- Boas perspectivas para a oferta russa e preços FOB vantajosos em relação à oferta dos EUA;
- Competição entre os trigos ucraniano, russo e europeu nos leilões.
- Redução na estimativa europeia, principalmente na França;
- Possível aumento na demanda da China.
Em uma semana mais curta nos mercados estadunidenses, que começou com o feriado de Martin Luther King na segunda-feira (15), os preços do trigo não mantiveram direção definida, mas acabaram fechando a sexta-feira (dia 19) em alta. Apesar dos ganhos no fechamento da semana, a desvalorização quando comparado ao fechamento da semana anterior foi de 0,63% (ficando em 593,25 cents/bu frente aos 597 cents/bu da semana retrasada).
Se bem causou uma preocupação inicial com relação a possíveis impactos na oferta, ainda não há formas de medir a variação na produtividade que causaria a onda de frio que atingiu principalmente o Sul dos Estados Unidos. O trigo que se encontra hibernando estaria bem protegido pelas capas de neve, e para os próximos dias são anunciadas temperaturas mais elevadas. Porém, o indicativo dos especialistas é que, caso após o calor e do derretimento das capas de neve, volte novamente uma onda de frio, nesse caso, sim, a produção passará a estar comprometida.
Na atualização dos dados de exportações por parte do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as exportações estadunidenses tiveram principalmente destinos asiáticos como Filipinas, Coreia do Sul, Taiwan e Vietnã. Para as próximas semanas, se espera uma nova retomada de pedidos da China, o que poderia elevar novamente os preços para cima.
Entre um dos fundamentos que pressionaram os preços, está um possível enfraquecimento da demanda. Em uma das notícias que contribuíram para essa tendência, foi confirmado que a Índia, um dos principais exportadores do cereal, deve ter uma colheita recorde de 114 milhões de toneladas, aumentando os estoques internos e reduzindo a necessidade de importação.


Inversamente ao ocorrido nos EUA, na Europa, o fechamento semanal teve uma valorização de 0,81%, encerrando na sexta-feira (dia 19) a 217,75 euros/tonelada (comparado ao fechamento na sexta-feira anterior que foi de 216 euros/tonelada).
As notícias sobre a competição de preços marcaram a semana. Na quarta-feira, foi divulgada uma carta onde um grupo de países composto por Polônia, Romênia, Bulgária, Hungria e Eslováquia, pediram para a Comissão Europeia a inclusão de impostos nas importações do trigo ucraniano, uma vez que os agricultores desses países não estavam conseguindo competir com os preços ucranianos.

Continuando com a temática da competição de preços entre a Europa e a região do Mar Negro, a Ucrânia manteve uma estratégia mais agressiva em relação à diminuição nos seus preços para conseguir obter maior parcela do mercado. No caso da Rússia, os valores do cereal russo permaneceram estáveis na semana, mas o país mostrou que estaria disposto a diminuir seus preços se isso permitir manter a superioridade no volume de exportações. Desta forma, esta competição poderia continuar pressionando os preços para baixo, em um contexto em que já foram atingidos mínimas históricas.






