- USDA aponta produção mundial recorde para a safra 2025/26;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;
- Incertezas sobre a política comercial estadunidense.
- Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;
- Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
- WASDE aponta estoques finais mais apertados globalmente;
- Atrasos na colheita do trigo de inverno.
A última semana foi marcada por desvalorização no trigo negociado na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT). O contrato futuro de setembro/25 apresentou fechamento de 545 cents/bushel na última sexta-feira (11), após queda semanal de 2,11%. Entre as principais motivações por traz do movimento baixista, destacam-se as condições de safra favoráveis para o trigo de inverno que está sendo colhido nos Estados Unidos, o avanço da colheita em ritmo um pouco mais acelerado no país e, ainda, o cenário incerto em torno das ameaças tarifárias feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Desde a última quarta-feira (09), a Casa Branca tem anunciado os novos rumos da política comercial estadunidense, conforme se aproxima o prazo final do acordo comercial feito por Trump, após os impactos negativos diante do tarifaço inesperado, em abril deste ano. Os agentes que operam nos mercados de commodities acompanham, atentos, os anúncios, em busca de atualizações que possam afetar o comércio internacional.
Na segunda-feira (07), Trump anunciara a imposição de tarifas de 25% sobre as importações com origem do Japão e Coreia do Sul. Ambos os países estão entre os cinco maiores importadores de trigo dos Estados Unidos, o que, em caso de retaliações, pode se refletir em um reajuste das fluxos comerciais do cereal.
Por outro lado, os agentes também estiveram atentos à divulgação do Relatório Mensal de Oferta e Demanda Agrícola Mundial (WASDE), pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), na sexta-feira (11). As projeções apontam para uma leve redução dos estoques domésticos, nos EUA, para a safra 2025/26, mesmo com um aumento estimado para a produção neste ciclo.


Após cerca de 15 dias com chuvas significativas, especialmente no norte do Rio Grande do Sul, o tempo ficou mais estável no norte do Paraná. Esse cenário anterior permitiu melhor trafegabilidade e avanço da área plantada com trigo no Rio Grande do Sul, que chegou a 82%, segundo o boletim integrado do SEAPI — com leve recuperação do atraso causado pelas chuvas e geadas das semanas anteriores.
Nos próximos dias, são esperadas temperaturas mais amenas, e há sinal da chegada de uma massa de ar frio pós-frontal na próxima semana, o que pode voltar a reduzir as temperaturas. Essa variação térmica pode comprometer a uniformidade do florescimento e, consequentemente, a qualidade dos grãos, o que exige monitoramento contínuo.
É importante ressaltar que temperaturas abaixo de 8 °C representam um limiar de atenção — com baixo risco, mas sensível a variações microclimáticas. Lavouras ainda em perfilhamento ou alongamento podem se beneficiar do frio; por outro lado, chuvas levemente acima da média combinadas com temperaturas mais elevadas podem prejudicar o florescimento da planta.
Na União Europeia, o movimento dos preços futuros do trigo foi no sentido contrário ao observado em Chicago. O contrato futuro de setembro/2025 apresentou valorização semanal de 2,69%, encerrando a sexta-feira (11) cotado em 200,75 cents/bushel.
As previsões climáticas indicam a ocorrência de chuvas e trovoadas pelos próximos dias, na região sul da Romênia e na maior parte da Bulgária, o que deve atrasar a colheita do trigo que ainda está no campo nestes locais. Na França e na Alemanha, a previsão é de temperaturas mais elevadas, o que deve colaborar com um avanço mais rápido das atividades no campo.
Conforme adiantado pela previsão do tempo, o relatório do Departamento de Agricultura da França apontou uma aceleração no ritmo da colheira, que agora se encontra acima da média dos últimos anos. Além disso, as condições do trigo colhido no país superam as da última safra, que foram duramente prejudicadas pela ocorrência de chuvas em momentos indesejados.

Na região do Mar Negro, repercute entre os agentes do mercado a redução do imposto de exportação para zero, pelo governo russo, medida que passou a valer a partir da última quarta-feira, 9 de julho. O imposto havia sido introduzido em 2021, e esta é a sua primeira suspensão desde então, o que deve estimular o aumento dos envios do cereal russo ao exterior.
Isso ocorre em meio ao encerramento da temporada 2024/25 de exportação de trigo, que contou com um volume de envios inferior às estimativas oficiais e em relação ao ano anterior. No acumulado, a Rússia exportou algo em torno de 41 milhões de toneladas de trigo, enquanto o Ministério da Agricultura previa cerca de 44 milhões de toneladas. Espera-se que as remessas ao exterior voltem a aumentar, diante da suspenção dos impostos de exportação.
Enquanto isso, a colheita do trigo de inverno avança na região. Na Rússia, cerca de 6% das plantações foram colhidas até o momento, com cerca de 6 milhões de toneladas armazenadas. No entanto, a produtividade tem decepcionado os agricultores locais, com quedas de 16% em relação à safra anterior.






