- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA;
- Ucrânia encontra alternativas para garantir suas exportações.
- Aumento da produção russa pelo USDA.
- Redução na estimativa de produção de trigo argentino e brasileiro;
- Preocupações com o clima em outros produtores, como a Índia;
- Preços mais baixos podem atrair compradores.
A semana passada foi de baixa para o trigo nos Estados Unidos, na bolsa de Chicago. O vencimento para dezembro terminou a sexta-feira (dia 17) em 550,75 cents por bushel, queda de mais de 4% no período.
Em relação às exportações norte-americanas, as inspeções estão 1,6 milhão de toneladas atrasadas, quando comparadas ao ano anterior. Seguindo esta tendência, poderia ser esperado que o USDA reduza ainda mais as projeções de embarques do cereal.
O baixo nível dos preços observados na semana estiveram perto de atingir o mínimo histórico dos três últimos anos. Essa tendência de queda pode ser atribuída principalmente ao excesso da oferta fornecida pela Rússia, a baixos preços, com o país terminando a sua segunda grande colheita consecutiva. Desta forma, o cereal norte-americano encontra dificuldade em competir com os grãos mais baratos provenientes do Mar Negro.
As vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 09/11 alcançaram 176,3 mil toneladas, volume abaixo do piso das estimativas do mercado, que iam de 250 a 500 mil. No acumulado, as negociações estão em 11,9 milhões de toneladas.
Em contrapartida, em relação à oferta, diminuições nas projeções para as produções na Argentina e na Austrália poderiam forçar importadores asiáticos a procurar outro lugar para abastecimento nos próximos meses, o que poderia beneficiar os EUA.
Em relação à produção, o plantio da safra de inverno dos EUA alcançou 93% da área total no domingo (dia 12). Ao mesmo tempo, 47% do cereal foi considerado como bom ou excelente, o que significou uma queda de 3 p.p. quando comparado à semana anterior. Mesmo assim, esse nível de qualidade ainda se encontra acima dos 46% registrados na média de cinco anos. Seguidamente, 36% da colheita de inverno foi classificada como razoável e o restante, 17%, como ruim ou muito ruim.
No Brasil, a colheita de trigo vem sendo afetada pela alta umidade no Rio Grande do Sul, que atingiu 89% da área cultivada prevista. Como consequência, são previstas reduções na produtividade. Projeções feitas pela Emater indicam que as perdas estariam em torno de 28,38%, dado que dos 3.021 kg/ha previstos inicialmente, agora se esperam 2.164 kg/ha.
A StoneX também reduziu sua estimativa para a produção de trigo brasileira, que passou de 10,5 para 9,3 milhões de toneladas. Ademais, são esperadas perdas importantes de qualidade, o que deve reforçar as importações brasileiras.


A França também foi afetada por fortes chuvas nos últimos dias, que afetaram tanto o nível de semeadura como de colheita. Em alguns casos, inclusive, há registros de inundações, o que poderá levar os agricultores a realizar trocas para outras culturas. Desta forma, o menor progresso previsto para o plantio no inverno no maior produtor de grãos da União Europeia pode reduzir nos próximos meses as projeções produtivas da região.
O Ministério da Agricultura francês indicou que tinham sido semeados 71% da área esperada, sendo que na mesma época do ano passado essa porcentagem se encontrava em 96%. A safra de trigo anterior alcançou condições boas ou excelentes para 98% da produção, enquanto na atual colheita cerca de 86% se encontram atingindo níveis ótimos de qualidade.

Foi divulgada a publicação do registro oficial dos navios que circularam pelo corredor temporário no Mar Negro, a partir dos portos ucranianos. Com um total de 115 navios que deixaram os portos de Odesa, Chornomorsk e Pivdennyy, foram movimentadas 4,4 milhões de toneladas de carga desde agosto até o momento.
De qualquer forma, um ataque no começo do mês contra um cargueiro civil perto do porto de Odesa despertou a atenção do mercado, aumentando o temor com os futuros os carregamentos da região. Assim, o aumento do risco ajuda a favorecer uma elevação dos preços de exportação na região, bem como a diminuir o ritmo dos embarques. O fato resultou na notícia de terça-feira (14) de que Ucrânia e Grã-Bretanha chegaram em um acordo de descontos de seguros sobre os riscos da guerra na região do corredor; o mecanismo especial envolve 14 seguradoras britânicas. O acordo pode ajudar a viabilizar um maior dinamismo do corredor, cujo funcionamento será vital para a manutenção dos níveis de exportação de grãos por parte da Ucrânia.
As previsões climáticas para a Rússia e a Ucrânia apontam expectativas positivas para as colheitas do trigo de inverno. As novas estimativas vêm na esteira de um clima mais ameno no interior da Ucrânia, além do registro de lavouras mais úmidas que o normal em algumas regiões, principalmente no centro-sul do país.
Segundo traders europeus, uma importante quantidade de 115 mil toneladas de trigo para ração animal foi adquirida pela Coreia do Sul na sexta-feira (dia 17), que possivelmente será comercializada desde a região do Mar Negro.
Seguindo o publicado na semana passada pelo USDA, em relação às perdas causadas pelo excesso de chuva no Cazaquistão, que também influenciou a qualidade dos grãos, foi anunciado que somente entre 45% e 50% da colheita de trigo do país atende aos padrões de qualidade esperados.






