- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Guerra comercial gera receio entre os compradores de trigo dos EUA.
- Previsões de chuva para áreas secas nos EUA e Europa
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
- Previsões de chuva atrasam plantio do trigo de primavera nos EUA
A semana foi marcada por sentimento baixista para os preços futuros do trigo cotados na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês). No acumulado, o contrato futuro de maio/2025 se desvalorizou em 3,59%, alcançando fechamento de 530 cents/bushel na última sexta-feira (25). As exportações em ritmo mais lento, associadas às condições climáticas, em geral, favoráveis ao desenvolvimento dos cultivos de inverno e ao avanço das atividades de plantio do trigo de primavera, exerceram pressão baixista sobre os futuros do cereal.
As vendas líquidas de exportação dos Estados Unidos reportaram um número negativo de 145 mil toneladas para a semana até o dia 17 de abril, indicando que houve mais cancelamentos do que novas vendas ao longo da semana. Os números revelam um patamar de negócios abaixo das expectativas dos analistas, bem como inferior ao que havia sido reportado na semana anterior e em relação a média dos últimos cinco anos. As vendas líquidas para a nova safra, de 2025/26, por sua vez, superaram as expectativas dos analistas.
O plantio da safra de primavera nos Estados Unidos atingiu 17%, à frente do ritmo que vinha sendo observado no ano passado e da média para os últimos cinco anos. O desenvolvimento da safra de inverno também se encontra em ritmo satisfatório, atualmente em sua fase de espigamento, pouco abaixo do ritmo registrado na última safra, mas à frente da média dos últimos cinco anos.
O cenário dentro das expectativas e sem grandes riscos à safra em andamento – apenas alguma atenção especial ao clima no sul das Grandes Planícies dos EUA, que enfrentam certa aridez – contribui para a trajetória de preços declinantes verificada ao longo da última semana.


Na União Europeia, a semana mais curta, após o feriado prolongado de Páscoa foi marcada por queda nos preços futuros do trigo, em linha com o que se observou para Chicago. A Bolsa de Paris registrou recuo, neste caso de 1,06% ao longo da última semana, apresentando fechamento de 209,5 cents/bushel na última sexta (25).
As exportações semanais registraram um volume satisfatório para a semana encerrada em 20 de abril, segundo a Comissão Europeia, no entanto, o fôlego momentâneo atual não é suficiente para reverter o agregado europeu desta safra, com volume de exportações 34% abaixo do total reportado no ciclo comercial anterior.
A demanda marroquina contribuiu para o aumento do volume embarcado pelo porto de Rouen, na França. Um fator limitando às exportações do trigo francês até o momento tem sido as preocupações com a qualidade do trigo disponível, após prejuízos causados pelo excesso de chuvas na região. Além disso, a concorrência do trigo de origens russa e ucraniana, assim como o Euro valorizado, tem pressionado as negociações pelo cereal do leste europeu.
Para a safra atual, as condições das lavouras do trigo mole francês, apesar de uma queda semanal marginal – de 75% para 74% como boa ou excelente – permanecem acima das condições informadas no mesmo período do ano passado.

Os preços futuros do trigo da região do Mar Negro operaram de forma mista, mas, em geral, com alguma tendência ligeiramente de baixa, refletindo as atividades um tanto quanto limitadas do mercado. Os integrantes do mercado descreveram as atividades como calmas e com uma certa ausência de demanda.
A ausência de demanda é acompanhada também por uma ausência de vendedores, situação que é agravada ainda por uma baixa competitividade do trigo da safra antiga da Rússia e Ucrânia no mercado asiático, o que reduz ainda mais as chances de negócios para a região. Os negociantes parecem estar de olho no trigo que será colhido em breve, para a próxima safra, o que deve elevar o ritmo das compras entre os meses de julho e agosto.
As expectativas em relação ao clima na região do Mar Negro, com destaque para Romênia e Bulgária, revelem uma tímida preocupação em relação ao déficit de umidade do solo, enquanto os agricultores aguardam novas chuvas para aliviar estas preocupações e auxiliar no crescimento das plantas.





