• Café arábica avança 0,3% na semana em Nova Iorque, cotado a US₵ 225,00/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta subiram 2,4% para USD 4104/t
• Dólar avança 1,0% para USDBRL 5,43 na semana
• Indicador Cepea para o café arábica registra alta de 0,9%, cotado a R$ 1.352,29/sc
• Indicador Cepea de café robusta avança 1,1% para R$ 1.206,91/saca
• Clima segue de maneira geral adequado para safra brasileira
• Com aproximação do inverno, StoneX volta a publicar relatório de temperaturas mínimas
• NOAA reduz chances de ocorrência de La Niña no 2º semestre de 2024
• USDA projeta balanço com maior excedente em 2024/25
• Departamento americano se posiciona mais otimista para safras de robusta no Sudeste Asiático
• Equipe StoneX acompanha progresso da colheita, com atualizações de rendimento, aspecto e condições vegetativas
Na última semana, sem grandes mudanças do ponto de vista dos fundamentos e a espera da divulgação do relatório do USDA, os preços futuros de café arábica tiveram um pequeno avanço na semana, enquanto os preços de robusta ganharam força em meio ao cenário de oferta reduzida na Ásia. Na sexta-feira (21), os preços de café foram pressionados após a divulgação do relatório do USDA, que apontou para um maior excedente em 2024/25, como será abordado mais à frente.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo, com vencimento em setembro, avançou apenas 0,3% para US₵ 225,00/lb. No terminal londrino, mesmo com a queda na sexta-feira (21), os preços terminaram a semana com alta de USD 95/ton (2,4%) para USD 4104/ton. Neste período, o Dollar Index teve uma alta de 0,2% para 105,80 pontos e o par USDBRL teve um avanço de 1% para USDBRL 5,43.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 17/06 a 21/06

No mercado doméstico brasileiro, os preços seguiram a tendência internacional e avançaram na semana. O indicador Cepea para o café arábica apresentou um avanço de 0,9% na semana, fechando a sexta-feira (21) cotado em R$ 1352,29/saca. Para o café robusta o avanço foi um pouco maior de 1,1%, fechando a sexta cotado em R$ 1206,91/saca.
Do ponto de vista dos fundamentos, agora que foi divulgado o relatório do USDA, as atenções dos agentes se voltam para as condições climáticas e os possíveis impactos na produção da próxima temporada. Para o Vietnã, um regime de chuva adequado ainda é necessário para garantir um desenvolvimento adequado da safra 2024/25. Os últimos dados climáticos indicam que o parque cafeeiro do país recebeu volumes adequados de chuva nos últimos 30 dias, o que trouxe o acumulado das regiões no período para próximo ou acima da média história. Além disso, os modelos continuam apontando para volumes importantes de chuva para as próximas duas semanas.
No Brasil, existem dois grandes tópicos; o inverno brasileiro e a possibilidade do retorno do La Niña no segundo semestre. Com relação as temperaturas mínimas, chegou a ser repercutido no mercado a chegada de uma onda de frio, no entanto, os modelos indicam que as temperaturas mínimas não devem ser menores que 10 Cº em todo cinturão cafeeiro, o que torna improvável qualquer chance de dano nas próximas semanas. No entanto, qualquer notícia que indique a chega de novas ondas de frio pode atuar de forma altista para as cotações e contribuir para aumentar a volatilidade. Neste sentido, a StoneX retomou as publicações do relatório diário de previsão de temperaturas mínimas nas regiões cafeeiras, a fim de monitorar de perto as condições ao longo das próximas semanas.
Com relação ao La Niña, a ocorrência do fenômeno nos anos de 2020 e 2021 esteve ligado ao atraso das chuvas durante a florada do café, o que impactou negativamente a produção de 2021 e 2022. Mas a última atualização da agência americana NOAA reduziu a probabilidade da ocorrência do fenômeno de 80% para próximo de 50% a 60%, além disso os modelos reduziram a intensidade do fenômeno, que deverá ser de fraca intensidade por um curto período antes de retornar para uma condição neutra. Desta forma, não existe a expectativa de atraso das chuvas ou possíveis danos, o que pode atuar de forma baixista para as cotações, principalmente se ocorrer uma florada ampla no país.
Previsão probabilística e projeção de variação na temperatura de superfície do Oceano Pacífico (ºC)

Fonte: IRI/CPC, NOAA. *Média dos modelos estatísticos
Ademais, nas próximas semanas, os participantes do mercado acompanharão de perto as divulgações dos dados de exportação dos países, principalmente Brasil, Vietnã e Indonésia. A oferta reduzida de café robusta pode ser notada na queda das exportações nos países asiáticos e isso tem atuado de forma altista para as cotações de café, principalmente no terminal londrino.
USDA projeta balanço com maior excedente em 2024/25
Na última quinta-feira (20) o Departamento Americano de Agricultura (USDA, sigla em inglês), divulgou seu relatório com sua perspectiva para o mercado mundial de café em 2024/25. De acordo com o relatório, a produção mundial de café deve avançar 4,2% na próxima temporada e alcançar 176,2 milhões de sacas. A produção mundial de café arábica foi estimada em 99,8 milhões de sacas, o que representa um incremento de 4,4% se comparado com a última temporada. Para o café robusta, a produção deve avançar 3,9% para 76,4 milhões de sacas.
Com relação ao consumo, o departamento projetou um incremento de 1,8% para 170,6 milhões de sacas. Desta forma, na visão do USDA, o balanço global de café terá um excedente de 5,6 milhões de sacas na temporada 2024/25, substancialmente maior ao excedente visto em 2023/24, que foi estimado em 1,6 milhões de sacas. Desta forma, este relatório tem um viés baixista para as cotações de café. No entanto, existem divergências entre a perspectiva do USDA e de parte dos agentes para a produção no Vietnã e Indonésia em 2024/25.
USDA: Balanço de oferta & demanda e estoques finais (milhões de sacas)

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Para alguns players, a produção vietnamita de café será substancialmente menor a produção de 29 milhões de sacas que o USDA estimou. Para a Indonésia, o departamento projeta uma recuperação de mais de 33% para 10,9 milhões de sacas, volume que é contestado por parte dos agentes. Portanto, caso a produção destes países seja mesmo menor que a perspectiva do USDA, o balanço de oferta e demanda teria um excedente menor. O CoffeeNetwork estimou a produção de café entre 169 e 170 milhões de sacas e o consumo entre 166 e 167 milhões de sacas, o que resultaria em um balanço em 2024/25 com um excedente entre 2 e 4 milhões de sacas.
Ainda de acordo com o relatório do USDA, como reflexo do maior excedente na produção na próxima temporada, os estoques finais devem avançar 7,7% para 25,78 milhões de sacas, o que aumenta a relação entre o estoque e o uso de 14% para 15% na temporada 2024/25. Ademais o departamento projeta um aumento de 2,7% nas exportações mundiais de café, que devem alcançar 145,2 milhões de sacas.
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Acompanhamento de safra – Brasil
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Na última semana nossa equipe de campo esteve em contato com produtores, corretores, comerciantes e exportadores, com objetivo de monitorar o progresso da colheita em cada uma das regiões produtoras de café. Nestes contatos também foram obtidas outras informações, tais como rendimento, aspecto do café colhido, condições vegetativas e florada da safra 25/26.
O progresso da colheita segue muito próximo à média dos anos anteriores. Não há problemas significativos em relação a mão de obra e o clima seco tem contribuído para o processo de colheita na maioria das regiões. O grande problema para a colheita da safra 24/25, principalmente para o início da safra, foi a desuniformidade da maturação dos frutos, que ocorreu por consequência de várias floradas e intervalos longos de dias entre uma florada e outra. Outro fator que acentua essa diferença na desuniformidade da maturação dos frutos é que os grãos das primeiras floradas exercem uma competição maior por nutrientes e se desenvolvem mais rápido.
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Ritmo de colheita do café no Brasil
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Fonte: StoneX. Design: StoneX. * calculado a partir do ritmo de colheita da Conab.
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Essa diferença grande na maturação dos frutos dificultou a tomada de decisão do produtor em relação ao ponto ideal para início de colheita, e devido ao alto percentual de cafés verdes no início da colheita e grãos ainda não granados completamente, foi observado um baixo rendimento no benefício dos grãos e um aspecto ruim nos primeiros cafés colhidos. Já com avanço da colheita e diminuição de cafés verdes e mal granados, o aspecto e rendimentos melhoraram, mas não ao ponto de serem considerados bons até o momento.
Pelas informações recebidas até o momento, os indicativos são de que podemos ter uma safra de grãos pequenos. O percentual de grãos de peneira 17 acima, que é um parâmetro de safra com grãos grandes, está baixo do normal, chegando em torno de 12% a 15% no Cerrado, quando o normal é próximo dos 30% a 35%. Já no Sul de Minas a mesma peneira está entre 20% e 25%, também abaixo dos 40% a 45% que seriam próximos da normalidade para um ano de bom desenvolvimento dos frutos.
Os rendimentos até o momento para regiões de arábica vêm apresentando médias de 500 a 540 litros para uma saca beneficiada, com o robusta marcando um rendimento médio de 400 a 435 litros. Vale destacar que estes são números parciais, e que devem sofrer mudanças até o final da colheita, quando faremos um novo levantamento mais detalhados e em um momento mais assertivo para coleta desses dados.
Em relação a condições vegetativas das lavouras, de forma geral temos verificado uma situação positiva. As regiões de robustas estão se aproximando do fim da colheita, e já de olho na florada, a primeira floração do robusta deve acontecer no final de julho ou início de agosto, a depender de clima.
Nas áreas de arábica, em algumas das regiões como Matas de Minas e Sul de Minas, lavouras novas e lavouras voltando de podas, apresentam uma indução de gemas florais, caso tenhamos chuvas e temperaturas mais elevadas que as normais para período que estamos, as floradas podem ocorrer mais cedo.

Fonte: StoneX. Sul de Minas Gerais.
TABELA DE INDICADORES





