- USDA aponta produção mundial recorde para a safra 2025/26;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;
- Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;
- Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
- WASDE aponta estoques finais mais apertados globalmente.
O Relatório Mensal de Oferta e Demanda (WASDE), divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na última quinta-feira (12), atualizou o mercado acerca da safra 2025/25 de trigo, que se inicia neste mês de junho/25. A respeito da produção, o USDA projetou um crescimento tímido, no comparativo mensal, totalizando agora 808,59 milhões de toneladas, mantendo-se a projeção de safra recorde para o cereal.
Para os estoques finais, por sua vez, o USDA estimou uma retração de quase 3 milhões de toneladas em relação em relação ao que havia sido projetado no mês de maio/25. Agora, a projeção se estabelece na casa das 262,76 milhões de toneladas.
Outro destaque apontado pelo USDA em seu relatório está relacionado à safra de trigo indiana. O órgão informou que a previsão da produção do cereal na Índia foi ajustada para a produção recorde de 117,5 milhões de toneladas, de acordo com dados do Ministério da Agricultura e Bem-Estar dos Agricultores do país.
Nos Estados Unidos, as condições de safra e o WASDE foram os principais guias dos preços futuros do trigo cotados na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT). No acumulado, o contrato futuro de julho/2025 acumulou perdas de quase 2% ao longo da semana, com o clima favorável na região do Meio-Oeste dos EUA pressionando as cotações do cereal, após algumas semanas de ganhos. Com isso, o contrato futuro do trigo mais ativo em Chicago encerrou a sexta-feira (13) avaliado em 543,75 cents/bu.
O Relatório Semanal de Acompanhamento de Safra do USDA apontou uma melhora de 2 p.p. para as condições do trigo de inverno no país, em relação ao que fora metrificado na semana anterior, sendo classificadas agora em 54% como boas ou excelentes. O panorama atual é melhor do que o verificado para o mesmo período do último ano (47%) e do que a média dos últimos (43%). Ao mesmo tempo, o trigo de primavera se encontra 82% plantado, abaixo do ritmo de plantio verificado no ano anterior (86%), mas melhor do que a média para os último cinco anos (81%).
As estimativas de produção e estoques do USDA, no entanto, acabou limitando as perdas do mercado na semana. Conforme apontado em seu relatório WASDE, os estoques finais dos Estados Unidos devem ter um achatamento na safra 2025/26, ao mesmo tempo que deve se observar um aumento nas exportações e a produção deve se manter estável, em um comparativo com o que havia sido estimado para a safra no mês passado. Com isso, os estoques finais agora são calculados em 24,44 milhões de toneladas, e a produção, em 52,28 milhões de toneladas.


Na Austrália, a Associação das Indústrias de Grãos da Austrália Ocidental (GIWA) elevou as estimativas para as áreas plantadas de trigo em 8%, motivada pelas chuvas benéficas que caíram na região nos últimos dias e por uma substituição de parte da área que era destinada anteriormente ao plantio de canola, que passou a ser destinada ao cultivo de trigo. Apesar do aumento estimado, a área de 4,4 milhões de hectares ainda é inferior à cultivada na última safra na região. Devido à área menor, espera-se que o volume colhido também não supere o do último ano.
Na Argentina, a Bolsa de Grãos de Rosário atualizou a sua estimativa de produção de trigo para o país. O órgão optou por reduzir suas projeções para 20,7 milhões de toneladas, após um corte de 500 mil toneladas, em relação ao cálculo feito no mês de maio/25. Ainda assim, esta continua sendo a previsão de maior colheita potencial nos últimos quatro anos. A redução nas projeções da produção decorre de um corte na área destinada ao plantio do cereal no país.
Na União Europeia, as cotações apresentaram movimento semelhante ao que se observou nos Estados Unidos. O contrato futuro de julho/25 do trigo com operações na Bolsa de Paris também recuou, mas com variação menor que em Chicago. A sexta-feira (13) apresentou fechamento de 203 cents/bu, tendo se desvalorizado 0,5% no comparativo semanal.
As perspectivas de recuperação na produção para a safra 2025/26 - reforçada pela recuperação nas condições de safra na Espanha, por exemplo - incluem a Europa na rota das regiões onde os preços do trigo têm sido pressionados. Entre as análises indicadas no WASDE, a produção europeia é estimada em 136,55 milhões de toneladas, um aumento de 550 mil toneladas em relação ao que fora apontado no mês passado.

Na região do Mar Negro, o cenário comercial ainda é um pouco incerto, com o trigo de outras origens ameaçando a competitividade do trigo russo. Alguns agentes informaram que os preços do trigo apresentaram um queda recentemente, o que pode ter elevado a competitividade do trigo australiano, por exemplo, que disputa por uma fatia do mercado com parte do trigo produzido na região do Mar Negro.
Na Ucrânia, o plantio do trigo de primavera avança satisfatoriamente. Até a última semana, estimava-se que cerca de 97% da área prevista para o plantio já fora semeada. No acumulado, a área plantada para a temporada 2025/26 deve ficar 24% acima do que se verificou para o ano anterior.






