• Café arábica avançou 6,0% na semana em Nova Iorque, cotado a US₵ 244,10/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta avançaram 7,0% para USD 4452/t
• Indicador Cepea para o café arábica registrou alta de 1,5%, cotado a R$ 1424,43/sc
• Indicador Cepea de café robusta avançou 2,9% para R$ 1324,62/saca
• Passagem de massa polar provocou geada e deu suporte aos preços de café
• Equipe StoneX visita regiões atingidas pela geada em São Paulo, Cerrado e Sul de Minas
• Foco do mercado seguirá sendo o clima e a abertura da florada no Brasil
• Exportações brasileiras avançaram quase 26% em julho
• Clima seco dos últimos meses tem impactado negativamente as lavouras
Na última semana, a passagem de uma massa polar, que derrubou as temperaturas nas regiões produtoras de café do Brasil no início da semana e provocou geadas localizadas, como será detalhado abaixo, atuou de forma altista para as cotações de café tanto no terminal americano como no britânico. Conforme será analisado abaixo, após a passagem da massa polar, a condição de clima seco tem gerado preocupações e atuado de forma altista para as cotações.
Considerando a variação semanal, a tela mais ativa do café arábica teve um avanço de 6,0%, fechando a sexta-feira (16) cotado em US₵ 244,10/lb. Em Londres, assim como no terminal Nova Iorquino, os preços futuros de café robusta terminaram a semana com uma alta de 7,0%, fechando a sexta-feira (09) cotado em USD 4452/ton. No mercado doméstico brasileiro, os preços tiveram um avanço menos intenso em meio à queda de 0,6% do dólar. O Indicador Cepea para o café arábica avançou 1,5% para R$ 1424,43/saca e o indicador para o café robusta 2,9% para R$ 1324,62/saca.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 12/08 a 16/08

Do ponto de vista dos fundamentos, o clima continuará sendo o grande centro das atenções do mercado. Com a florada mais avançada nas regiões produtoras de café robusta e em evolução nas regiões produtoras de arábica, o retorno adequado das chuvas é essencial para garantir o adequado desenvolvimento da safra 2025/26. Para as regiões de robusta no Espírito Santo e Bahia, o maior risco está relacionado à ocorrência de altas temperaturas, tendo em vista que a maior parte das lavouras conta com o uso de sistemas de irrigação. Para as regiões produtoras de arábica, além da temperatura elevada, o atraso no retorno das chuvas também é crítico, já que a maior parte das lavouras não tem sistemas de irrigação implantados. Para mais detalhes sobre as perspectivas para o clima leia a última edição deste relatório.
Por outro lado, a divulgação dos dados de exportação no Brasil, que apontou para um avanço de 25,7% nas exportações brasileiras em julho, tem um viés baixista para as cotações pois alimenta o sentimento de maior oferta no Brasil. Os dados do Cecafé mostraram que o Brasil exportou 3,77 milhões de sacas em julho, representando o incremento de 25,7%. As exportações de café robusta avançaram mais de 82% para 900,8 mil sacas e as exportações de arábica 13% para 2,49 milhões de sacas. As exportações de café industrializado também avançaram mais de 26% para 382 mil sacas. A receita total das exportações teve um avanço de mais de 70% para quase 5,2 bilhões de reais. Com o desempenho, as exportações acumuladas em 2024 já ultrapassaram 28 milhões de sacas (+46%), sendo que o café robusta totalizou quase 5,2 milhões de sacas (+314%) e o café arábica 20,7 milhões de sacas (+31%).
Exportações brasileiras de café (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Equipe StoneX visita as lavouras em São Paulo, Cerrado e Sul de Minas
A massa polar que chegou em algumas regiões deixou as madrugadas geladas entre os dias 11 e 15 de agosto, provocando a ocorrência de uma leve geada, que atingiu algumas áreas de café no Sul de Minas, Cerrado, São Paulo. Dentre os dias com as menores temperaturas a madrugada do domingo (11) foi a mais fria e favoreceu a formação de geada em algumas áreas de café. Foram constatados danos físicos nas lavouras, no entanto, o percentual das áreas atingidas pela geada é pequeno.
O fenômeno atingiu pontualmente algumas áreas de café em cada uma das três regiões citadas, com o Cerrado tendo o maior percentual da área atingida e com danos mais severos. Patrocinio e Serra do Salitre foram os municípios no cerrado mineiro que tiveram maior incidência da geada. Os danos observados nas regiões de São Paulo e Sul de Minas foram pontuais e uma intensidade menor. Desta forma, considerando o potencial produtivo dessas regiões, o impacto foi muito pequeno.
Apesar dos danos causados pela geada nas lavouras serem de forma geral pequenos, é necessário se atentar aos efeitos do frio sobre as gemas florais que já estão bem desenvolvidas e foram expostas a temperaturas muito baixas por alguns dias. Em 2021, além do impacto da geada, a exposição das plantas a temperaturas baixas por um período prolongado impactou negativamente a florada daquele ano. As temperaturas observadas na última semana não foram tão baixas como em 2021, mas será necessário monitorar o desenvolvimento da florada nas próximas semanas para entender o possível impacto do frio nas flores.
Em visita nas regiões do Sul de Minas, Cerrado e São Paulo para monitorar os danos causados pela geada, também foi observado a condição vegetativa do parque cafeeiro. Já foram observados sinais de desfolhas nas lavouras causado pelas condições adversas de clima, a perda das folhas foi mais acentuada nos municípios ou microrregião mais quentes. Meses de junho e julho tiveram temperaturas elevadas acima da média para o período o que reduziu o estoque de água no solo, somado à chegada de ondas de frio, as lavouras já manifestam sinais mais acentuados de depauperamento e possível perda de potencial produtivo. Portanto, é essencial o retorno das chuvas nas próximas semanas.
Clima seco tem caracterizado o mês de agosto e chuvas só devem retornar em meados de setembro
Agosto geralmente é um mês quente e seco e, até o momento, a precipitação acumulada nos últimos 14 dias para as regiões cafeeiras no sul do Espírito Santo e em Minas Gerais como um todo, tem sido extremamente limitada (oscilando 5-10 mm) em comparação com os valores históricos. Por exemplo, nas Matas de Minas, municípios como Espera Feliz e Simonésia deveriam registrar 28 e 31 mm/mês, respectivamente, enquanto no sul de Minas Gerais, Machado e Alfenas geralmente recebem entre 31 e 25 mm/mês de precipitação. No entanto, esses volumes não têm se materializado. Para a semana de 19 a 23 de agosto, o sudeste do Brasil enfrentará mais uma onda de calor, com temperaturas mínimas e máximas ficando entre 5 ºC e 7 ºC acima da média. Esse fenômeno estabelecerá um bloqueio atmosférico, que manterá novamente o tempo quente e seco durante a semana.
Chuva acumulados nos últimos 14 dias e previsão para as próximas duas semanas (mm)

Fonte: StoneX.
A previsão do Índice Integrado de Seca (IIS3) do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) para este mês indica que as regiões do Cerrado e Sul de Minas variam entre seca severa e extrema, enquanto no Espírito Santo a situação oscila entre seca moderada e severa. Em outras palavras, o déficit de chuvas, a umidade do solo e a condição da vegetação estão em estado crítico após três meses consecutivos de déficit, situação que aumentará o estresse das lavouras, especialmente as reprodutivas.
Cemaden: Previsão para o índice integrado de seca

Fonte: Cemaden/MCTI.
Previsões dos modelos americanos e europeus indicam, para o fim de semana até o início da última semana de agosto, a passagem de uma frente fria que pode alcançar a região da Mogiana, em São Paulo, e o sul de Minas, mudando o tempo, reduzindo as temperaturas e esfriando as regiões. Essa frente fria poderá trazer uma umidade passageira, mas não significativa. Chuvas regulares para a região cafeeira estão previstas apenas para meados de setembro, mas ainda devem ser confirmadas, e sua distribuição, assim como os volumes expressivos, poderão ser observados quando La Niña estiver completamente consolidada.
Os modelos também preveem o surgimento de uma massa polar no sul do Brasil a partir de 23/08, que poderá se estender até o estado do Paraná e Mogiana, reduzindo drasticamente as temperaturas. Existem divergências entre os modelos consultados quanto à possibilidade de que essa massa atinja as áreas cafeeiras de altitude no Cerrado e no Sul de Minas, e sua intensidade vai depender da frente fria e da umidade que fica na atmosfera, as quais serão monitoradas. Entretanto, o cenário é que estes eventos tenham uma passagem rápida pelo continente.
Em suma, pelo que observamos dos modelos até o momento, os riscos de quedas de temperaturas críticas para as próximas semanas é baixo, não devendo ser piores que o observado entre os dias 11 e 13 de agosto. Todavia, as perspectiva de demora da chegada das chuvas ainda se mostra bastante preocupante para o potencial produtivo da safra brasileira, o que tende a seguir fornecendo suporte às cotações principalmente do café arábica.
TABELA DE INDICADORES






