infraestrutura dentro do projeto chinês da Nova Rota da Seda.
O mercado ainda deve olhar com atenção para a situação climática no leste europeu e o possível impacto disso na disponibilidade mundial de trigo. A seca acima do comum na região contribuiu para uma deterioração das condições de safra, principalmente na Rússia, o que levou a algumas ligeiras revisões para baixo das estimativas de produção do país. Do lado da oferta ucraniana, no entanto, os efeitos do fenômeno ainda são analisados, podendo ser até menores. Um dado que traz otimismo nessa direção são as novas informações do Ministério da Agricultura, que informou que o país colheu 22,2 milhões de toneladas de trigo até dia 10 de outubro, 16% a mais no comparativo anual.






