Atualização dos impactos do conflito entre Rússia e Ucrânia sobre o setor açucareiro
Nesta semana, a Inteligência de Mercado da StoneX divulgou novas estimativas para as safras 2021/22 e 2022/23 no
Centro-Sul do Brasil, bem como a revisão de suas projeções para o
saldo global de açúcar no ciclo internacional corrente. Dentre os principais pontos discutidos nesta análise, as perspectivas produtivas na Ásia receberam o destaque.
Na Tailândia, o mercado vinha esperando uma produção mais firme, com nossas projeções caminhando próximas de 10,7 milhões de toneladas de açúcar, mas com alguns indicativos já apontando para uma oferta ainda mais abundante, chegando a 12 milhões de toneladas do adoçante em 2021/22 (out-set). Ainda que o quadro produtivo se mostrasse favorável, em meio aos preços atrativos e ganho de área plantada, as chuvas excessivas têm prejudicado o andamento da colheita em importantes regiões produtoras.
Em termos de perspectivas, o Departamento de Meteorologia da Tailândia (TMD, em inglês) prevê chuvas acima da normalidade no próximo trimestre, o que deve trazer pressão adicional sobre os trabalhos em campo nas regiões Central e Nordeste do país. Com base nisso, a StoneX cortou em 7,5% suas projeções para a oferta de açúcar no ciclo corrente, que deve se situar em 9,9 milhões de toneladas – alta anual de 31,1%. A previsão de chuvas regulares, por outro lado, deve contribuir com o desenvolvimento dos canaviais a serem processados no próximo ciclo.
Na contramão das adversidades enfrentadas na Tailândia, a safra corrente na Índia é marcada pelo maior potencial produtivo dos canaviais. No acumulado da safra até fevereiro, cerca de 25,3 milhões de toneladas de açúcar foram produzidas no país, representando crescimento de 7,7% no comparativo safra-a-safra. Diante do ganho de produtividade e do clima benéfico para o andamento da colheita, nós elevamos nossas estimativas para a oferta indiana, na ordem de 5,4%, para 33,2 milhões de toneladas (valor branco).
Estimativas para a produção de açúcar na Índia e Tailândia (milhões de toneladas)
*Estimativa. Fontes: ISMA, TSMC e StoneX. Elaboração: StoneX.
Este volume se posiciona 6,5% superior ao observado em 2020/21, e já desconsidera o direcionamento de 3,0 milhões de toneladas para a produção de etanol. Em meio à firme valorização do petróleo nos últimos pregões, parece provável que Nova Delhi busque investir ainda mais para o alcance do E20 até 2025.
Diante deste contexto, a grande discussão atual gira em torno do potencial de exportação de açúcar pela Índia no ciclo corrente. Estimativas oficiais apontam para um direcionamento de 7,5 milhões de toneladas ao exterior em 2021/22, tendo em vista que contratos de 6,2 milhões de toneladas já foram firmados. Levando em consideração tais pontos, e assumindo um consumo doméstico de 27,2 milhões de toneladas, parece provável que os estoques finais se posicionem em 6,8 milhões de toneladas.
No entanto, contatos da StoneX na Ásia já sinalizam a possibilidade de as exportações alcançarem 8,0 milhões de toneladas na temporada atual. Caso concretizado, os estoques finais podem se situar em 6,3 milhões de toneladas. Ainda que seja o menor nível dos últimos anos, há espaço para que as negociações com o exterior permaneçam aquecidas, sobretudo no curto prazo em meio à firme valorização dos futuros do açúcar - o que deve aliviar o déficit no saldo global da commodity.
Nesta sexta-feira (11), o contrato contínuo do #11 apresentou leves perdas semanais de 0,6% na ICE/NY, encerrando as negociações cotado a US¢ 19,24/lb. Diante desta movimentação, a paridade de exportação indiana contra o demerara, que se situa em US¢ 19,80/lb, já se mostra mais próxima de abertura. Em paralelo, o K2 do #5 encerrou o dia em US$ 530,20/t - US$ 94,7/t superior ao nível que torna as exportações de açúcar branco pela Índia viáveis. Com base nisso, nós aumentamos em 800 mil toneladas a nossa projeção para o saldo global de açúcar em 2021/22, projetado para se posicionar em um déficit de 1,1 milhão de toneladas.