- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Guerra comercial gera receio entre os compradores de trigo dos EUA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Na última semana, os preços futuros do trigo demonstraram recuperação considerável em relação ao mesmo período da semana anterior. O fechamento da sexta-feira (11) apresentou avanço de 5,06% nas cotações para o contrato de maio/25 do trigo na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT), sendo avaliado no patamar de 555,75 cents/bushel ao final da sessão naquele dia. As novas repercussões acerca dos impasses comerciais pelo globo não trouxeram novos prejuízos ao mercado do cereal, pelo contrário, permitiram uma recuperação em certo grau. Por outro lado, relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) limitaram os ganhos para o setor.
No que tange à política comercial mundial, em pauta desde que os Estados Unidos impuseram duras tarifas aos seus parceiros comerciais, há algumas semanas, novas atualizações voltaram a repercutir. Foi oferecida uma pausa nas tarifas, pelo governo estadunidense, às 75 nações que se colocaram dispostas a negociais. No entanto, as tarifas contra a China não foram pausadas, pelo contrário, foram intensificadas, chegando a 145% sobre os produtos chineses. Em retaliação, as tarifas da China sobre os produtos estadunidenses atingem 125%. Na prática, a imposição dessas taxas inviabiliza completamente a exportação de trigo dos EUA para a China, exercendo um impacto direto na demanda potencial do trigo estadunidense pois, mesmo que a China já vinha importando uma quantidade reduzida do cereal em relação a períodos anteriores, ainda se tratava de uma quantidade considerável.
Além disso, as condições climáticas para algumas importantes regiões de cultivo do trigo de inverno nos Estados Unidos geraram incertezas sobre a qualidade e o rendimento da safra que deve ser colhida em breve, podendo ter fornecido algum suporte às cotações do trigo em Chicago.
Por outro lado, o relatório mensal de oferta e demanda (WASDE) do USDA indicou um ligeiro aumento nas estimativas para os estoques finais de trigo dos Estados Unidos e globalmente para 2024/25, podendo ter sido um fator limitante aos ganhos do cereal durante a semana. Neste mesmo sentido, o relatório semanal de vendas de exportação do USDA apresentou uma queda significativa nas vendas líquidas de trigo dos EUA, referentes ao ano comercial de 2024/25. No acumulado, as vendas líquidas para a semana até 3 de abril representou uma queda de 68% em relação à semana anterior, e mais de 50% em relação à média das últimas cinco semanas. Essa redução já pode ser considerada um reflexo da instabilidade em torno do comércio global, afastando parte da demanda pelo trigo estadunidense. Para acompanhar os dados completos desse setor, acesse o Relatório Semanal de Vendas de Exportação completo.


No mercado europeu, os preços do trigo se comportaram de modo contrário ao observado nos Estados Unidos, tendo apresentado recuo de 1,8% no acumulado semanal, com os preços se estabelecendo próximos de 218 cents/bushel com o fechamento das operações na última sexta-feira (11) na Bolsa de Paris. Ao longo da semana, observou-se grande volatilidade nas cotações, com os preços tendo atingido 226 cents/bushel na terça-feira (08), mas passando a declinar em ritmo mais acelerado a partir da quarta-feira (09), refletindo as expectativas dos traders e exercendo influência também sobre os preços físicos do trigo na União Europeia.
O relatório WASDE do USDA, na última quinta-feira (10), como mencionado na sessão anterior, aumentou as estimativas para os estoques finais de trigo globais para a safra 202425, exercendo pressões baixistas sobre os preços do cereal, tendo em vista o balanço um pouco mais folgado.
A pausa de 90 dias sobre o início das cobranças nas tarifas de importações dos Estados Unidos levou a União Europeia a suspender seus planos, que incluíam tarifas retaliatórias aos Estados Unidos. O conjunto dessas medidas se refletiu em um forte sentimento otimista nos mercados globais, afastando, ao menos momentaneamente, parte dos temores em torno de uma recessão global, o que acaba sendo positivo para o trigo também.
A competitividade do trigo europeu não esteve entre as melhores na última semana, considerando a valorização do euro frente ao dólar americano. Em contrapartida, o dólar australiano observou uma desvalorização, o que favoreceu a competitividade do trigo australiano frente aos demais ofertados pelo globo.

Na região do Mar Negro, o aumento dos preços do trigo ainda é limitado pelos volumes de exportação da Rússia permanecerem baixos, indicando uma oferta limitada do cereal no mercado. Para as próximas semanas, as previsões de exportação de trigo da Rússia variam entre 1,5 e 2 milhões de toneladas, representando uma queda considerável em relação aos 5 milhões de toneladas exportadas no mesmo período do ano anterior. Além disso, não há grandes embarques programados para os meses de maio e junho, cenário pouco animador para o setor, considerando a importância das exportações russas para o abastecimento do mercado global.
Alguns picos de demanda têm sido observados, com destino a países do norte da África, como Argélia, Marrocos e Jordânia, e da Ásia, como Japão e Coreia do Sul, mas nada animador o suficiente para reestabelecer o ânimo do mercado local.






