- Boas perspectivas para a oferta russa e preços FOB vantajosos em relação à oferta dos EUA;
- Aumento das projeções para a produção estadunidense e as exportações canadenses.
- Redução na estimativa europeia, principalmente na França;
- Aumento na demanda do norte da África.
O ano começou com tendência de baixa para o trigo, que na primeira semana de 2024 fechou com uma desvalorização de 1,88% quando comparado ao fechamento de dezembro/2023.
As boas expectativas para uma oferta folgada influenciaram os preços. Nos Estados Unidos, a primeira semana de janeiro registrou uma quantidade de chuvas de até seis vezes mais que a média nas planícies do sul, além de neve, que garantiram um nível ótimo de umidade no solo.
No Kansas, maior estado produtor de trigo de inverno, 43% dos cultivos estariam em condições boas ou excelentes, já no Colorado, o nível seria de 61%, que segundo o USDA, supera os 50% observados no mesmo período do ano anterior.
Também exerceu pressão nos preços as projeções para as exportações do trigo canadense, que aumentariam 9,4% de maneira interanual na campanha 2023/24, competindo com o cereal norte-americano.


Em sentido contrário ao observado nas Américas, as projeções são de diminuição para o solo europeu. Neste começo de 2024, se estima que a produção apresente uma queda de 1%, totalizando 124,8 milhões de toneladas, causada principalmente pelas condições climáticas adversas que afetaram o plantio no começo do outono na França. Até o momento, a redução interanual na superfície francesa plantada de trigo foi de 2,4%.

O ano começou com tensões na região do Mar Negro. Na primeira semana de janeiro, foram impedidos de entrar para águas turcas dois navios caça-minas britânicos emprestados para os ucranianos. Isso após um navio com bandeira do Panamá ter sido atingido no Mar Negro por uma mina russa, o que despertou o alerta em relação ao transporte de produtos agrícolas ucranianos. Lembrando que, o Estreito Turco foi um dos caminhos escolhidos pela Ucrânia para escoar sua produção numa tentativa de criar seu próprio corredor humanitário, após a saída da Rússia da Iniciativa dos Cereais em julho do ano passado.
No entanto, o conflito entre os dois países não afetou as exportações russas, que continuam abastecendo os mercados internacionais com grãos a preços competitivos. Neste sentido, foi divulgado no começo de janeiro, que as plantações de trigo teriam alcançado os 18,6 milhões de hectares, superiores aos 17,7 milhões de hectares do ano anterior. Desta forma, a produção da Rússia continuaria forte e pressionando os preços.
Para a semana que está começando, se espera neve tanto em solos ucranianos como russos, o que segundo especialistas ofereceria uma cobertura de proteção para o trigo que está hibernando, além de garantir boas condições de umidade. No entanto, um degelo acima da média poderia impactar a produção ucraniana. Historicamente, o trigo de inverno representou cerca de 95% de todo o trigo cultivado na Ucrânia, pelo que as condições climáticas das próximas semanas serão relevantes para a oferta final do país.






