• Os futuros de café arábica subiram 8,7% na semana e 18,2% no mês
• Em Londres, os preços do robusta avançaram 3,1% na semana e 17,3% no mês
• No Brasil, os preços do café encerraram o mês em alta
• O dólar recuou 1,2% na semana e 5,5% no mês
• Os estoques da Federação Europeia de Café (ECF) cresceram 25% nos portos europeus
• A Starbucks registrou queda nas vendas no último trimestre
• A inflação no preço do café ao consumidor avançou no Brasil e na Europa
• Espírito Santo bate recorde de exportações de café em 2024
Na última semana, os preços do café apresentaram movimentações significativas, influenciadas por uma combinação de fatores geopolíticos e de mercado. Os futuros do café arábica registraram alta no início da semana, impulsionados pelas incertezas em torno da ameaça de que tarifas seriam impostas pelos Estados Unidos à Colômbia. A volatilidade foi amplificada por preocupações com a produção no Brasil, onde a seca impactou a safra de arábica, e por desafios logísticos que continuam a pressionar as exportações.
Em Nova York, os preços futuros do arábica contabilizaram um incremento de 8,7% na semana e de 18,2% no mês. Em Londres, os preços futuros do café robusta contabilizaram um incremento de 3,1% na semana e de 17,3% no mês. O avanço no exterior também esteve ligado à queda do dólar, que teve um recuo de 1,2% na última semana e de 5,5% ao longo do mês de janeiro.
No mercado doméstico brasileiro, os preços do café também apresentaram fortes avanços no fechamento do mês. O indicador Cepea para o café arábica teve um incremento de 5% na semana e de 12,5% no mês. Por outro lado, o indicador para o robusta teve uma queda de 0,6% na semana, mas um avanço de 13,2% no balanço mensal.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 27/01 a 31/01

No início da última semana, os futuros do café arábica registraram alta, impulsionados pelas incertezas em torno da administração Trump nos Estados Unidos. A ameaça de tarifas de 25% sobre as importações de café da Colômbia gerou preocupações, já que o país é um dos principais exportadores para os EUA, com cerca de 5 milhões de sacas enviadas anualmente. No entanto, após um acordo entre os dois países, as tarifas foram suspensas, aliviando temporariamente os temores de interrupção no fornecimento.
A Federação Europeia de Café (ECF) divulgou dados sobre os estoques de café nos principais portos europeus em dezembro de 2024. O volume total atingiu 546.124 toneladas (9,1 milhões de sacas de 60 kg), um aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No entanto, os desafios logísticos persistem. A Associação Brasileira de Exportadores de Café (Cecafé) relatou que 1,6 milhão de sacas de café estavam aguardando exportação nos portos brasileiros em novembro de 2024. A falta de contêineres e atrasos nos embarques continuam a pressionar os exportadores, que buscam alternativas como o transporte a granel para garantir o cumprimento dos compromissos com os compradores internacionais.
A Starbucks Corporation reportou resultados mistos para o primeiro trimestre fiscal de 2025. As vendas globais comparáveis caíram 4%, impulsionadas por uma redução de 6% nas transações comparáveis, parcialmente compensada por um aumento de 3% no ticket médio. Na China, as vendas caíram 6%, refletindo os desafios econômicos no mercado asiático. A empresa abriu 377 novas lojas no trimestre, totalizando 40.576 unidades em operação globalmente.
Nos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) para café registrou uma leve queda em dezembro de 2024, passando de 11,3% em novembro para 11,2%. O preço médio do café por libra-peso caiu para US$ 6,776, após atingir um recorde de US$ 6,868 em novembro. Na União Europeia, os preços do café subiram 6,6% em dezembro, o maior aumento desde agosto de 2023. No Brasil, em dezembro, os preços do café torrado e moído acumularam um aumento de 39,6% no acumulado de 12 meses.
Inflação acumulada em 12 meses sobre os preços de café ao consumidor

Fontes: BLS, IBGE e Eurostat. Elaboração: StoneX.
Os portos do Espírito Santo registraram um volume recorde de exportações de café em 2024, com 8,38 milhões de sacas embarcadas, um aumento de 1,21% em relação ao recorde anterior de 2002. O café conilon representou 84% do total, seguido pelo arábica (9%) e pelo solúvel (7%).
Os principais destinos foram Bélgica, México, Estados Unidos, Itália e Espanha. A China emergiu como um mercado em crescimento, com um aumento de 1.729% nas importações de café conilon.
A receita cambial das exportações capixabas atingiu US$ 1,8 bilhão em 2024, um crescimento de 119% em relação ao ano anterior. O preço médio do café subiu 37%, com o conilon registrando o maior aumento (43%). Apesar dos desafios logísticos, as operações a granel e o uso de portos alternativos permitiram que os exportadores honrassem seus compromissos com os compradores internacionais.
TABELA DE INDICADORES



