- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA;
- Ucrânia encontra alternativas para garantir suas exportações.
- Aumento da produção russa pelo USDA.
- Redução na estimativa de produção de trigo argentino e brasileiro;
- Preocupações com o clima em outros produtores, como a Índia;
- Preços mais baixos podem atrair compradores.
Os preços do trigo apresentaram tendência de queda numa semana marcada pelo feriado estadunidense de Ação de Graças. Apesar de uma recuperação observada na quarta-feira (dia 22), uma nova queda após a volta da abertura das bolsas (dia 24) mostra que não há grandes modificações no que foi observado nas últimas semanas.
A breve melhora observada ocorreu logo após as notícias na terça-feira (dia 21), de que o porto de Odessa, na Ucrânia, uma das três principais saídas de grãos do país, tinha sido bombardeado. No entanto, após atualizações de que a infraestrutura dos portos não tinha sido danificada, o mercado voltou à tendência apresentada anteriormente.
A diminuição dos futuros do trigo na Bolsa de Chicago (CBOT) chegou a níveis próximos dos mínimos contratuais observados nos dois últimos anos. O plantio do trigo de inverno estadunidense está quase concluído, tendo alcançado 95% do total no domingo (dia 19), e com aproximadamente 48% da produção sendo considerada boa ou excelente (à frente dos 32% da safra anterior).
Também nos EUA, os níveis de precipitações foram dispersos, concentrando-se principalmente no Sul e indo do vale de Ohio para o nordeste, enquanto a temperatura se manteve próxima ou acima do normal. Apesar das condições climáticas terem causado um pequeno atraso nos trabalhos do campo, o plantio do trigo de inverno, está quase concluído.
Ainda nos EUA, as vendas de exportação na semana encerrada em 16/11 alcançaram 171,8 mil toneladas para a safra 2023/24, levando o acumulado para 12 milhões, abaixo do registrado nesse mesmo período do ano passado.


Na União Europeia, o clima seco dos últimos dias se estenderá por mais duas semanas segundo as projeções climáticas. Queda de neve dispersa é esperada na Alemanha e na França, o que poderia afetar os cultivos do trigo.
Nesse sentido, a França continua em destaque, já que se esperam as atualizações do Ministério da Agricultura sobre os impactos do tempo úmido prolongado que deixou os agricultores preocupados. Essa perspectiva de um balanço produtivo mais restritivo para 2024/25, deu apoio à manutenção dos preços na região.
Para a semana que começa, o período de seca é visto como uma oportunidade para os agricultores avançarem no trigo de inverno. Uma das grandes dúvidas do mercado foi justamente se essas condições produtivas afetariam as exportações de trigo. E, efetivamente, segundo os últimos dados oficiais de Bruxelas, houve uma queda de 19% em relação ao ano passado, o que encorajou vendas adicionais de futuros de trigo em Paris, permitindo recordes de posições curtas.
Mesmo diante do ocorrido, é preciso manter a cautela nas análises da oferta local, já que os dados em Bruxelas relacionados à Bulgária, por exemplo, não são atualizados desde setembro. Já o Ministério de Agricultura búlgaro divulgou que as estimativas locais indicam que as exportações de trigo até novembro estariam rondando os três milhões de toneladas, elevando desta forma os patamares de exportações da União Europeia aos níveis observados no ano anterior.

Como já destacado, os ataques ao porto de Odessa, um dos principais centros de escoamento do país, elevaram as preocupações em relação à oferta ucraniana de trigo. Porém, logo após anunciado que as perdas tinham sido em prédios administrativos e não na estrutura portuária em si, o mercado voltou ao normal.
Já localmente, autoridades e produtores da Ucrânia indicaram que esperam perdas na produção, e que compromissos com o trigo poderão não ser cumpridos dada a diminuição na área produtiva. Em sentido contrário, o Ministério de Agricultura da Rússia anunciou que para a safra de 2024-25, espera um aumento de 5% na produção do trigo em relação ao ano anterior.






