- USDA aponta produção mundial recorde para a safra 2025/26;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;
- Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;
- Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
- WASDE aponta estoques finais mais apertados globalmente.
A semana que se encerrou na última sexta-feira (20) foi marcada por grande valorização no mercado do trigo. Na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT), o contrato de julho/2025 – o mais ativo atualmente – se valorizou em 4,41% no comparativo semanal, apresentando fechamento de 567,75 cents/bushel no encerramento da semana. Entre os principais fatores que levaram à alta nos preços futuros do trigo, destacam-se uma piora inesperada nas condições da safra de inverno nos Estados Unidos, e atrasos na colheita, devido às chuvas que caem em alguns estados do país.
Os mercados futuros do trigo iniciaram a semana pressionados pelas perspectivas de uma colheita abundante nas principais regiões produtoras de trigo pelo mundo. No entanto, o relatório de condições e progresso de safra divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na tarde da segunda-feira (16) impulsionou as cotações, depois de relatar uma piora inesperada nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos.
De acordo com o relatório, no momento, 52% das lavouras de trigo são classificadas como ótimas ou excelentes, à frente dos 54% que se tinha na semana anterior. Ao mesmo tempo, alguns integrantes do mercado têm relatado atrasos na colheita, que se iniciou recentemente, em decorrência de chuvas esparsas e alta umidade nas regiões de cultivo. Conforme informado pelo USDA, a colheita no estado estaca em 3% até a semana passada, patamar inferior aos 25% registrados no mesmo período do último ano e dos 11% da média histórica. O Serviço Nacional de Meteorologia de Wichita alerta para os riscos de tempestades nas regiões de colheita, com possibilidade de ventos fortes, tornados e granizo.


Na União Europeia, os preços futuros do trigo também apresentaram valorização semanal. No entanto, a magnitude ainda é inferior ao que se observou em Chicago. As cotações do contrato futuro de julho/25, por exemplo, acumularam alta 2,59% na semana, encerrando a sexta-feira (20) cotado a 208,25 cents/bushel.
A queda inesperada nas avaliações das condições de safra dos Estados Unidos gerou receios entre parte dos agentes europeus, o que motivou os ganhos a partir da terça-feira (17). Apesar deste fato, a demanda pelo trigo europeu permanece em ritmo lento. No acumulado, as exportações de trigo para a safra 2024/25 acumulam 19,76 milhões de toneladas, um montante 33,7% inferior ao que fora registrado para o mesmo período da última temporada de comercialização. Países da África como Nigéria, Marrocos, Argélia e Egito, lideram entre os principais importadores do trigo europeu. Além destes, o Reino Unido também desempenha papel importante no comércio com os vizinhos.

Na região do Mar Negro, os preços do trigo também apresentaram valorização, apesar da publicação de novos relatórios apontando uma redução nas exportações ucranianas de trigo. No acumulado, estima-se uma redução de cerca de 22% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando, até o momento, 533 mil toneladas. Entre os principais destinos do trigo ucraniano, destacam-se Egito, Argélia e Bangladesh, que também desempenham importante papel nas importações europeias, conforme observado anteriormente.
Além disso, o mercado também repercutiu a divulgação da primeira previsão oficial para a safra 2025/26 de trigo, pelo Ministério da Agricultura da Rússia. A instituição governamental prevê um aumento de 9% em relação ao ano anterior, conforme informado à imprensa. Paralelamente, o governo russo também estima um aumento nos volumes exportados de trigo, que passam a ser calculados em 45 milhões de toneladas, um aumento de 1 milhão de toneladas em relação ao ano comercial de 2024/25.






