- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Elevada competitividade do trigo russo e argentino;
- Estoques globais menos apertados, segundo USDA;
- Guerra comercial gera receio entre os compradores de trigo dos EUA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Excesso de chuvas ameaça safra francesa;
- Tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
A última semana foi marcada por uma ligeira valorização dos preços futuros do trigo na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês). Assim, o contrato futuro de maio/25 encerrou a última sexta-feira, 21 de março, cotado em 558,25 cents/bushel, após alta de 0,22%.
A semana se iniciou com estímulos positivos aos preços do cereal em Chicago, em meio a um movimento de desvalorização do dólar frente as outras moedas, tornando os produtos estadunidenses mais competitivos no mercado internacional e gerando, portanto, uma margem para maiores ganhos dos comerciantes.
Além disso, tem circulado sobre o mercado um certo sentimento de preocupação com relação ao clima seco que atinge a região Meio Oeste dos Estados Unidos, importante pela sua contribuição produtiva no país. De acordo com o relatório de acompanhamento de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos, 48% eram classificadas como boas ou excelentes, uma queda de 4 p.p. em relação à semana anterior, mas ainda bem acima do que se observou para o mesmo período do último ciclo produtivo, quando as safras boas ou excelentes eram contabilizadas em 28%.
Por outro lado, os agentes que atuam neste setor ainda demonstram preocupações com relação às tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos a importantes parceiros comerciais, o que tem gerado medidas retaliatórias por parte dos países afetados e pode ter efeitos negativos sobre as exportações do país. No último relatório de exportações semanais, publicado na quinta-feira, 20 de março, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) as expectativas de exportação foram reduzidas, o que acabou gerando sentimento baixista entre os especuladores, que aumentaram suas posições vendidas.


Na União Europeia, os preços futuros do trigo também avançaram, assim como se observou nos Estados Unidos. O contrato futuro de maio/2025 operado na Bolsa de Paris chegou a subir quase 1% ao longo da semana, encerrando a sexta-feira, 21 de março, cotado em 226 cents/bushel. Como consequência do aumento dos preços futuros, observou-se também um aumento dos preços FOB do trigo na região. O principal aspecto que segue se destacando em meio ao mercado de trigo europeu é a demanda externa ainda fraca para o ciclo atual, em relação ao anterior. Este fator e alguns outros têm gerado certo sentimento pessimista entre os agentes que atuam neste mercado.
Além do ritmo de exportações ainda lento, representando recuo de 35% em comparação com o mesmo período do último ano, o mercado do mar negro vem apresentando um ritmo de atividades superior ao observado em países da União Europeia, demonstrando que Rússia e Ucrânia têm mantido suas vantagens competitivas em relação aos concorrentes na Europa.
Além disso, o mercado ainda deve estar atento às atualizações sobre a guerra comercial, iniciada pela imposição de tarifas dos pelos Estados Unidos contra seus parceiros comerciais, incluindo a União Europeia. Nesse sentido, o adiamento de potenciais tarifas sobre o milho dos Estados Unidos pode ter implicações indiretas para outros grãos, incluindo o trigo, devido à competitividade entre os produtos, dentro do mercado da União Europeia.

Na região do Mar Negro, os preços FOB também se elevaram um pouco na última semana, possivelmente em razão da redução dos impostos de exportação do trigo, pelo governo russo, concedendo alguma margem para ganhos por parte dos comerciantes. No entanto, apesar das atualizações, o comércio na região foi descrito como moderado, com alguns integrantes do mercado relatando a ausência de vendedores ou compradores firmes. A sazonalidade também contribui para o ritmo mais lento das negociações, com o ano comercial se encaminhando para o final, juntamente com um mercado doméstico forte, o que contribui para que as principais transações se mantenham internamente.
Paralelamente, o conflito entre Rússia e Ucrânia voltar a atrair holofotes, após uma ligação telefônica entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o propósito de discutir propostas para o fim do conflito. O presidente russo não parece disposto a renunciar a suas exigências, e o presidente da Ucrânia, Vlodimir Zelensky, também não parece disposto a ceder os territórios ocupados pelas tropas do país invasor, mesmo sem a garantia do apoio militar dos Estados Unidos, que contava anteriormente. A verdade é que as negociações não parecem ter avançado muito após o evento, com novos ataques sendo registrados por ambas as partes. No entanto, caso o cenário se altere nas próximas semanas, o mercado do trigo deve sofrer algum abalo, com a retirada dos prêmios embutidos aos preços do cereal após o início da guerra, sob os riscos de prejuízos ao escoamento da safra da região, responsável por abastecer uma importante parcela da demanda externa.






