• Café arábica avança 2,1% na bolsa de Nova York, cotado a US¢ 257,30/lb
• Cotações do café robusta caem 1,3%, para USD 4615/ton na bolsa de Londres
• O dólar teve alta de 1,5% na semana, alcançando USDBRL 5,70
• No mercado doméstico arábica avançou 3,3% e robusta 2,4%
• Retorno das chuvas melhora as condições das lavouras no Brasil
• Florada do café deve alcançar praticamente 100% em outubro
• Previsão aponta para acumulados de até 200 mm nos próximos 15 dias
• Cecafé: mais de 2,15 milhões de sacas acumuladas nos portos até setembro
• Inflação nos preços de café alcançou 6,3% nos EUA e quase 23% no Brasil
Sem grandes mudanças do ponto de vista dos fundamentos, os preços futuros de café terminaram a última semana com resultados mistos. Em Nova Iorque, o contrato mais ativo de café arábica, com vencimento em dezembro, terminou a semana com um avanço de 525 pontos (2,1%), fechando a sexta-feira (18) cotado em US¢ 257,30/lb. Por outro lado, em Londres, o contrato de café robusta com vencimento em janeiro teve uma queda de USD 63/ton (-1,3%) para USD 4615/ton – os preços de café robusta seguem sob pressão devido ao início da colheita da safra no Vietnã.
Nesta segunda-feira (21), os preços seguem sob pressão em ambos os terminais devido à chegada da chuva e à melhora nas condições climáticas e, principalmente, a abertura da florada do café arábica no Brasil. Além disso, o início da colheita no Vietnã tem atuado de forma baixista para as cotações de robusta. No momento da escrita deste relatório, Nova Iorque contabilizava uma queda de 730 pontos (2,8%) e Londres um recuo de USD 141/ton (-3,0%).
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 14/10 a 18/10

No mercado doméstico brasileiro, os preços de café avançaram em meio a forte alta do dólar na semana. O indicador Cepea para o café arábica terminou a semana com um incremento de 3,3% para R$ 1.527,54/saca. Para o robusta, o indicador teve um avanço de 2,4% para R$ 1.428,02/saca. Neste período, o par USDBRL teve um aumento de 1,5%, terminando a semana cotado em R$ 5,70.
De acordo com o Panorama Semanal de Câmbio, o dólar se valorizou pela terceira semana consecutiva devido ao crescimento surpreendente do varejo nos EUA e expectativas sobre a política monetária com uma possível vitória de Trump, enquanto o real foi pressionado por incertezas fiscais no Brasil e pela falta de estímulos significativos na China.
Do ponto de vista dos fundamentos, o clima no Brasil, a abertura da florada no arábica e o desenvolvimento da próxima safra segue sendo o foco principal dos agentes. A formação de um corredor de umidade trouxe volumes expressivos de chuva para grande parte do cinturão cafeeiro e diminuiu as temperaturas máximas, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. De acordo com os dados do INMET, vários municípios no estado de São Paulo e Minas Gerais receberam acumulados de chuva acima de 60 mm nos últimos dias. Além disso, os modelos apontam para volumes acumulados de até 200 mm nos próximos 15 dias.
No Brasil, o retorno das chuvas melhorou as condições das lavouras e estimulou a abertura da florada principal do café arábica. Há vários relatos da abertura de uma florada ampla e uniforme ao longo dos últimos dias. Além disso, outras ondas da florada devem se abrir até o final do mês. Os dados de campo coletados pela equipe de campo da StoneX indicam que praticamente 100% da florada terá sido aberta até o final do mês de outubro, ritmo mais acelerado que a média histórica para as regiões.
Percentual de abertura da florada até o final do mês de outubro (%)

Fonte: StoneX.
Um dos desafios enfrentados pelas empresas do setor é o gargalo logístico no Brasil, que tem provocado atrasos nas exportações brasileiras de café. De acordo com matéria divulgada recentemente pelo Cecafé/ElloX, em setembro, quase 70% dos navios tiveram alteração de escala ou atraso nas exportações de café nos portos brasileiros. Como resultado, houve o acúmulo de mais de 2,15 milhões de sacas de café nos portos brasileiros até o mês de setembro.
Com o avanço nos preços no mercado internacional, a indústria do café passou a repassar parte dos avanços nos preços para o consumidor final, como indicam os dados de inflação sobre os preços de café pagos pelo consumidor. De acordo com o BLS, a média dos preços de café torrado e moído pagos pelo consumidor alcançou o valor de USD 6,47/libra, representando um avanço de 6,3% se comparado com setembro de 2023 e maior valor da série histórica, iniciada em janeiro de 1980. No Brasil, a inflação foi ainda maior, com o acumulado nos últimos 12 meses alcançando quase 23%. O aumento na inflação pode impactar negativamente o consumo de café.
Acumulado em 12 meses da inflação dos preços de café no varejo (%)

Fontes: IBGE, BLS e Eurostat. Elaboração: StoneX.
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