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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Futuros de café são marcados por grande volatilidade na semana
 
Fernando Maximiliano 
 
Carolina Jaramillo
 
Leonardo Rossetti
 
 
 
Preocupação com a possibilidade da ocorrência de geada em áreas de café deve influenciar as cotações ao longo dessa semana
Resumo

•    Café arábica recuou 0,3% na semana em Nova Iorque, cotado a US₵ 230,25/lb
•    Na bolsa de Londres, os preços do café robusta avançaram 1,8% para USD 4162/t
•    Indicador Cepea para o café arábica registra queda de 1,7%, cotado a R$ 1.402,89/saca
•    Indicador Cepea de café robusta avançou 2,1% para R$ 1.287,13/saca
•    Oscilações nas previsões climáticas trouxeram grande volatilidade na semana
•    Prévia das exportações brasileiras indicam forte aumento nos embarques de café em julho
•    Intensificação da frente fria eleva temor por nova geada e danos na produção brasileira
•    Geadas localizadas foram registradas no Cerrado e Mogiana. Danos foram limitados.
•    Temperaturas baixas na madrugada da terça-feira (13) apresenta maiores riscos para o Sul de Minas

 

Na última semana, os preços futuros de café foram marcados por uma grande volatilidade provocado pela previsão da aproximação de duas frentes frias no Brasil. Seguindo a tendência baixista da semana anterior, a primeira sessão da semana na segunda-feira (05) foi marcada por uma forte queda nos preços de café. No entanto, os modelos de previsão passaram a indicar ainda na segunda-feira a chegada de duas frentes frias que derrubariam as temperaturas no Brasil. 

Apesar de os modelos até então não indicarem a possibilidade da ocorrência de geada nas regiões produtoras, os preços de café reagiram de forma muito intensa nas sessões da terça e quarta-feira, quando as cotações de café arábica chegaram a avançar 865 (+3,8%) e 905 (+3,9%) pontos, respectivamente. Depois de fechar a sessão da quarta-feira (07) cotado em US₵ 242,00/lb, maior patamar desde meados de julho, os preços voltaram a cair na quinta e de forma ainda mais intensa na sexta-feira (09). 

No balanço semanal, a tela mais ativa do café arábica teve um avanço de apenas 0,3%, fechando a sexta-feira (09) cotado em US₵ 230,25/lb. Em Londres, apesar de apresentar uma grande volatilidade, assim como no terminal Nova Iorquino, os preços futuros de café robusta terminaram a semana em alta, fechando a sexta-feira (09) cotado em USD 4162/ton (+1,8%). No mercado doméstico brasileiro, os preços de café arábica recuaram 1,7% na semana, segundo indicador Cepea, para R$ 1402,89/saca. Já o indicador para o café robusta acompanhou o movimento da bolsa de Londres para avançar 2,1% no período, cotado a R$ 1287,13/saca.

Intraday semanal (contrato mais ativo) – 05/08 a 09/08 

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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

O principal fator por trás das quedas fortes da quinta e sexta-feira foi o arrefecimento das preocupações dos agentes em relação ao clima, tendo em vista que os modelos estavam apontando para a queda nas temperaturas, mas que não trariam riscos para as principais regiões produtoras de café. Outro ponto que atuou de forma negativa para os preços é a expectativa que o Cecafé reportará um grande volume exportado em julho, no relatório que será divulgado nesse segunda-feira (12). Os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontaram para um aumento de 44% para 3,37 milhões de sacas. O expressivo aumento nas exportações brasileiras de café dá suporte a um sentimento de maior oferta no maior produtor e exportador mundial de café.

Intensificação da frente fria eleva temor por nova geada e danos na produção brasileira

Apesar do fechamento da última semana em retração, as alterações que passaram a ser observadas nos modelos de previsão de temperaturas ao longo do final de semana, com redução nas temperaturas e registro de geadas localizadas, o que elevou significativamente as preocupações com uma possível geada mais ampla nesse início de semana. Como resultado, as cotações abriram em forte alta nessa segunda-feira (12), com a tela de dezembro/24 tendo terminado o pregão cotado a US₵ 238,55/lb, avanço diário de 3,6%. Nesse cenário, aprofundaremos a respeito dos dois principais questionamentos que têm sido feitos pelos agentes desde ontem: Os danos do clima no último final de semana foram significativos? E quais são os riscos de novos impactos da frente fria nos próximos dias?

Desde sexta-feira, 9 de agosto de 2024, no Brasil, está ocorrendo um evento diferencial que gerou uma redução significativa das temperaturas após alguns meses caracterizados por seca e temperaturas acima do normal. Geralmente, no mês de agosto, há uma baixa ocorrência de geadas, mas o surgimento de frentes frias seguidas de uma massa polar muito forte está provocando surpresa no meio cafeeiro. No sábado, 10 de agosto, uma primeira frente fria trouxe umidade para o Sudeste do Brasil, com algumas chuvas ligeiras registradas de forma localizada no Sul de Minas Gerais e Matas de Minas. No domingo, 11 de agosto, os registros das estações do INMET para as áreas cafeeiras mostraram que a temperatura caiu mais de cinco graus em relação ao dia 10/08 em muitas áreas cafeeiras. A queda das temperaturas afetou significativamente o café no Paraná e em São Paulo. 

Por outro lado, as reduções mais inesperadas foram registradas pelo INMET em Maria da Fé (Sul de Minas), onde a temperatura mínima caiu de 13°C em 10/08 para -0,5°C em 11/08, e em Patrocínio (Cerrado), que caiu de 12,5°C em 10/08 para 1,6°C em 11/08. Esta situação provocou geadas localizadas especialmente nas áreas com maior altitude do Cerrado mineiro e alta Mogiana em São Paulo, onde se formou apenas uma camada fina de gelo sobre as folhas superiores. O time de campo da StoneX visitou uma série de municípios produtores nas áreas de Mogiana e Sul de Minas entre o domingo e essa segunda-feira, onde não foram verificados grandes danos nas lavouras.

Segundo a previsão numérica do modelo ETA 0,8 km, da noite do dia 12 para a madrugada do dia 13, a frente fria se intensificará no sul do Brasil, e as temperaturas abaixo de zero estarão presentes nessa região a partir das 21h dessa noite (horário de Brasília). Às 03h da terça-feira (13), a frente fria chegará ao sul de São Paulo, e a queda de temperatura nas regiões cafeeiras estará em torno de 4 a 6°C. Já às 06h, a queda será bem expressiva na fronteira entre São Paulo e Minas Gerais, em locais pontuais, pode chegar entre 2 e 4°C.

Previsão de temperaturas mínimas no Sudeste e Sul do Brasil em 13 de agosto (°C)

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Fonte: INPE.

Segundo estudo do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), temperaturas críticas abaixo (-1 e 2 °C) são letais para as folhas do cafeeiro, e quanto maior for a queda de temperatura e a duração das temperaturas baixas, mais graves e extensos serão os danos. Lembremos que a maioria dos cafezais tem as gemas florais formadas, que são estruturas delicadas, e as baixas temperaturas ou geadas leves podem causar necrose (morte celular) nas gemas. Geadas severas podem matar as gemas completamente, levando a uma perda total da produção em algumas áreas. Também existe a possibilidade de danificar os ramos, impactando o vigor da planta. 

A princípio, passada a madrugada mais gelada dessa terça (13), onde há um risco mais elevado de impactos em algumas áreas, as temperaturas tendem a aos poucos voltarem a se elevar. Caso não haja registros de geadas em áreas amplas nessa madrugada, as preocupações tendem a diminuir. 

Todavia, vale destacar que as temperaturas baixas dos últimos dias contribuíram para elevar o estresse que as plantas vêm enfrentando nesse momento. Junto disso, as previsões de precipitações ainda são escassas até o final do mês, o que deve seguir como fator de atenção e manter algum suporte às cotações.

Atualização de Farmer Selling

O mercado de café segue se mostrando desafiador. Atualmente, estamos enfrentando um cenário de balanço ajustado entre oferta e demanda, problemas de produção em diversas origens e adversidades climáticas cada vez mais frequentes para a cultura. Adicionalmente, o ambiente macroeconômico tem tido maior peso sobre as commodities nas últimas semanas, com o sentimento de aversão ao risco e oscilações cambiais mais intensas elevando a ainda mais a volatilidade e complexidade do mercado brasileiro.

No Brasil, os produtores têm participado ativamente do mercado, mas observa-se uma postura mais cautelosa por parte dos produtores de arábica, especialmente em relação às vendas futuras. Em contrapartida, os produtores de robusta têm registrado boas produções e preços favoráveis ao longo dos últimos três anos, o que lhes proporciona uma condição mais vantajosa para negociar no mercado.
Abaixo, segue levantamento realizado pela StoneX, com o percentual médio das vendas pelos produtores em algumas das principais regiões produtoras do país:

% de vendas pelo produtor por safra

image 98811

Fonte: StoneX. Elaboação: StoneX.

 

TABELA DE INDICADORESimage 98812

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
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  • Café

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10 de agosto – Os mercados globais de commodities e a economia permanecem em risco em meio a duas guerras nesta manhã. As tensões continuam a escalar tanto no Oriente Médio quanto no Mar Negro – ameaçando arrastar outros países para os conflitos. As ações estão em leve queda nesta manhã à medida que iniciamos uma semana de negociações na qual veremos dados-chave de inflação e vendas no varejo após um relatório de empregos fraco na última sexta-feira. Ainda assim, as ações continuam a ser negociadas logo abaixo dos níveis recordes, com o VIX sendo negociado perto das mínimas de 2026, logo acima de 15. O dollar index está sendo negociado perto de 99,7. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,68%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,23%. Os mercados de energia e de alimentos estão mais firmes hoje em meio aos riscos elevados. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 80, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 85 por barril. Ganhos de dois dígitos nos mercados de trigo de inverno lideram a alta dos preços de grãos e oleaginosas.

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Mike Castle
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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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