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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Trigo tem mais uma semana de quedas, em meio ao avanço da colheita e ampla oferta global
 
   Júlia Viana
 
 
 
Fatores baixistas

USDA aponta produção mundial recorde para a safra 2025/26;

Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;

Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;

Incertezas sobre a política comercial estadunidense.

Fatores altistas

Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;

Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;

WASDE aponta estoques finais mais apertados globalmente;

Atrasos na colheita do trigo de inverno.

 


 
Estados Unidos

O mercado do trigo nos Estados Unidos registrou forte desvalorização ao longo da última semana. O contrato de setembro/2025 -  o mais ativo na Bolsa de Chicago atualmente -, por exemplo,  declinou cerca de 4%, encerrando a última sexta-feira (01) avaliado em 516 cents/bushel, após fortes pressões causadas, principalmente, pelo avanço da colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos.

No início da semana, as cotações operaram sem muitas variações, mas a partir da terça-feira (29), os preços iniciaram uma sequência de baixas, que levou o trigo a atingir suas mínimas em algumas semanas. Além da ampla oferta global, causada pelo avanço da colheita do trigo no Hemisfério Norte, a conjuntura de outros fatores, como dados decepcionantes sobre o volume de exportações semanais, que caíram 61% no comparativo semanal, também contribui para o momento baixista do cereal.

Paralelamente, a ocorrência de chuvas nas planícies do norte dos EUA ajudou a aliviar as preocupações que vinham surgindo em torno do desenvolvimento do trigo de primavera no país, o que deve contribuir ainda mais para as expectativas de uma safra recorde neste ano. Na região do Mar Negro e na União Europeia, as condições climáticas levantaram alguma preocupação, mas nada que fosse suficiente para reanimar as atividades no mercado.

Do lado da demanda, uma compra de Bangladesh ajudou a dar algum suporte para o mercado. O país, localizado no sul asiático, comprou 220 mil toneladas, como parte de um acordo com o governo dos Estados Unidos para ampliar a participação de produtos estadunidenses na pauta exportadora do país, reduzindo então as tensões comerciais entre os países, reclamada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Intraday | Preço para o contrato de setembro/25– Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

 

 

Vendas Líquidas de Exportação Semanais - EUA safra atual (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX. 
Brasil e Argentina

O plantio de trigo está encerrado, e as condições de precipitação têm sido favoráveis nos dois estados. Entretanto, no Paraná, as lavouras apresentavam excelente condição até 25 de junho, quando ocorreu um episódio de geadas generalizadas em praticamente todo o estado.

A sequência de eventos frios ao longo do mês de julho tem causado perda de potencial produtivo, especialmente nas lavouras cujas espigas já estavam formadas ou haviam ultrapassado a fase de emborrachamento no momento das geadas. Como reflexo dos acontecimentos climáticos recentes, o Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral) reduziu a expectativa para a produção do estado, que agora é estimada em 2,6 milhões de toneladas. Atualmente, a maioria das lavouras se encontra entre as fases de perfilhamento e alongamento (trigo precoce), e entre emborrachamento e espigamento nas lavouras de ciclo médio.

O período até 11/08 exige atenção máxima ao risco de geadas, especialmente no Paraná, com impacto crítico sobre as lavouras em espigamento, fase altamente sensível às baixas temperaturas. Após 11/08, a umidade residual da frente fria, somada ao aumento das temperaturas, tende a elevar a pressão de doenças fúngicas. Portanto, recomenda-se, no Rio Grande do Sul — onde o tempo deverá permanecer predominantemente seco, exceto no norte do estado —, a aplicação preventiva de fungicidas, especialmente nas lavouras que avançarem para as fases de emborrachamento e início de espigamento.

Na Argentina, o plantio do trigo já se encontra quase concluído, com 98,3% da área de 6,7 milhões de hectares projetada inicialmente. As chuvas que atingem a região contribuíram para a melhora da disponibilidade hídrica para o trigo, o que favorece a avaliação das condições de safra desse trigo.

União Europeia

Na União Europeia, os preços futuros do trigo cotados na Bolsa de Paris também recuaram na última semana, apesar de ter operado quase que durante toda a semana acima do patamar de fechamento da semana anterior. Na sexta-feira (01) o contrato futuro de setembro encerrou o dia cotado em 194,5 cents/bushel, uma queda de 0,5% no comparativo semanal.

As exportações do novo ano comercial, iniciado em 1º de julho, parecem estar decepcionando os investidores até o momento. Até o momento, foram exportadas 803.256 toneladas, uma queda de 64% em relação ao ano anterior, em que já haviam sido exportadas 2,25 milhões de toneladas neste mesmo período.  

Ao mesmo tempo, com o avanço da colheita, que se encontra 89% concluída na França, por exemplo, cada vez mais trigo tem ficado disponível para comercialização no mercado.

Intraday | Preço contrato setembro/25– Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
Mar Negro

Na região do Mar Negro, os preços também apresentaram quedas no mercado físico, como modo de tentar atrair interessados em adquirir os produtos, em meio à ampla oferta global verificada no atual momento.

As medidas de ajustes nos preços parecem ter surtido efeito, e a Rússia registrou aumentos voluptuosos em suas exportações semanais. Até a semana encerrada na quarta-feira (30) foram exportadas 646.339 toneladas, um aumento de 83,1% em relação ao que havia sido registrado na semana anterior.

Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
 

Trigo nos mercados futuros de Chicago e Kansasimage 116998

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Fatores baixistas

  • USDA aponta produção mundial recorde para a safra 2025/26;
  • Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
  • Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;
  • Incertezas sobre a política comercial estadunidense.

Fatores altistas

  • Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;
  • Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
  • WASDE aponta estoques finais mais apertados globalmente;
  • Atrasos na colheita do trigo de inverno.

 


 

Estados Unidos

 

A última semana foi marcada por nova desvalorização entre os contratos futuros do trigo, negociados na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT). O contrato com maior liquidez atualmente, com vencimento em setembro/2025, apresentou fechamento de 538,25 cents/bushel, após recuo semanal de 1,6% nos preços.

O momento é fundamentalmente baixista devido aos fatores sazonais por trás do mercado, que se encontra em momento de colheita no Hemisfério Norte e, portanto, de expansão da oferta global. As perspectivas de uma safra recorde contribuem para aumentar ainda mais a pressão sobre o mercado.

Nos Estados Unidos, a colheita avança em ritmo satisfatório, com cerca de 40% da safra do trigo vermelho duro de inverno (HRW) colhida até o momento. Nos estados do Texas, Oklahoma e Kansas, alguns dos principais produtores no país, os trabalhos no campo já estão encerrados, com registros de produtividade elevada.

Do lado da demanda, o relatório de exportações semanais, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na última quinta-feira (24), informou um volume de vendas líquidas em torno de 710.000 toneladas, na semana encerrada até o dia 17 de julho, o que representou um aumento de 44% em relação aos sete dias anteriores, e 50% acima da média mensal.   

Apesar do recente aumento expressivo nas vendas de exportação, o ritmo da demanda não parece ser suficiente para absorver a oferta que surge, o que se comporta como um fator importante de pressão para os preços internacionais de trigo neste momento.

 

 

Intraday | Preço para o contrato de setembro/25– Chicago (USD cents/bushel)

 

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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Vendas Líquidas de Exportação Semanais - EUA safra atual (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX. 
Brasil

O trigo encontra-se em diversos estágios de desenvolvimento nos dois estados. Nos últimos 15 dias, ambos experimentaram episódios de chuva , especialmente no oeste do Paraná e com maior intensidade no sul do Rio Grande do Sul, o que contribuiu para a recuperação hídrica do solo.

No Paraná, nas regiões onde predomina a fase de frutificação, a umidade disponível provavelmente está beneficiando o desenvolvimento das plantas. Entretanto, há previsão de chuvas acima da média desde o norte até o sul do estado. No Rio Grande do Sul, o extremo sul também poderá registrar volumes superiores à média histórica nos próximos 15 dias.

A combinação de alta umidade e temperaturas mais baixas pode favorecer o surgimento de doenças fúngicas, exigindo monitoramento fitossanitário. Já as lavouras tardias ou em fase inicial/intermediária, especialmente no RS, poderão se beneficiar das condições para germinação e desenvolvimento vegetativo.

Há previsão de geadas moderadas a fortes até 01/08 em ambos os estados. O risco de danos é maior em lavouras de trigo em espigamento ou floração, especialmente em áreas de baixada.

Os impactos esperados podem incluir desenvolvimento desuniforme das lavouras devido à alternância de calor excessivo seguido por frio intenso. Os efeitos dependerão do estágio fenológico: lavouras em floração, por exemplo, podem sofrer esterilidade das espigas se expostas a temperaturas abaixo de 2 °C, o que exige atenção redobrada à previsão meteorológica.

União Europeia

Na União Europeia, os preços apresentaram trajetória semelhante ao que se observou para os Estados Unidos na última semana. O contrato futuro de setembro/2025, operado na Bolsa de Paris, encerrou a última sexta-feira (25) avaliado em 195,5 cents/bushel, após queda semanal de 3,46%.

Novamente, os principais fatores que têm pressionado as cotações do trigo europeu são as perspectivas de uma amplos rendimentos para a safra que está sendo colhida neste momento. Estima-se que, até o momento, cerca de 98% das lavouras já tenham sido colhidas, com condições ótimas a excelentes para cerca de 71% destas. Um montante consideravelmente superior aos 58% registrados no ano passado.   

Do lado das exportações, o velho continente parece ainda não ter encontrado um ritmo satisfatório para a comercialização da nova safra. Mas as expectativas são de que haja uma recuperação em breve, dada a melhora na qualidade do trigo que vem sendo colhido, em relação à temporada anterior.

Intraday | Preço contrato setembro/25– Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
Mar Negro

Na região do Mar Negro, a colheita do trigo de inverno segue avançando intensamente. Na Rússia, a colheita agora alcança 27,8% dos 29,95 milhões de hectares plantados nesta temporada, com uma produtividade média de 3,41 toneladas por hectare. Apesar do avanço satisfatório em relação à última semana, a produtividade ainda é inferior à que vinha sendo registrada ao longo do último ano, de 3,57 toneladas por hectare, para o mesmo período. Ao final da safra, a produtividade média registrada no país era de 2,93 toneladas por hectare, de acordo com o Serviço Federal de Estatísticas do país (Rosstat).

O ritmo de exportação, por sua vez, parece estar acelerado. Na semana encerrada na última quinta-feira (24) a Rússia havia exportado um volume equivalente a 353.168 toneladas, um montante quase três vezes maior do que o registrado para a semana anterior, aumento equivalente a 176%.

Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.

Trigo nos mercados futuros de Chicago e Kansasimage 116580

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