• O café arábica recua 1,2% na semana para US¢ 318,65/lb
• Futuros de robusta avançaram 0,3% na semana para US$ 4968/ton
• Indicador Cepea para o café arábica recua 0,1% para R$ 2233/saca
• Indicador Cepea para o robusta avança 0,8% na semana para R$ 1.832/saca
• Clima no Brasil e recuperação das lavouras seguem no radar
• Possibilidade de La Niña cresce em janeiro
• Atrasos na colheita do Vietnã preocupam, mas clima deve se estabilizar
A última semana foi de variações mistas para as cotações do café. Em meio a um mercado com liquidez reduzida, devido ao feriado de ano novo, e o mercado aguardando por novidades, o café arábica terminou em queda de 1,2% na bolsa de Nova Iorque, com a tela de mar/25 cotada a US¢ 318,65/lb. O café robusta, por sua vez, em meio aos relatos de impactos de chuvas em excesso sobre a colheita no Vietnã, encerrou o período em leve alta de 0,3%, com o vencimento equivalente em Londres fechando a USD 4968/t.
O indicador CEPEA para o café arábica terminou o mesmo período cotado a R$ 2233,34/saca, queda marginal de 0,1% Já o indicador para o café robusta fechou a R$ 1.832,57/saca, alta de 0,8% na semana.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 30/12 a 03/01

Fechamento de 2024
2024 foi um ano de grande volatilidade para o mercado de café. Após o cacau, que se valorizou 178% para o primeiro vencimento, o café foi a segunda commodity que mais se valorizou em suas bolsas internacionais. Em Nova Iorque, o café arábica registrou uma alta de 69,8% no ano, encerrando a US¢ 319,75/lb. O Arábica sofreu diversas influências altistas no ano, entre as principais, foi puxado pelas altas do robusta, por problemas logísticos, pela seca nos meses que se antecederam a florada no Brasil e pelas preocupações com a nova lei antidesmatamento na Europa (EUDR).
Em Londres, o café robusta registrou uma valorização de 71,6% no ano, terminando cotado a USD 4984/t. Destaque ainda para a máxima histórica atingida em 28 de novembro, quando o segundo vencimento atingiu USD 5528/t. O robusta, que em diversos momentos do ano influenciou os preço do arábica, viu seus dois maiores produtores na Ásia, Vietnã e Indonésia, com problemas produtivos. O destaque foi a seca no Vietnã, com temperaturas acima da média durante quase todo o primeiro semestre. A logística do robusta também se tornou um ponto crítico, com os conflitos no Oriente Médio, culminando em ataques do grupo armado Houthis no Mar Vermelho, bloqueando a principal passagem do café asiático para o mercado europeu. O evento, além de encarecer significativamente os fretes do produto, tornou o café brasileiro ainda mais competitivo no mercado internacional.
No Brasil, os indicadores Cepea para o café arábica terminou o ano cotado a R$ 2228,79/saca, alta de 120%, enquanto o indicador para o café robusta subiu 141% no ano, terminando a R$ 1832,57/saca. Vale destacar a influência da desvalorização expressiva de 27,7% do real frente ao dólar no ano, com a moeda americana terminando cotada a R$ 6,179, o que deu mais forte aos preços no mercado doméstico.
No radar para o início de 2025
Em 2025, o café inicia volátil, com a produção nos dois principais produtores globais no foco. No Brasil, o cinturão cafeeiro tem visto bons volumes de chuvas há algumas semanas, o que irá ajudar a recuperar em alguma medida a perda foliar que as lavouras sofreram com a seca – para aquelas que não tiveram uma perda irreparável.
Em relação ao clima, um ponto importante é a possibilidade de início efetivo de um La Niña. Conforme destacado no último semanal de clima, depois dos registros de redução nas temperaturas médias no Oceano Pacífico em dezembro, um La Niña pode estar prestes a ser oficialmente decretado em janeiro. O La Niña estaria associado a um clima mais úmido no norte e mais frio na parte sul do Brasil e, em caso de intensidade baixa (o que parece o caso), poderia ser positivo para o restabelecimento de umidade, especialmente nas áreas produtoras cafeeiras. No entanto, dado o histórico de geadas em anos recentes, o fenômeno pode trazer volatilidade ao mercado principalmente caso se estenda até o fim do outono brasileiro e início do inverno.
Caso o início do La Niña seja confirmado pelo NOAA/NCEP e finalmente pelo IRI, um fator de atenção e monitoramento será a duração desta condição ao longo do 2025. Geralmente a NOAA e o IRI realizam atualização oficial da condição na segunda terça feira de cada mês, mas seu último relatório semanal apresentou vários sinais oceano-atmosféricas opostas as ocorridas no mesmo período do 2024 e um resfriamento repentino da superfície oceânica do pacifico ao longo do mês de dezembro.
No entanto, caso o La Niña se confirme para esse mês, existe a possibilidade de que ele dure por algum tempo. Analisando todo o histórico de ocorrências de El Niño e La Niña desde 1950 disponibilizado pelo NOAA, é possível observar que a duração mais curta já observada de ambos os fenômenos foi de 5 trimestres móveis, que inclusive foram as ocorrências que se mostraram mais frequentes, tendo acontecido quatro vezes para cada um dos fenômenos. Dessa forma, se por um lado, os modelos atualmente indicam um La Niña de curtíssima duração, o histórico dos últimos 75 anos sugere que, caso tenhamos um La Niña, ele poderia vir a durar ao menos 5 trimestres móveis.
Número de ocorrências de El Niño/La Niña por tempo de duração desde 1950

Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX.
Outro ponto de atenção se dá a respeito do Vietnã. Os participantes do mercado local relataram dificuldades com a colheita, secagem e armazenagem causada por chuvas em excesso que ocorreram ao finalizar o ano de 2024 e os operadores locais estimaram que devido as condições ocasionaram atrasos, cerca de 20% a 30% da safra ainda não foi colhida e deu suporte às cotações do café robusta nesse início de ano. Entretanto ao longo do janeiro de 2025 e a previsão para os próximos 15 dias, provavelmente, uma situação se inverta devido a condições mais favoráveis para a continuação dos trabalhos no país.
Anomalia de precipitação média acumulada em 15 dias, expressa em porcentagem (%). Dados referentes ao período de 23/12/2024 a 06/01/2025 (A) e previsão para 06/01 a 20/01/2025.
Anomalia de precipitação média acumulada em 15 dias, expressa em porcentagem (%). Dados referentes ao período de 23/12/2024 a 06/01/2025 (A) e previsão para 06/01 a 20/01/2025.

Fonte: CHIRPS-GEFS. Elaboração: StoneX.
Por outro lado, é importante destacar a proximidade do feriado de Ano Novo Lunar, conhecido como Tet no Vietnã, que neste ano será celebrado em 29 de janeiro. Trata-se do mais importante e tradicional feriado vietnamita, durante o qual, sazonalmente, os produtores locais intensificam suas vendas nas semanas anteriores, buscando garantir recursos financeiros para aproveitar as festividades, que podem durar até uma semana. Dessa forma, apesar dos problemas com a colheita, que podem ter efeito altista no curtíssimo prazo, espera-se que o fluxo de oferta de café se amplie nas próximas semanas, o que tende a ser um importante fator baixista a ser considerado para as cotações nas cotações.
TABELA DE INDICADORES




