- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;
- Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;
- Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
Ao longo da última semana, os preços futuros do trigo registraram considerável valorização, na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT). O contrato de julho/2025 acumulou alta de 3,9%, passando a ser avaliado em 554,75 cents/bushel, com o fechamento do pregão na última sexta-feira (06). O movimento altista é consequência, principalmente, da escalada nos conflitos geopolíticos entre Rússia e Ucrânia, dois dos principais fornecedores de trigo ao mercado internacional, o que levou a um aumento do prêmio de risco nos mercados globais do cereal.
Nos Estados Unidos, os investidores estiveram atentos a alguns dados sobre o mercado, divulgados ao longo da semana. Na segunda-feira (02), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou os dados referentes às inspeções de exportação de trigo dos EUA, informando uma redução de 2% em relação à semana anterior, mas, ainda assim, acima das expectativas de analistas. No acumulado, a temporada comercial de 2024/25 registrou envios de 21,83 milhões de toneladas, um crescimento de 17% em relação ao montante inspecionado até o mesmo período do ano anterior.
O relatório semanal de progresso das safras do USDA, no entanto, limitou os ganhos do setor, ao informar uma melhora nas condições das safras de trigo de inverno e primavera.
Paralelamente, a Associação dos produtores de trigo dos Estados Unidos (USWA) atualizou acerca da colheita do trigo vermelho duro de inverno (HRW) nos estados do Texas e de Oklahoma, que acabaram sofrendo alguns atrasos, devido às chuvas que atingiram a região. Dessa forma, a colheita do HRW encontra-se cerca de 25% concluída no estado do Texas, enquanto em Oklahoma, apenas 4%, muito abaixo dos 21% reportados para o mesmo período do ano passado.
Para a presente semana, a atenção dos agentes deve se voltar à divulgação do Relatório Mensal de Oferta e Demanda (WASDE) do USDA, com divulgação prevista para a próxima quinta-feira (12).


Na Austrália, alguns dados sobre produção e exportações de trigo do país também repercutiram entre os integrantes do mercado. O Ministério da Agricultura da Austrália (ABARES) atualizou sua estimativa para a produção nacional de trigo referente ao ciclo produtivo de 2025/26. Com a elevação de 200.000 toneladas, a produção anual agora passa a ser estimada em 30,6 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 10,4% em relação ao montante produzido na temporada 2024/25, mas ainda 11% acima da média dos últimos 10 anos.
Por outro lado, o Departamento Australiano de Estatísticas (ABS) informou que as exportações de trigo australiano atingiram 2,63 milhões de toneladas no mês de abril. O volume representou um aumento de 25% em relação ao mês de março e, ainda, o maior volume mensal exportado em mais de dois anos. O aumento nos fluxos comerciais se deve ao crescimento expressivo nas compras da Coreia do Sul, que mais que dobraram no período. A Indonésia, mais importadora do trigo australiano, permaneceu no topo da lista, com um crescimento de 8% nas compras em relação ao mês de março.
Na União Europeia, o trigo também registrou valorização semanal em seus preços futuros. O contrato futuro de julho/2025, negociado na Bolsa de Paris se valorizou em 1,5% no acumulado semanal, após ter encerrado a última sexta-feira (06) avaliado em 203,75 cents/bushel. As tensões na região do Mar Negro, mais uma vez, foram o principal fator que contribuiu para a valorização do cereal entre os países europeus. Os dados de comercialização e condições de safra acabaram por limitar os ganhos neste mercado.
Ao longo da semana, as exportações de trigo pela União Europeia totalizaram 196.753 toneladas. Com isso, a temporada de comercialização acumula 19,13 milhões de toneladas, o que representa um recuo de 33,5% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. Os principais destinos do trigo europeu continuam sendo os países do norte da África, com quem compete por uma fatia do mercado com os países da região do Mar Negro, como Rússia e Ucrânia. Para o ano de comercialização que se encerra, o trigo francês teve dificuldade para encontrar compradores devido preocupações com a sua qualidade, muito prejudicada pelas chuvas que atingiram regiões produtivas no momento da colheita. Também é possível atribuir às questões cambiais parte da perda de competitividade observada nos últimos meses, com o euro se valorizando em relação ao dólar.

Na região do Mar Negro, observou-se novamente uma elevação nos preços de comercialização ao longo da semana, conforme aumentavam as tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia.
A Ucrânia tem feito uso extensivo de drones em ataques contra o território russo, o que inaugura uma nova fase no conflito, que já se estende por três anos. Os ataques atingiram bases aéreas russas, na Sibéria – que está a uma longa distância da fronteira russa, o que é visto por analistas como indícios de falhas na defesa russa e um avanço na inteligência de guerra ucraniana - danificando parte importante do seu arsenal aéreo. A ofensiva levantou temores de que o fornecimento global de trigo possa ser prejudicado, em meio a uma possível resposta russa aos ataques recentes.
As exportações russas de trigo já estão em níveis consideravelmente menores nos últimos meses, devido a uma queda significativa na oferta do cereal durante a segunda metade da safra, de modo que interrupções por motivos logísticos poderiam ter impactos ainda mais graves no abastecimento do mercado mundial.
Agências locais informaram que, em maio, as exportações russas atingiram 2,03 milhões de toneladas, uma queda de 8% em relação ao mês anterior, mas de 58% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado anual, espera-se um recuo de 22% entre o volume que se espera exportar em 2025/26 em relação ao que foi vendido em 2024/25.
Com relação às exportações ucranianas, o mercado se atenta ao fato de que a partir de 6 de junho elas voltam a se enquadrar no acordo da Área de Livre Comércio Abrangente e Aprofundada (DCFTA), que vigorava antes da invasão russa ao território ucraniano, em 2022. Desde modo, as importações de trigo da Ucrânia para a UE voltam a ser limitadas a uma cota de 1 milhão de toneladas, de modo que o volume que exceda esta cota estaria sujeito a impostos novamente.






