- Boas perspectivas para a oferta russa e preços FOB vantajosos em relação à oferta dos EUA;
- Aumento das projeções para a produção estadunidense e as exportações canadenses.
- Redução na estimativa europeia, principalmente na França;
- Aumento na demanda do norte da África.
Em uma semana marcada por expressiva queda em seu início e por relativa estabilidade no restante dos dias, o futuro do trigo com vencimento em março fechou a sexta-feira, dia 12, com uma variação de -3,25% em relação ao valor de fechamento da semana anterior (dia 05) na CBOT, cotado a 596 cents/bu. Se bem houve uma leve valorização no meio da semana, as quedas no último pregão fizeram os futuros retornarem para um patamar próximo do observado no início do período.
A semana foi marcada pelas atualizações em relação ao nível de neve e chuvas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos. Se bem nas semanas anteriores, o diagnóstico tinha sido de bons níveis de umidade no solo, nos últimos dias grandes tempestades começaram a ameaçar a produção. Nos campos produtivos com boa cobertura de neve, a preocupação é menor, visto ela funcionaria como proteção diante das temperaturas extremas. Porém, nas áreas onde a cobertura de neve é menor, principalmente nas bordas, há risco de perdas mais expressivas de produtividade.
Colaborou para a queda nos preços o último relatório do WASDE do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), onde foram indicadas variações positivas para a produção mundial, estimada agora em 784,91 milhões de toneladas, o que indica uma variação de 0,2% quando comparada ao relatório do mês anterior. Desta forma, apesar das perdas indicadas em algumas regiões produtoras, e do alerta para a produção estadunidense, a perspectiva de uma oferta “confortável” se mantém.
As expectativas de uma oferta “folgada” influenciaram os preços. Nos Estados Unidos, a primeira semana de janeiro registrou uma quantidade de chuvas de até seis vezes mais que a média nas planícies do sul, além de neve, que garantiram um nível ótimo de umidade no solo.
No Kansas, maior estado produtor do trigo de inverno dos EUA, 43% dos cultivos estariam em condições boas ou excelentes. Já no Colorado, o nível seria de 61%, que segundo o USDA, supera os 50% observados no mesmo período do ano anterior.
Também exerceu pressão nos preços as projeções para as exportações do trigo canadense, que aumentariam 9,4% de maneira interanual na campanha 2023/24, competindo com o cereal norte-americano.


Os preços do trigo na União Europeia tiveram uma desvalorização na semana, com o março/24 recuando 2,3%, sendo cotado a 216 euros/tonelada no fechamento da sexta-feira.
No começo da semana foram publicados dados da Comissão Europeia, que indicaram uma queda de 11% das exportações acumuladas de trigo mole na União Europeia desde o início da temporada 2023/24 em relação ao período correspondente do ciclo anterior. Os envios do Bloco foram afetados pela forte concorrência russa, cujo volume foi ligeiramente menor somente por um aumento nos envios franceses para a China.
Os principais exportadores até o momento são Romênia, França e Polônia, que enviaram, respectivamente, 26%, 21% e 15% do toal. Assim, somente esses três países são responsáveis por mais da metade das exportações (somam conjuntamente 62%). Por sua vez, os principais destinos na temporada 2023/24 são Marrocos (14%), Nigéria (10%), Argélia (9%) e Egito (8%), que mostram a importância do mercado no norte da África para o cereal europeu.

No começo da semana, especialistas indicaram como mudanças repentinas nas condições climáticas da Ucrânia continuam afetando as colheitas de inverno. As culturas que se encontram hibernando, principalmente o trigo, poderiam reduzir a sua resistência por mudanças na temperatura e degelos prolongados. Como já se havia lembrado na semana anterior, cerca de 95% de todo o trigo ucraniano é o cultivado no inverno, e uma queda na produtividade poderia afetar a oferta do país, que diminuiu sua superfície produtiva, plantando cerca de 4,2 milhões de hectares (em comparação aos 4,5 milhões de hectares do ano anterior).
Na sua última conferência sobre o tema, as autoridades ucranianas tinham anunciado que se esperava colher até 20 milhões de toneladas do trigo de inverno em 2024. Porém, na sexta-feira (dia 12), o USDA na atualização do relatório WASDE, o USDA fez um movimento inverso, projetando um aumento. Desta forma, a produção ficaria em 23,4 milhões de toneladas (acima das 22,5 milhões de toneladas projetadas em dezembro passado). Desta forma, e dependendo dos acontecimentos climáticos nas próximas semanas, talvez o USDA precise ajustar para baixo o nível produtivo esperado no seu próximo relatório de fevereiro.
Sobre a Rússia, o WASDE também fez um ajuste para cima nas estimativas, para 91 milhões de toneladas (variação mensal de 1,1%). Isto só continua posicionando o país como forte competidor no mercado do cereal, e os valores negociados no Mar Negro continuam definindo o padrão de preços para o comércio mundial de trigo.






