• Café arábica recuou 10,4% na semana em Nova Iorque, fechando em US₵ 200,75/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta recuaram 14,7% para USD 3541/t
• Dólar tem queda de 0,8% para USDBRL 5,07 na semana
• Indicador Cepea para o café arábica registra queda de 9%, cotado a R$ 1.141,86/sc
• Indicador Cepea de café robusta recuou 16% para R$ 970,33/saca
• Modelos apontam para retorno das chuvas no Vietnã
• Oferta reduzida de robusta e inverno brasileiro são fatores altistas
• Entrada da nova safra e preocupações com o consumo são fatores baixista
• Starbucks e Nestle reportaram queda nas vendas no primeiro trimestre
• Dados preliminares da Secex apontam para aumento de 66% nas exportações em abril
Depois de alcançam valores máximos históricos em Londres e patamares historicamente elevados em Nova Iorque, os preços futuros de café terminaram a última semana com fortes perdas. A movimentação da semana foi majoritariamente ditada pela liquidação especulativa de contratos futuros, tanto com café como em outras commodities do grupo softs, como o cacau, que teve uma queda de 23% nos preços. De acordo com o StoneX Commodity Index, na última semana houve a saída de 2 bilhões de dólares (-7,3%) do complexo das commodities softs na última semana.
A queda mais intensa aconteceu na sessão da quinta-feira (02), liderado pelo mercado de café robusta, que apresentou perdas de USD 298/ton (-7,5%), o que pressionou as cotações em Nova Iorque, que tiveram perdas de 990 pontos (-4,6%). Operadores do mercado de café classificou a sessão como um “colapso total”, enquanto a agência de notícias Reuters divulgou uma matéria intitulada “Banho de sangue nos mercados de commodities softs à medida que os fundos saem do cacau e dos futuros de café”.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo terminou a semana com uma queda de 2325 pontos (-10,4%), fechando a sexta-feira (03) cotado em US₵ 200,75/lb. Em Londres, a queda foi ainda mais intensa de USD 610/ton (-14,7%), fechando a semana cotado em USD 3541/ton. No período, o Dollar Index apresentou uma queda de 0,9% para 104,9 pontos e o par USDBRL caiu 0,8% para 5,07.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 29/04 a 03/05

No mercado doméstico brasileiro, a tendência foi a mesma observada nos mercados internacionais, porém com uma retração mais intensa para o robusta devido à queda do dólar no período. O indicador Cepea para o café arábica teve um recuo de 9% para R$ 1141,86/saca. O indicador para o café robusta apresentou uma queda de 16%, fechando a semana abaixo de mil reais a saca, cotado em R$ 970,33/saca.
Além das questões técnicas e especulativas, a perspectiva de melhora das condições climáticas no Vietnã contribuiu para arrefecer as preocupações dos agentes e pressionar as cotações. De acordo com os dados da StoneX, grande parte do cinturão cafeeiro no Vietnã recebeu acumulados de chuva de até 200 mm nos últimos 14 dias. Além disso, a previsão para as próximas duas semanas indica que o país deverá receber volumes acumulados entre 90 mm e 200 mm, o que configura o retorno da temporada chuvosa no país e deve contribuir para o desenvolvimento da safra 2024/25 do país. Como foi abordado em outras edições, a transição do El Niño para uma condição neutra seria favorável ao retorno das chuvas no país.
Vietnã: Acumulado dos últimos 14 dias e previsão acumulada para as próximas duas semanas (mm)

Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2024
Do ponto de vista dos fundamentos, esses são os fatores altistas e baixistas que podem impactar os preços nos próximos meses. Segue sendo um fator altista o cenário de oferta limitada de café robusta na Ásia e o período de entressafra no Vietnã, cuja colheita só deve iniciar em meados de novembro. Uma demanda aquecida pelo tipo robusta também é um fator positivo para os preços de café. Outro fator que pode atuar de forma altista é a entrada do inverno brasileiro e a possibilidade da chegada de ondas de frio, o que contribuiria para uma maior volatilidade dos preços, tendo em mente a memória da geada de 2021. Finalmente, a possibilidade da ocorrência de um La Niña no segundo semestre que, caso seja de forte intensidade, poderia impactar negativamente a florada no Brasil.
Por outro lado, se o La Niña for de fraca intensidade, isso teria um viés baixista já que o fenômeno não seria capaz de causar danos severos para a produção brasileira de café. O início da colheita no Brasil e no Indonésia teria um viés baixista para as cotações, já que aumentaria a oferta de café no mercado físico. Além disso, a perspectiva de um balanço de oferta e demanda (O&D) mais amplo em 2024/25, principalmente para o café arábica, tende a atuar de forma negativa para os preços. O USDA já iniciou a divulgação dos relatórios dos adidos nos países e divulgará o relatório final em meados de junho, que deve indicar um balanço mais confortável e atuar de forma baixista. Outro ponto é o consumo. Apesar dos expressivos volumes exportados nos primeiros meses de 2024, os resultados financeiros de algumas empresas apontaram para uma queda das vendas no primeiro trimestre do ano.
Projeção de variação na temperatura de superfície do Oceano Pacífico (em ºC)

Fonte: IRI/CPC, NOAA. *Média dos modelos estatísticos
Em divulgação recente, a Nestle reportou uma queda de 5,9% da receita em meio ao menor volume de vendas de café principalmente na América do Norte, que tiveram uma queda de 2,5% no primeiro trimestre do ano. De acordo com a companhia, uma demanda enfraquecida e problemas na cadeia de suprimentos são os motivos por trás das quedas. Em linha com essa tendência, os resultados da rede de cafeterias Starbucks apontaram para uma queda de 2% na receita líquida consolidada no primeiro trimestre do ano (segundo trimestre fiscal, conforme relatório da empresa). As vendas globais da empresa caíram 4%, sendo uma queda de 3% nos Estados Unidos e de 6% nos mercados internacionais, com as vendas na China recuando 11%. A empresa atribuiu a queda a um “ambiente operacional complexo”.
Na semana, será repercutido a divulgação dos dados de exportação no mês de abril pelo Cecafé. A expectativa é que o relatório aponte para mais um mês com exportações aquecidas em meio ao cenário global de oferta reduzida de café robusta, principalmente. Os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicaram que o Brasil exportou 3,8 milhões de sacas até a quarta semana de abril, o que representa um aumento de 66% se comparado com abril de 2023. Além disso, nas próximas semanas, os participantes do mercado ficarão de olho nos dados climáticos no Vietnã e no início da colheita no Brasil.
TABELA DE INDICADORES





