- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA;
- Ucrânia encontra alternativas para garantir suas exportações;
- Aumento da produção russa pelo USDA.
- Redução na estimativa europeia, principalmente na França;
- Preocupações com o clima;
- Demoras nos embarques russos.
A semana observou um aumento nos preços futuros do trigo influenciado pelas perdas anunciadas na União Europeia. No entanto, a favorável tendência produtiva na Rússia ainda mantém o nível geral dos preços em níveis mínimos históricos. O vencimento para março em Chicago terminou a sexta-feira (dia 01) em 602,75 cents por bushel (em comparação aos 577,25 cents por bushel da segunda-feira), o que representou um aumento semanal de 4,42%.
No começo da semana, não existiam rumores sobre compras chinesas, mas o USDA apontou que a China fez a sua maior compra de trigo estadunidense em seis semanas. Desta forma, alguns analistas do mercado indicaram que, talvez, as necessidades da China são maiores do que as estimadas pelos setores público e privado. Na semana encerrada em 23/11, as vendas de exportação dos EUA da safra 2023/24 alcançaram 622,8 mil toneladas, acima do teto das estimativas, em 500 mil toneladas.
Assim, com a temporada de comercialização quase na metade e o pico da temporada de compromissos terminando, se espera que no seu último relatório do ano o USDA possa aumentar a estimativa de exportação anual estadunidense. No entanto, é pouco provável que esse aumento afete os valores do trigo nos Estados Unidos, onde o mercado continua tendo o trigo russo como o preferido.
Na Argentina, a Bolsa de Buenos Aires manteve a sua estimativa em 14,7 milhões de toneladas, mas reserva-se o direito de aumentá-la, dado que os primeiros rendimentos mostram que a colheita seria maior do que o esperado.


Foi destaque na semana a discussão sobre se seriam irreversíveis os impactos na França pela plantação tardia. Estando-se perdendo a janela ideal de plantio, alguns analistas consideram que agora o foco estará em projetar a diminuição produtiva. O atraso no principal produtor europeu, além da Alemanha, que enfrentou condições similares, fez com que novas estimativas do mercado indiquem que a diminuição seria de 8 milhões de toneladas.
Desta forma, a diminuição não seria somente pela redução da área plantada, mas também pela perda de produtividade, já que as lavouras francesas, que conseguiram iniciar o plantio nas datas consideras ideais, enfrentaram 26 dias consecutivos de chuvas excessivas.

As perspectivas para o trigo russo continuam apontando para uma produção favorável no país que é o maior exportador mundial.
O impulso das exportações russas tem desempenhado um papel de desacelerador nos preços no mercado mundial de trigo. Só que, ao mesmo, essa posição de grande produtor também exerce pressão para que a Rússia mantenha uma regularidade nas suas exportações. Com alguns atrasos enfrentados na semana, o desafio se encontra em fortalecer os processos logísticos para comercialização.






