• Café arábica recua 2,1% na bolsa de Nova York, cotado a US¢ 252,05/lb
• Cotações do café robusta caem 3,7%, para USD 4678/ton na bolsa de Londres
• Dólar teve alta de 2,9% na semana para USDBRL 5,61
• No mercado doméstico arábica avançou 1,4% e robusta recuou 1,2%
• Previsões de chuva e aumento nas exportações pressionaram as cotações
• OIC: exportações mundiais avançaram 8,8% em agosto
• Cecafé: exportações totais alcançaram quase 4,5 milhões de sacas no Brasil
• StoneX segue monitorando as lavouras de café no Brasil
• Florada no brasil alcançará praticamente 100% até o fim do mês
Após de terminar a semana anterior em queda, depois da sinalização da Comissão Europeia no sentido de postergar a legislação antidesmatamento e a perspectiva do retorno das chuvas, os preços futuros de café voltaram a cair na última semana impactados pelas previsões de chuva e aumento das exportações mundiais de café. Além disso, a alta de 2,9% do dólar em relação ao real contribuiu para pressionar as cotações no mercado internacional – o par USDBRL terminou a semana cotado em R$ 5,61.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo terminou a semana com um recuo de 530 pontos (-2,1%) para US¢252,05/lb. Em Londres, o contrato com vencimento em janeiro teve uma queda de USD 181/ton (-3,7%) para USD 4678/ton. Na segunda-feira (14), os preços voltaram avançar após os modelos apresentarem um atraso nas chuvas se comparado com as previsões da última semana.
No mercado doméstico brasileiro, os preços de café arábica e robusta seguiram uma trajetória distinta, com os preços de arábica avançando e de robusta apresentando um recuo menor que o observado no exterior, devido à forte alta do dólar no período. Além disso, os preços inverteram a tendência observada em setembro, quando as cotações de café robusta estavam superiores aos preços de arábica. O indicador Cepea para o arábica apresentou uma alta de 1,4%, para R$ 1478,89/saca. Para o robusta, o indicador teve um recuo de 1,2%, para R$ 1394,96/saca, valor 5,7% inferior ao indicador para o arábica.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 07/10 a 11/10

Além da questão climática, o forte avanço nas exportações também contribuiu para pressionar as cotações de café. De acordo com a Organização Internacional do Café (ICO, sigla em inglês), as exportações mundiais de café cru avançaram 8,8% em agosto para 9,9 milhões de sacas no comparativo anual. Além disso, as exportações acumuladas na temporada 2023/24 até agosto (no exterior o ano safra iniciou em outubro de 2023 e terminou em setembro de 2024) avançaram 10,5% para 113,8 milhões de sacas.
Para o mês de setembro, os dados das exportações globais ainda não estão disponíveis, mas os dados do Cecafé mostraram que o Brasil exportou no total quase 4,5 milhões de sacas, representando um avanço de mais de 33%. As exportações de café cru avançaram 33,8% para 4,1 milhões de sacas, sendo 911,8 mil sacas de café robusta (+40,9%) e 3,19 milhões de sacas de café arábica (+31,9%).
Exportações brasileiras de café cru (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
As exportações de café industrializado avançaram quase 28% para mais de 358 mil sacas, sendo 354,8 mil sacas de café solúvel (+28%). O forte avanço nas exportações brasileiras pode estar relacionado a um alívio nos gargalos logísticos nos últimos meses. De acordo com o Cecafé, quase 2 milhões de sacas de café deixaram de ser exportadas em julho e agosto devido aos problemas logísticos.
Nas próximas semanas, o clima no Brasil e o desenvolvimento das etapas iniciais de desenvolvimento no país seguirão no centro das atenções dos participantes do mercado. Qualquer adversidade climática nesta etapa seria capaz de impactar de forma irreversível o potencial produtivo em 2025/26. Além disso, nos próximos meses serão discutidos com mais atenção as primeiras estimativas para a produção brasileira na próxima temporada.
Ademais, o mercado pode ter um certo alívio com o avanço da colheita na Colômbia e países da América Central, e com o início da colheita no Vietnã, prevista para começar em meados de novembro. No entanto, enquanto o avanço da colheita pode dar alívio a oferta no curto prazo, a expectativa é de que a safra do país seja ainda menor nesta temporada. De acordo com a Associação Vietnamita de Café e Cacau (VICOFA), a produção do país deve ter uma queda de 8,2% nesta safra, indo de 26,7 para 24,5 milhões de sacas.
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Atualização das condições de campo em outubro
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A StoneX tem monitorado constantemente as áreas de café no Brasil. No início do monitoramento a campo, em junho, com o objetivo de entender o cenário para a safra 2024/25 e 2025/26, o parque cafeeiro das principais regiões produtoras apresentava, de forma geral, uma boa condição vegetativa. No entanto, esse cenário foi mudando gradualmente devido às condições climáticas adversas, com exceção das áreas de robusta no Espírito Santo e na Bahia, que tiveram pequenos volumes de chuva a partir de junho e possuem um grande percentual de área irrigada.
Tivemos temperaturas acima do normal nos meses de junho e julho, seguidas de dias de baixas temperaturas em agosto, o que ocasionou uma leve geada nas regiões do Sul de Minas, Cerrado e São Paulo, além de um longo período de estiagem, especialmente nas áreas de arábica. Essas condições adversas causaram desfolha e perda de potencial nas plantas. As lavouras mais afetadas foram as mais jovens e aquelas que haviam produzido na safra anterior. Em contrapartida, lavouras que estavam voltando de poda e novas plantações em início de ciclo produtivo não sofreram efeitos tão acentuados.
Também foi observado um percentual maior de poda nas áreas de café arábica, principalmente nas regiões mais mecanizadas, devido ao atraso das chuvas, esperadas para meados de setembro, e à perda de potencial das lavouras. Algumas dessas áreas não estavam incluídas no planejamento inicial de poda dos produtores, principalmente por conta do preço da saca de café, mas a perda acentuada do potencial produtivo fez com que fossem podadas.
Com a chegada das chuvas, grandes percentuais de floradas já foram emitidos ou ainda serão nos próximos dias. Provavelmente, até o final de outubro, praticamente 100% das floradas já terão ocorrido em todas as regiões produtoras. A partir desse momento, teremos mais clareza para avaliar o nível dos danos e o impacto para a próxima safra.
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Fonte: StoneX.
TABELA DE INDICADORES





