• Mercado de café recua com chegada de chuvas em municípios produtores
• Contrato de café em Nova Iorque recua 3,4%, cotado em US¢ 250,75/lb
• Preços futuros de robusta recuaram 3,9% para USD 5059/ton
• Dólar recua 0,8%, favorecendo a moeda brasileira frente ao corte de juros
• No Brasil preços de café robusta superam arábica pela terceira vez desde 2016
• União Europeia é pressionada a adiar a implementação da EUDR
• Conab reduz estimativa de produção brasileira de café para 2024/25 em 6,8%
• Chuva retorna ao cinturão cafeeiro, mas volume significativo esperado apenas em outubro
Na última semana, os preços futuros de café reagiram ao retorno, mesmo que localizado, da chuva em municípios produtores de café arábica no Sul de Minas Gerais e Cerrado mineiro, terminando a semana em baixa. Os preços iniciaram a semana suportados pelas preocupações com o clima seco no Brasil. No entanto, após os relatos da chegada da chuva em alguns municípios, os preços inverteram a tendência e terminaram a sexta com forte queda.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo, com vencimento em dezembro, terminou a sexta-feira (20) cotado em US¢ 250,75/lb, representando um recuo de 870 pontos (-3,4%). No terminal londrino, o recuo foi de USD 208/ton (-3,9%) para o vencimento de novembro, que fechou a semana cotado em USD 5059/ton. Durante a semana, o dólar teve um recuo de 0,8% para USDBRL 5,52 – o corte de 0.50 pp na taxa básica pelo Fed nos Estados Unidos e o aumento de 0.25 pp realizado pelo Banco Central do Brasil ampliou o diferencial de juros e favoreceu a moeda brasileira. Para mais detalhes leia o Panorama Semanal de Câmbio.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 16/09 a 20/09

No mercado doméstico brasileiro, os preços de café seguiram a tendência observada no exterior e recuaram. O indicador Cepea para o café arábica teve uma queda de 1,5% para R$ 1460,14/saca. Para o robusta, o indicador teve uma queda de 3,4% para R$ 1468,87/saca. Desde o fim do mês de agosto, os preços de café robusta estiveram na média 2% superiores aos preços de arábica, de acordo com os dados do Cepea. No entanto, a diferença, que chegou a alcançar R$ 51,9/saca (3,7%), diminuiu no final da última semana para R$ 8,73/saca (0,6%).
Essa é a terceira vez que o preço para o robusta ultrapassa o arábica, isso também aconteceu por um breve período em outubro de 2016 e janeiro de 2017, quando o Brasil enfrentava um choque de oferta de robusta devido à seca provocada pelo El Niño, que durou quase 3 anos (2014, 2015 e 2016). De acordo com dados do USDA, entre 2014 e 2016 a produção brasileira de robusta caiu de 17 para 10,5 milhões de sacas.
Diferença entre os preços de café robusta e café arábica (R$/saca)

Fonte: Cepea. Elaboração: StoneX.
A nova legislação da União Europeia contra o desmatamento, conhecida como EUDR, que proíbe a importação de produtos oriundos de áreas desmatadas e entrará em vigor em 2025, tem sido um dos assuntos de destaque no mercado de café. A nova legislação cria uma série de exigências para comprovação da origem dos produtos, o que pode dificultar ou até mesmo impedir a importação de produtos no bloco europeu. Para o café, o Brasil é tido com o país mais preparado para atender a nova legislação. Em entrevista ao Financial Times, o Presidente do Grupo Lavazza, Giuseppe Lavazza, alertou que caso a legislação seja implementada, os torradores europeus teriam que originar quase toda sua demanda de café do Brasil, pois o país seria o único preparado para a implementação da nova regra.
Do ponto de vista mercadológico, o impacto no curto/médio prazo tem sido uma corrida por parte dos importadores europeus para acumular estoques antes do fim de 2024, antes da legislação entrar em vigor. No entanto, existe uma grande pressão para que a União Europeia adie a implementação da lei. Além do café, a nova regra também impactaria outros produtos agrícolas exportados pelo Brasil para o bloco Europeu. Em setembro o governo brasileiro, através de uma carta enviada pelo Ministro da Agricultura, pediu o adiamento da lei, argumentando que a legislação representa uma séria preocupação para diversos setores exportadores do país. Outras organizações internacionais também estão solicitando o adiamento da lei.
Na última semana, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu em mais de 4 milhões de sacas (-6,8%) a sua estimativa para a produção brasileira em 2024/25, indo de 58,8 para 54,79 milhões de sacas. A produção de café arábica foi reduzida em 2,5 milhões de sacas (-6%) para 39,6 milhões de sacas. Para o robusta, a redução foi de 1,5 milhão de sacas (-9%) para 15,4 milhões de sacas. Com a nova estimativa, os dados da Conab apontam para uma queda de 0,5% se comparado com 2023/24. Apesar dos ajustes, a maior parte do mercado não concorda com as projeções da Conab.
Desde o ano passado, além dos problemas de produção no Vietnã e Indonésia, parte dos avanços nos preços podem ser atribuídos aos problemas logísticos provocados após a eclosão da guerra entre Israel e Hamas. Desde então, o grupo Iemenita Hutis, que apoia o Hamas, passou a atacar navios no mar vermelho, principal rota entre Ásia e Europa, o que obrigou os navios a mudarem a rota contornando o continente africano, o que provocou expressivos aumentos nos custos de frete marítimo. Recentemente, uma matéria divulgada pela Coffee Network, ressaltou que houve uma queda de 13% nos preços de frete marítimo se comparado com a semana anterior. Os dados indicam que os custos ainda seguem em níveis superiores ao patamar pré-covid, mas que podem indicar uma tendencia de retorno a normalidade.
Nas próximas semanas o foco continuará sendo a florada e o retorno das chuvas no Brasil. Além disso, os participantes ficarão de olho nas divulgações dos dados de exportações dos países no mês de setembro, que deverão ser publicadas no início do próximo mês. Com relação ao clima, o tempo nas áreas cafeeiras da região Sudeste, especialmente no Sul de Minas e no Cerrado, continua seco, mas com mais umidade após a chuva deste fim de semana. A baixa umidade persistirá, com um volume significativo de precipitação esperado para 29/09. No entanto, as chuvas regulares devem retornar após a segunda semana de outubro. Para mais informações leia o Relatório Semanal de Tempo e Clima, previsto para ser publicado amanhã (24) no portal de inteligência da StoneX.
TABELA DE INDICADORES






