em alta
• Café arábica avançou 3% na semana em Nova Iorque, fechando em US₵ 206,6/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta avançaram 2% para USD 3518/t
• Dólar tem queda de 1% para USDBRL 5,10 na semana
• Indicador Cepea para o café arábica registra alta de 3%, cotado a R$ 1.155,64/sc
• Indicador Cepea de café robusta avançou 4% para R$ 977,21/saca
• Clima no Vietnã e colheita no Brasil são os focos de atenção do mercado
• Brasil exportou 4,22 milhões de sacas de café em abril (+53,3%)
• USDA: produção deve avançar 0,3% na Costa Rica e 0,9% em El Salvador
• Departamento americano reduz projeção no México em 23/24
• Produção na Indonésia deve recuperar 42% para 10,9 milhões de sacas
Consideração a volatilidade observada nas semanas anteriores, os preços na última semana podem ser considerados relativamente estáveis, enquanto houve a predominância de fatores técnicos e dos agentes especulativos, com um cenário praticamente inalterado no campo dos fundamentos. Em Nova Iorque, o contrato mais ativo terminou a semana com ganhos de 3%, fechando a sexta-feira (17) cotado em US₵ 206,6/lb. Em Londres, os preços seguiram uma tendência similar, fechando a semana com alta de 2% para USD 3518/ton.
No mercado doméstico brasileiro, os preços seguiram as movimentações observadas no exterior e terminaram a semana com ganhos. O Indicador Cepea para o café arábica apresentou um avanço de 3% na semana, fechando a sexta-feira (17) cotado em R$ 1.155,64/saca. Para o café robusta, o indicador apontou para um incremento um pouco maior de 4%, para R$ 977,21/saca. Nesse período, o dólar apresentou uma queda de 1% para USDBRL 5,10.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 13/05 a 17/05

Considerando os fundamentos, o foco dos participantes do mercado segue sendo as condições climáticas no Vietnã, o início da colheita no Brasil e as divulgações dos relatórios do USDA com as produções dos países. Como será abordado a frente, o órgão americano divulgou na última semana os relatórios referentes a produção na Costa Rica, El Salvador, Indonésia e México. Além desses fatores, o clima no inverno brasileiro e a perspectiva do retorno do La Niña no segundo semestre do ano também são monitorados de perto pelos agentes.
Com relação ao clima no Vietnã, como apresentamos nas últimas semanas, houve o retorno das chuvas no cinturão cafeeiro do país. No entanto, apesar dos volumes de até 200 em algumas regiões, parte do país ainda tem o acumulado de chuva nos últimos 30 dias abaixo da média histórica para o período, o que indica que volumes mais expressivos de chuva são necessários para garantir um adequado desenvolvimento da safra do país. Para os próximos dias, os modelos têm apontado para bons volumes acumulados de chuva em praticamente todo o país asiático.
Acumulado dos últimos 30 dias frente a média histórica (%) e previsão acumulada de chuva para os próximos 14 dias

Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2024
Com relação a colheita no Brasil, como de costume, o ritmo de colheita nas regiões de café robusta, principalmente no estado de Rondônia, segue mais avançado que nas regiões de arábica. Existem vários relatos de que os primeiros lotes da nova safra estão apresentando uma peneira menor e uma qualidade inferior. Além disso, alguns produtores no Espírito Santo e na Bahia relataram que o rendimento está sendo inferior ao esperado. Apesar de ainda ser cedo para afirmar que existem problemas sérios com a nova safra do Brasil, este segue sendo um ponto de atenção para as próximas semanas.
Na última semana, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) divulgou o relatório das exportações em abril. De acordo com o conselho, o Brasil exportou 4,22 milhões de sacas em abril, o que representa um aumento de 53,3% se comparado com o mesmo mês de 2023. Destas, foram quase 677 mil sacas de café robusta (+445%), 3,22 milhões de sacas de café arábica (+40%), 1,9 mil sacas de café torrado e moído (-56%) e 318,7 mil sacas de café solúvel (-1,8%). A receita das exportações totalizou quase 4,8 bilhões de reais, valor 55,9% maior que em abril de 2023. O forte incremento das exportações brasileiras de café, principalmente para o café robusta, é reflexo do cenário de oferta reduzida na Ásia e maior competitividade do café brasileiro.
Previsões probabilísticas de La Niña/El Niño

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Como comentado acima, o USDA divulgou o relatório attaché com suas estimativas para a produção de alguns países. Para a Costa Rica, o departamento projeta um incremento de 0,3% na produção do país em 2024/25, que deve alcançar 1,185 milhões de sacas. O consumo deve avançar 1,2% para 420 mil sacas e as exportações deve totalizar 975 mil sacas (+0,3%). Em El Salvador, a produção deve avançar 0,9% para 560 mil sacas, o consumo 1,4% para 299 mil sacas e as exportações devem alcançar 525 mil sacas em 2024/25.
O USDA reduziu em 6% sua projeção para a produção mexicana de café em 2023/24, indo de 4,09 para 3,86 milhões de sacas. Para a temporada 2024/25, o Departamento projeta a produção do país em 3,89 milhões de sacas, avançando 0,9% se comparado com a safra anterior. O consumo do país deve permanecer estável, totalizando 3,1 milhões de sacas. Já as exportações do país devem avançar 3,4% na próxima temporada para 2,75 milhões de sacas. Ainda de acordo com o USDA, as importações totais de café do México devem avançar 3,8% para 1,94 milhões de sacas. Em 2023, o México foi a 18º destino para as exportações brasileiras de café, que totalizaram mais 616 mil sacas.
Junto com os problemas produtivos no Vietnã, a forte queda na produção da Indonésia na última temporada foi um dos principais fatores por trás dos avanços nos preços de café robusta no mundo. No último relatório, o USDA já indica uma forte recuperação da produção do país em 2024/25, cuja colheita é prevista para ter início entre os meses de maio e junho deste ano. Para a temporada 2023/24, o USDA reduziu sua estimativa para a produção do país em 21%, o que resulta uma queda de 35% na produção do país na última temporada para 7,65 milhões de sacas.
A produção de robusta foi a que mais sofreu com as adversidades do clima, com a agência reduzindo sua estimativa para o tipo em 25%, o resultou em uma queda de 40% na temporada passada, indo de 10,5 em 2022/23 para 6,3 milhões de sacas de café robusta em 2023/24. Para 2024/25, o relatório justifica que o clima favorável deve resultar em uma recuperação de 42% na produção indonésia, que deve totalizar 10,9 milhões de sacas, sendo que 87% dessa produção será de café robusta. O consumo de café deve permanecer estável totalizando 4,8 milhões de sacas e as exportações devem ter uma recuperação de 32% para 7,05 milhões de sacas.
TABELA DE INDICADORES





