- USDA aponta produção mundial recorde para a safra 2025/26;
- Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
- Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;
- Incertezas sobre a política comercial estadunidense.
- Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;
- Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
- WASDE aponta estoques finais mais apertados globalmente;
- Atrasos na colheita do trigo de inverno.
A última semana foi marcada por nova desvalorização entre os contratos futuros do trigo, negociados na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT). O contrato com maior liquidez atualmente, com vencimento em setembro/2025, apresentou fechamento de 538,25 cents/bushel, após recuo semanal de 1,6% nos preços.
O momento é fundamentalmente baixista devido aos fatores sazonais por trás do mercado, que se encontra em momento de colheita no Hemisfério Norte e, portanto, de expansão da oferta global. As perspectivas de uma safra recorde contribuem para aumentar ainda mais a pressão sobre o mercado.
Nos Estados Unidos, a colheita avança em ritmo satisfatório, com cerca de 40% da safra do trigo vermelho duro de inverno (HRW) colhida até o momento. Nos estados do Texas, Oklahoma e Kansas, alguns dos principais produtores no país, os trabalhos no campo já estão encerrados, com registros de produtividade elevada.
Do lado da demanda, o relatório de exportações semanais, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na última quinta-feira (24), informou um volume de vendas líquidas em torno de 710.000 toneladas, na semana encerrada até o dia 17 de julho, o que representou um aumento de 44% em relação aos sete dias anteriores, e 50% acima da média mensal.
Apesar do recente aumento expressivo nas vendas de exportação, o ritmo da demanda não parece ser suficiente para absorver a oferta que surge, o que se comporta como um fator importante de pressão para os preços internacionais de trigo neste momento.


O trigo encontra-se em diversos estágios de desenvolvimento nos dois estados. Nos últimos 15 dias, ambos experimentaram episódios de chuva , especialmente no oeste do Paraná e com maior intensidade no sul do Rio Grande do Sul, o que contribuiu para a recuperação hídrica do solo.
No Paraná, nas regiões onde predomina a fase de frutificação, a umidade disponível provavelmente está beneficiando o desenvolvimento das plantas. Entretanto, há previsão de chuvas acima da média desde o norte até o sul do estado. No Rio Grande do Sul, o extremo sul também poderá registrar volumes superiores à média histórica nos próximos 15 dias.
A combinação de alta umidade e temperaturas mais baixas pode favorecer o surgimento de doenças fúngicas, exigindo monitoramento fitossanitário. Já as lavouras tardias ou em fase inicial/intermediária, especialmente no RS, poderão se beneficiar das condições para germinação e desenvolvimento vegetativo.
Há previsão de geadas moderadas a fortes até 01/08 em ambos os estados. O risco de danos é maior em lavouras de trigo em espigamento ou floração, especialmente em áreas de baixada.
Os impactos esperados podem incluir desenvolvimento desuniforme das lavouras devido à alternância de calor excessivo seguido por frio intenso. Os efeitos dependerão do estágio fenológico: lavouras em floração, por exemplo, podem sofrer esterilidade das espigas se expostas a temperaturas abaixo de 2 °C, o que exige atenção redobrada à previsão meteorológica.
Na União Europeia, os preços apresentaram trajetória semelhante ao que se observou para os Estados Unidos na última semana. O contrato futuro de setembro/2025, operado na Bolsa de Paris, encerrou a última sexta-feira (25) avaliado em 195,5 cents/bushel, após queda semanal de 3,46%.
Novamente, os principais fatores que têm pressionado as cotações do trigo europeu são as perspectivas de uma amplos rendimentos para a safra que está sendo colhida neste momento. Estima-se que, até o momento, cerca de 98% das lavouras já tenham sido colhidas, com condições ótimas a excelentes para cerca de 71% destas. Um montante consideravelmente superior aos 58% registrados no ano passado.
Do lado das exportações, o velho continente parece ainda não ter encontrado um ritmo satisfatório para a comercialização da nova safra. Mas as expectativas são de que haja uma recuperação em breve, dada a melhora na qualidade do trigo que vem sendo colhido, em relação à temporada anterior.

Na região do Mar Negro, a colheita do trigo de inverno segue avançando intensamente. Na Rússia, a colheita agora alcança 27,8% dos 29,95 milhões de hectares plantados nesta temporada, com uma produtividade média de 3,41 toneladas por hectare. Apesar do avanço satisfatório em relação à última semana, a produtividade ainda é inferior à que vinha sendo registrada ao longo do último ano, de 3,57 toneladas por hectare, para o mesmo período. Ao final da safra, a produtividade média registrada no país era de 2,93 toneladas por hectare, de acordo com o Serviço Federal de Estatísticas do país (Rosstat).
O ritmo de exportação, por sua vez, parece estar acelerado. Na semana encerrada na última quinta-feira (24) a Rússia havia exportado um volume equivalente a 353.168 toneladas, um montante quase três vezes maior do que o registrado para a semana anterior, aumento equivalente a 176%.






