• Café arábica recuou 0,3% na semana em Nova Iorque, cotado a US₵ 230,25/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta avançaram 1,8% para USD 4162/t
• Indicador Cepea para o café arábica registra queda de 1,7%, cotado a R$ 1.402,89/saca
• Indicador Cepea de café robusta avançou 2,1% para R$ 1.287,13/saca
• Oscilações nas previsões climáticas trouxeram grande volatilidade na semana
• Prévia das exportações brasileiras indicam forte aumento nos embarques de café em julho
• Intensificação da frente fria eleva temor por nova geada e danos na produção brasileira
• Geadas localizadas foram registradas no Cerrado e Mogiana. Danos foram limitados.
• Temperaturas baixas na madrugada da terça-feira (13) apresenta maiores riscos para o Sul de Minas
Na última semana, os preços futuros de café foram marcados por uma grande volatilidade provocado pela previsão da aproximação de duas frentes frias no Brasil. Seguindo a tendência baixista da semana anterior, a primeira sessão da semana na segunda-feira (05) foi marcada por uma forte queda nos preços de café. No entanto, os modelos de previsão passaram a indicar ainda na segunda-feira a chegada de duas frentes frias que derrubariam as temperaturas no Brasil.
Apesar de os modelos até então não indicarem a possibilidade da ocorrência de geada nas regiões produtoras, os preços de café reagiram de forma muito intensa nas sessões da terça e quarta-feira, quando as cotações de café arábica chegaram a avançar 865 (+3,8%) e 905 (+3,9%) pontos, respectivamente. Depois de fechar a sessão da quarta-feira (07) cotado em US₵ 242,00/lb, maior patamar desde meados de julho, os preços voltaram a cair na quinta e de forma ainda mais intensa na sexta-feira (09).
No balanço semanal, a tela mais ativa do café arábica teve um avanço de apenas 0,3%, fechando a sexta-feira (09) cotado em US₵ 230,25/lb. Em Londres, apesar de apresentar uma grande volatilidade, assim como no terminal Nova Iorquino, os preços futuros de café robusta terminaram a semana em alta, fechando a sexta-feira (09) cotado em USD 4162/ton (+1,8%). No mercado doméstico brasileiro, os preços de café arábica recuaram 1,7% na semana, segundo indicador Cepea, para R$ 1402,89/saca. Já o indicador para o café robusta acompanhou o movimento da bolsa de Londres para avançar 2,1% no período, cotado a R$ 1287,13/saca.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 05/08 a 09/08

O principal fator por trás das quedas fortes da quinta e sexta-feira foi o arrefecimento das preocupações dos agentes em relação ao clima, tendo em vista que os modelos estavam apontando para a queda nas temperaturas, mas que não trariam riscos para as principais regiões produtoras de café. Outro ponto que atuou de forma negativa para os preços é a expectativa que o Cecafé reportará um grande volume exportado em julho, no relatório que será divulgado nesse segunda-feira (12). Os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontaram para um aumento de 44% para 3,37 milhões de sacas. O expressivo aumento nas exportações brasileiras de café dá suporte a um sentimento de maior oferta no maior produtor e exportador mundial de café.
Intensificação da frente fria eleva temor por nova geada e danos na produção brasileira
Apesar do fechamento da última semana em retração, as alterações que passaram a ser observadas nos modelos de previsão de temperaturas ao longo do final de semana, com redução nas temperaturas e registro de geadas localizadas, o que elevou significativamente as preocupações com uma possível geada mais ampla nesse início de semana. Como resultado, as cotações abriram em forte alta nessa segunda-feira (12), com a tela de dezembro/24 tendo terminado o pregão cotado a US₵ 238,55/lb, avanço diário de 3,6%. Nesse cenário, aprofundaremos a respeito dos dois principais questionamentos que têm sido feitos pelos agentes desde ontem: Os danos do clima no último final de semana foram significativos? E quais são os riscos de novos impactos da frente fria nos próximos dias?
Desde sexta-feira, 9 de agosto de 2024, no Brasil, está ocorrendo um evento diferencial que gerou uma redução significativa das temperaturas após alguns meses caracterizados por seca e temperaturas acima do normal. Geralmente, no mês de agosto, há uma baixa ocorrência de geadas, mas o surgimento de frentes frias seguidas de uma massa polar muito forte está provocando surpresa no meio cafeeiro. No sábado, 10 de agosto, uma primeira frente fria trouxe umidade para o Sudeste do Brasil, com algumas chuvas ligeiras registradas de forma localizada no Sul de Minas Gerais e Matas de Minas. No domingo, 11 de agosto, os registros das estações do INMET para as áreas cafeeiras mostraram que a temperatura caiu mais de cinco graus em relação ao dia 10/08 em muitas áreas cafeeiras. A queda das temperaturas afetou significativamente o café no Paraná e em São Paulo.
Por outro lado, as reduções mais inesperadas foram registradas pelo INMET em Maria da Fé (Sul de Minas), onde a temperatura mínima caiu de 13°C em 10/08 para -0,5°C em 11/08, e em Patrocínio (Cerrado), que caiu de 12,5°C em 10/08 para 1,6°C em 11/08. Esta situação provocou geadas localizadas especialmente nas áreas com maior altitude do Cerrado mineiro e alta Mogiana em São Paulo, onde se formou apenas uma camada fina de gelo sobre as folhas superiores. O time de campo da StoneX visitou uma série de municípios produtores nas áreas de Mogiana e Sul de Minas entre o domingo e essa segunda-feira, onde não foram verificados grandes danos nas lavouras.
Segundo a previsão numérica do modelo ETA 0,8 km, da noite do dia 12 para a madrugada do dia 13, a frente fria se intensificará no sul do Brasil, e as temperaturas abaixo de zero estarão presentes nessa região a partir das 21h dessa noite (horário de Brasília). Às 03h da terça-feira (13), a frente fria chegará ao sul de São Paulo, e a queda de temperatura nas regiões cafeeiras estará em torno de 4 a 6°C. Já às 06h, a queda será bem expressiva na fronteira entre São Paulo e Minas Gerais, em locais pontuais, pode chegar entre 2 e 4°C.
Previsão de temperaturas mínimas no Sudeste e Sul do Brasil em 13 de agosto (°C)

Fonte: INPE.
Segundo estudo do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), temperaturas críticas abaixo (-1 e 2 °C) são letais para as folhas do cafeeiro, e quanto maior for a queda de temperatura e a duração das temperaturas baixas, mais graves e extensos serão os danos. Lembremos que a maioria dos cafezais tem as gemas florais formadas, que são estruturas delicadas, e as baixas temperaturas ou geadas leves podem causar necrose (morte celular) nas gemas. Geadas severas podem matar as gemas completamente, levando a uma perda total da produção em algumas áreas. Também existe a possibilidade de danificar os ramos, impactando o vigor da planta.
A princípio, passada a madrugada mais gelada dessa terça (13), onde há um risco mais elevado de impactos em algumas áreas, as temperaturas tendem a aos poucos voltarem a se elevar. Caso não haja registros de geadas em áreas amplas nessa madrugada, as preocupações tendem a diminuir.
Todavia, vale destacar que as temperaturas baixas dos últimos dias contribuíram para elevar o estresse que as plantas vêm enfrentando nesse momento. Junto disso, as previsões de precipitações ainda são escassas até o final do mês, o que deve seguir como fator de atenção e manter algum suporte às cotações.
Atualização de Farmer Selling
O mercado de café segue se mostrando desafiador. Atualmente, estamos enfrentando um cenário de balanço ajustado entre oferta e demanda, problemas de produção em diversas origens e adversidades climáticas cada vez mais frequentes para a cultura. Adicionalmente, o ambiente macroeconômico tem tido maior peso sobre as commodities nas últimas semanas, com o sentimento de aversão ao risco e oscilações cambiais mais intensas elevando a ainda mais a volatilidade e complexidade do mercado brasileiro.
No Brasil, os produtores têm participado ativamente do mercado, mas observa-se uma postura mais cautelosa por parte dos produtores de arábica, especialmente em relação às vendas futuras. Em contrapartida, os produtores de robusta têm registrado boas produções e preços favoráveis ao longo dos últimos três anos, o que lhes proporciona uma condição mais vantajosa para negociar no mercado.
Abaixo, segue levantamento realizado pela StoneX, com o percentual médio das vendas pelos produtores em algumas das principais regiões produtoras do país:
% de vendas pelo produtor por safra

Fonte: StoneX. Elaboação: StoneX.
TABELA DE INDICADORES




