- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Elevada competitividade do trigo russo e argentino;
- Estoques globais menos apertados, segundo USDA;
- Guerra comercial gera receio entre os compradores de trigo dos EUA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Excesso de chuvas ameaça safra francesa;
- Tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Na última semana, o mercado do trigo foi marcado por forte desvalorização dos preços futuros do cereal na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês). Nesse sentido, o contrato futuro de maio/25, mais ativo atualmente, encerrou a sexta-feira da última semana, 28 de março, cotado em 528,25 cents/bushel, após perdas de 5,37% no acumulado semanal. Um importante fator que motivou a queda nos preços futuros do trigo em Chicago foi a queda notável no volume das vendas de trigo na semana até o dia 20 de março, as inspeções de exportação de trigo dos Estados Unidos também apresentaram quedas, que devem se refletir em reduções no volume embarcado nas próximas semanas.
No relatório semanal de vendas de exportação divulgado na última quinta-feira, 27 de março, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês), referente aos dados para o ano comercial 2024/25, da semana até o dia 20 de março, foram relatadas vendas líquidas de 100.300 toneladas, volume 65% menor do que a média das quatro semanas anteriores. Os embarques estiveram dentro das expectativas dos analistas, na casa das 428.700 toneladas, com destaque para as compras com destino para México, Filipinas, Coreia do Sul, Nigéria e Japão.
O movimento de baixa observado, em geral, em outros mercados como na Europa e na região do Mar Negro, acabou por influenciar os preços do trigo também negativamente nos Estados Unidos, devido à concorrência global e aos fluxos comerciais, para que se mantenha uma competitividade no cereal estadunidense.
Além disso, o desenrolar das negociações para um cessar-fogo no conflito entre Rússia e Ucrânia acabam por retirar alguns prêmios atribuídos aos preços futuros do trigo, de modo que a resolução da guerra deve impactar em uma redução nas cotações do cereal em todo o mundo, devido à importância da participação das exportações da região para o suprimento da demanda global.


Na União Europeia, os preços futuros do trigo seguiram o mesmo movimento observado nos Estados Unidos ao longo da semana, destacando fortes baixas nos preços futuros do cereal no decorrer da semana. O contrato futuro de maio/2025, com operações na Bolsa de Paris, acumulou perdas de cerca de 3,3% entre uma sexta-feira e outra, encerrando o dia 28 de março avaliado em 218,5 cents/bushel.
O que se observou foi uma forte retração dos mercados futuros da Euronext, que está relacionada, principalmente, a um amplo movimento de vendas por parte dos investidores, sugerindo que o sentimento geral do mercado é para preços, em geral, mais baixos dentro das próximas semanas. Do lado da demanda, há um enfraquecimento na procura por cargas spot, indicando que os compradores não apresentam pressa para garantir suprimentos adicionais, um sinal de que estão, possivelmente, esperando preços ainda mais baixos ou já cobertos para suas necessidades imediatas.

Na região do Mar Negro, os preços FOB do trigo seguiram as tendências observadas para as demais principais praças, como Estados Unidos e União Europeia, apresentando recuos ao longo da última semana. De modo semelhante ao que se observou para a União Europeia, a retração nos contratos futuros da Euronext exerceu pressão de baixa sobre os preços na região do Mar Negro, impactando diretamente os preços à vista.
As negociações para compras do cereal, tanto de origem russa quanto ucraniana, parecem estar sendo pressionadas a atingir valores mais baixos, o que acaba tendo certo apoio até mesmo pela demanda enfraquecida no momento atual. Ao longo da semana, as exportações russas parecem ter adquirido um maior fôlego, mas que não foi suficiente para trazer ânimo ao mercado.
Além disso, os investidores acompanham de perto as atualizações sobre um possível cessar-fogo no conflito na guerra em curso no Mar Negro. Embora os EUA tenham anunciado acordos separados com a Ucrânia e a Rússia sobre a segurança da navegação no Mar Negro, os agentes indicaram que isso teve pouco ou nenhum efeito imediato nos preços de frete ou no comércio de grãos. Ainda assim, a situação deve ser monitorada de perto nas próximas semanas, avaliando seus possíveis impactos ao setor.






