- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Melhora nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
- Avanço satisfatório no plantio do trigo de primavera.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Enfraquecimento do dólar no cenário internacional;
- Competitividade exercida pelo trigo da região do Mar Negro.
Os preços futuros do trigo negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) acumularam novas perdas por mais uma semana consecutiva. No total, os preços do cereal recuaram 0,66% ao longo dos últimos sete dias — uma queda menos expressiva do que a da semana anterior, mas ainda insuficiente para gerar otimismo entre os agentes que atuam nesse mercado. Nesse contexto, o contrato futuro com vencimento em maio de 2025 encerrou a última sexta-feira (2) cotado a 526,5 cents/bushel, abaixo dos 530 cents/bushel registrados no fechamento da semana anterior. O início da semana foi marcado pelo predomínio de fatores de pressão, mas, ao longo dos dias, os preços apresentaram uma recuperação parcial.
Entre os fatores que contribuíram para essa leve recuperação, destaca-se o enfraquecimento do dólar no mercado internacional, o que aumentou a competitividade do trigo norte-americano nas exportações. Além disso, as inspeções de exportações acima das expectativas dos analistas trouxeram certo ânimo aos investidores, que aproveitaram o momento de baixa para negociar volumes de oportunidade. Outro fator de suporte foi a restrição na oferta exportável de trigo por parte da Rússia.
Por outro lado, a proximidade da colheita da nova safra nos países do hemisfério norte pode reduzir a demanda pelo trigo australiano, realocando parte dessa pressão para o mercado global.
Em contrapartida, o rápido avanço do plantio do trigo de primavera e a melhora nas condições da safra de trigo de inverno nos Estados Unidos contribuíram para manter os contratos futuros em níveis mais baixos. O plantio do trigo de primavera, por exemplo, segue à frente da média dos últimos cinco anos. Já as condições das lavouras de trigo de inverno apresentaram melhora significativa, com um aumento de quatro pontos percentuais em relação às estimativas da semana anterior.
Devido ao feriado do Dia do Trabalho, na quinta-feira (1º de maio), muitos escritórios e mercados operaram de forma reduzida até sexta-feira, o que impactou negativamente a liquidez do mercado na semana.


Na União Europeia, os preços futuros do trigo seguiram uma trajetória semelhante à observada em Chicago, com queda acumulada por mais uma semana — neste caso, de forma mais expressiva. Ao final da semana, os contratos futuros recuaram 3,7%, encerrando o pregão de sexta-feira (2) cotados a 201,75 euros/tonelada cents/bushel.
A pressão exercida pelo trigo russo e ucraniano continua intensa sobre os produtores da União Europeia. Além disso, o fortalecimento do euro frente ao dólar tornou as exportações europeias menos competitivas, funcionando como outro fator de pressão sobre os preços futuros. A Associação dos Agricultores Alemães (DRV) também previu um aumento significativo na produção de trigo de inverno na Alemanha para o ano comercial 2025/26, o que pode elevar a oferta interna do bloco.
Apesar das perdas ao longo da semana, a sexta-feira (2) foi marcada por uma leve recuperação nos preços, impulsionada pela atratividade dos valores mais baixos, que motivaram a atuação de compradores em busca de barganhas.

Na região do Mar Negro, a dinâmica de mercado seguiu tendência semelhante à das demais regiões, com novo recuo nos preços FOB do trigo russo com 12,5% de proteína. Nesta semana, os feriados do Dia do Trabalho resultaram em uma semana útil mais curta em diversas regiões do mundo — como Europa, China e países do entorno do Mar Negro, incluindo a Rússia —, reduzindo significativamente a atividade e a liquidez nos mercados.
Em relação aos tributos sobre exportações, o governo russo decidiu reduzir os impostos aplicados às vendas internacionais de grãos no período de 30 de abril a 6 de maio, o que pode ter contribuído para o aumento das expectativas de oferta do trigo russo no mercado global.





