• Café arábica recua 4,4% na bolsa de Nova York, cotado a US¢ 257,35/lb
• Cotações do café robusta caem 7,6%, para USD 5067/ton na bolsa de Londres
• Dólar avança 0,4% frente ao real
• Previsões de chuvas no Brasil pressionam as cotações do café durante a semana
• Comissão Europeia propõe adiar a lei antidesmatamento
• Exportações do Vietnã seguem fracas, mas receitas avançam significativamente
• Cecafé divulgará nessa semana dados de exportações do Brasil em setembro
A última semana foi de queda para o café arábica e o robusta, com o mercado realizando algumas correções após terem atingido níveis elevados na semana anterior. O contrato de dez/24 do café arábica caiu 4,4% na bolsa de Nova York, encerrando a US¢ 257,35/lb. Já o café robusta encerrou cotado a USD 5067/ton na bolsa de Londres, uma queda semanal de 7,6%. Além do movimento técnico de correção, que normalmente ocorre após altas intensas, dois fatores principais contribuíram para as quedas.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 30/09 a 04/10

Primeiramente, o clima, que já influencia os preços há algumas semanas, apresentou uma perspectiva de condições mais amenas e úmidas nas regiões produtoras. A chegada da umidade ao cinturão cafeeiro tende a reduzir os temores de que a próxima safra perca ainda mais potencial, embora parte já possa ter sido comprometida devido à seca no último mês.
Neste fim de semana, algumas chuvas já foram observadas em áreas localizadas. No entanto, os modelos de previsão indicam que, a partir do dia 10, os volumes devem aumentar em extensão e intensidade. Segundo o modelo de previsão Cosmos, espera-se a formação da primeira Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) do ano, com corredores de umidade vindos do Equador e da Amazônia, que devem impactar a região Sudeste. Acompanhe as atualizações diárias de previsão no interativo de Painéis Climáticos da StoneX. O boletim Semanal de Clima e Tempo, da próxima terça-feira (8), trará mais detalhes sobre o ocorrido nos últimos dias e as expectativas para este corredor de umidade.
As chuvas previstas continuam a impactar os preços no início desta semana, com o contrato mais ativo do café arábica na ICE recuando 4,1% na sessão de segunda-feira, fechando a US¢ 246,85/lb, o menor nível desde 12 de setembro. Essa tendência pode persistir conforme as chuvas forem registradas na segunda metade da semana.
Por outro lado, embora as chuvas tragam alívio às preocupações de curto prazo, é possível que os danos nas áreas com as primeiras florações sejam irreversíveis devido ao longo período seco após a florada. A equipe de campo da StoneX está avaliando o cenário e deve apresentar mais detalhes sobre os possíveis impactos no potencial produtivo nas próximas semanas.
Outra notícia importante foi a proposta da Comissão Europeia de adiar em 12 meses a implementação da Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR). A lei, inicialmente prevista para dezembro deste ano, exige que as empresas comprovem que suas exportações de commodities, como o café, não estão associadas ao desmatamento, com produtos devendo apresentar documentação e rastreabilidade.
A decisão foi uma resposta a pedidos de indústrias e governos, incluindo o Brasil, que alegam precisar de mais tempo para se adaptar às novas exigências. A proposta de adiamento ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento Europeu e pelos Estados-membros, o que será acompanhado de perto pelo mercado. Entretanto, a expectativa de adiamento já alivia as preocupações sobre o impacto nas exportações de café para a Europa.
No Vietnã, o Escritório Geral de Estatísticas relatou que as exportações de café entre janeiro e setembro de 2024 somaram 18,3 milhões de sacas, uma queda de 11,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da redução no volume, a receita aumentou 37,8%, atingindo US$ 4,3 bilhões, refletindo os preços elevados no mercado internacional.
Esses números continuam a demonstrar a oferta restrita no mercado global, sustentando os preços elevados mesmo com volumes menores de embarques. O início da colheita no Vietnã, previsto para o final de outubro, será acompanhado de perto pelos operadores, já que as condições dessa nova safra podem influenciar o equilíbrio da oferta global de café.
Nesta semana, além do clima ser o principal fator de influência, o mercado acompanhará a divulgação dos dados oficiais de exportação de café do Brasil em setembro, a serem publicados pelo Cecafé. Estimativas preliminares do governo sugerem um aumento nos embarques, que podem atingir cerca de 4 milhões de sacas, o que representaria um crescimento de mais de 30% em relação a setembro do ano passado. Caso esses números sejam confirmados, reforçarão a percepção de uma demanda firme no curto prazo, com importadores acelerando compras para recompor estoques antes de a nova lei europeia entrar em vigor.
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