- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Avanço satisfatório no plantio do trigo de primavera;
- Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;
- Estimativas indicam recorde para área plantada na Argentina.
- Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;
- Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
O mercado do trigo foi marcado por um prevalecimento de forças baixistas na semana que decorreu entre os dias 23/05 e 30/05/2025. No comparativo semanal, o contrato de julho/2025 para o trigo, negociado na Bolsa de Chicago, apresentou recuo de 1,57%, com fechamento de 534 cents/bushel na última sexta-feira (30/05). Alguns ganhos foram observados ao longo da semana, em decorrência de compras técnicas, mesmo com as projeções indicando vastas colheitas na Rússia, Índia e União Europeia.
Nos Estados Unidos, apesar de relatórios recentes indicarem uma piora nas condições de safra, as estimativas ainda apontam para uma colheita satisfatória. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou na terça-feira (27) seu relatório semanal de acompanhamento de safra, que classificou 50% do trigo de inverno como bom ou excelente no país, abaixo dos 52% informados na semana anterior, contrariando as previsões de analistas do setor.
O progresso do plantio do trigo de primavera atingiu 87%, em linha com o ritmo observado ao longo do último anos, mas à frente da média dos últimos cinco anos, de 80%. Apesar disso, analistas projetavam que o plantio atingiria a taxa de 90% até a última semana, fator que se refletiu positivamente sobre os preços futuros do cereal em Minneapolis.
Ainda, de acordo com o relatório de exportações semanais do USDA, na semana encerrada em 22 de maio, verificou-se uma redução nas vendas líquidas de em relação à semana anterior, mas um aumento em relação à média das últimas quatro semanas. As exportações em si foram no sentido contrário, registrando crescimento ao longo da semana. Nesse sentido, os principais destinos do trigo estadunidense nesta semana foram Venezuela, Nigéria, Guatemala, República Dominicana e Indonésia. Com isso, o total acumulado das exportações para o ano-safra de 2024/25 atingiu 20,37 milhões de toneladas, um aumento de 13% em relação aos 18,07 milhões informados até o mesmo período do ano anterior.


Na Argentina, a produção de trigo para a safra 2025/26 é estimada em 21,2 milhões de toneladas, o que, caso se confirme, representará a segunda maior colheita já registrada no país. O cenário atual do setor também é marcado por estoques elevados, fator que pode resultar na maior oferta de trigo da história, conforme destacou a Bolsa de Grãos de Rosário.
O otimismo nas projeções está associado à expectativa de que a área plantada alcance 7,2 milhões de hectares, a maior dos últimos quinze anos. Contudo, a Bolsa de Rosário adverte que o volume efetivamente colhido dependerá dos níveis de investimento e das condições climáticas — variáveis cuja previsão, especialmente no curto prazo, apresenta maior grau de incerteza.
Além disso, a prorrogação da redução dos impostos de exportação, conhecidos como retenciones, até 31 de março de 2026, fortalece as perspectivas de uma oferta abundante de trigo no mercado argentino, ao ampliar a capacidade de investimento dos agricultores.
Brasil
No Brasil, a semeadura do trigo avança, com destaque para os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, os principais produtores do cereal no país.
No Paraná, o ritmo do plantio avança, principalmente nas regiões onde a colheita do feijão está mais adiantada. Nas partes mais quentes do estado, em que o plantio já está próximo da finalização, algumas chuvas têm ajudado no desenvolvimento inicial dos cultivos, especialmente em áreas em que as plantas já davam indícios de incômodo devido a baixa umidade do solo. Até o momento, não há preocupações relacionadas a pragas ou doenças nas lavouras.
No Rio Grande do Sul, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) aumentou a classificação das áreas aptas ao plantio de trigo no estado, o que se refletiu em um avanço da área plantada no estado e um aumento das propriedades dispostas ao cultivo. Contudo, algumas chuvas que atingiram o estado recentemente interromperam os trabalhos no campo, atrasando o progresso do plantio.
Com relação à área destinada ao cultivo, permanece um ambiente de incerteza entre os produtores, principalmente em função da frustração com a última safra de soja, que resultou em descapitalização. Soma-se a isso o fato de que os custos relacionados ao financiamento e ao seguro agrícola são considerados elevados, o que tem restringido o acesso ao crédito.
Na União Europeia, os preços se comportaram de forma semelhante ao que se observou nos Estados Unidos. O trigo negociado na Bolsa de Paris apresentou recuo de 2,78% em suas cotações, sendo avaliado em torno de 200,75 cents/bushel ao fim do dia na sexta-feira (30). Os indicativos de que a safra 2025/26 deve apresentar rendimentos satisfatórios tiveram contribuição importante para manter os futuros do cereal pressionados nas principais praças em que são negociados.
As exportações semanais de trigo da União Europeia totalizaram 223.912 toneladas, de acordo com dados da Comissão Europeia. No acumulado, a campanha de comercialização de 2024/25, as exportações do bloco econômico totalizam 18,59 milhões de toneladas, uma redução de 33,69% em relação ao mesmo período da última safra, que totalizou 28,36 milhões de toneladas. A principal causa por trás das reduções foram as preocupações com a qualidade, além da pressão exercida pela competitividade do trigo russo e ucraniano. Além disso, a valorização cambial do euro tornou as exportações mais caras e, portanto, menos competitivas no cenário internacional. Diante desse cenário, a Romênia lidera as exportações, seguida pela Lituânia, Alemanha, Bulgária e Letônia.

Na região do Mar Negro, os conflitos geopolíticos voltam a ter destaque entre os debates sobre este mercado, especialmente após a realização de novos ataques ucranianos contra a infraestrutura militar da Rússia. Nesta segunda-feira (02), Rússia e Ucrânia deram início a uma nova rodada de negociações em Istambul, na qual ficou acertada a troca de todos os prisioneiros com até 25 anos e dos feridos, além da devolução de 6 mil corpos por parte de cada país. Moscou também propôs um cessar-fogo parcial, com duração de 2 a 3 dias em determinados setores do front, enquanto Kiev mantém a exigência de uma trégua total e incondicional.
De modo geral, os analistas demonstram otimismo em relação às condições da safra de inverno na região. Segundo suas avaliações, maio é considerado um mês climático decisivo para o desenvolvimento das lavouras e, até o momento, as perspectivas indicam que a colheita deverá transcorrer dentro do esperado, sem grandes adversidades. Por outro lado, começam a surgir preocupações quanto aos preços futuros, uma vez que, em breve, um volume expressivo de cereal deverá ingressar no mercado, exigindo uma demanda ativa para sua absorção.





