• Café arábica atingiu US¢ 404,35/lb na ICE, alta semanal de 7,0% e 26,5% em 2025.
• Café robusta fechou a semana em USD 5564/t, queda de 2,3%.
• Café arábica Cepea subiu 5,8% na semana, alcançando R$ 2654/saca, acumulando 19% no ano.
• Café robusta Cepea caiu 0,8% na semana, mas acumula alta de 11,1% em 2025.
• Estoques certificados da ICE caíram 12,2% desde 20 de janeiro, totalizando 862 mil sacas.
• Problemas com estoques e logísticos persistem, elevando preocupação com disponibilidade de café no curto prazo
• Movimento especulativo fortaleceu a alta, com fundos adicionando posições altistas.
• Spread entre arábica NY e robusta Londres atingiu US¢ 150/lb, bem acima da média.
• Clima favorável em janeiro ajudou na granação, mas fevereiro pode ter chuvas irregulares.
• Mercado segue atento a condições climáticas e impacto na safra de 2025/26.
O café renovou por mais uma semana suas máximas históricas na bolsa de nova Iorque, ultrapassando pela primeira vez na história a marca de US¢ 400,0/lb. O auge ocorreu na quinta-feira (6), quando as cotações tocaram máximas de US¢ 411,25/lb ao longo do intradia, tendo fechado o dia a US¢ 403,95/lb. As cotações têm recebido suporte das preocupações com a disponibilidade do café e com os estoques menores tanto no Brasil, quanto principalmente nos países consumidores, enquanto as expectativas com um rendimento aquém do esperado para a safra brasileira de 2025/26 mantém o mercado apreensivo. A tela de março/25 terminou a semana cotada a US¢ 404,35/lb, valorização semanal de 7,0% e já acumulando valorização de 26,5% em 2025.
O café robusta também continua operando próximo dos patamares recordes atingidos na semana anterior. Todavia, as cotações demonstraram uma maior estabilidade, terminando a semana com uma desvalorização de 2,3%, cotado a USD 5564/t.
No Brasil, mesmo com as recuperações do real frente ao dólar nas últimas semanas, o café seguiu em valorização. O indicador Cepea para o café arábica avançou 5,8% na semana e já acumula 19% no ano, terminando a última sexta-feira cotado a R$ 2654//saca. Se observarmos o acumulado desde o início de 2024, quando o arábica era visto a R$ 1009/saca, os preços acumulam 164% de valorização em pouco mais de um ano. O café robusta segue o mesmo caminho. O indicador Cepea do robusta terminou a semana passada cotado a R$ 2057/saca, uma leve queda de 0,8% na semana. Todavia, o valor representa uma valorização de 11,1% neste ano e de 171% desde o início do ano passado.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 03/02 a 07/02

Conforme mencionado, a questão dos estoques reduzidos, com a indústria operando no modelo "just in time", ou seja, adquirindo conforme a necessidade, juntamente com os desafios logísticos que persistem nas rotas da Ásia, Europa e no Brasil — onde o Cecafé reporta contínuos atrasos, alterações de escala de navios e sucessivas rolagens de cargas — tem gerado um gargalo no mercado. Adicionalmente, um movimento especulativo tem impulsionado os avanços nos últimos dias, com fundos adicionando posições compradas e elevando ainda mais os preços.
A questão dos estoques reflete-se também na redução dos estoques certificados da ICE. Entre o final de 2024 e o início deste ano, os estoques na bolsa passaram a recuar nas últimas três semanas. Na sexta-feira (7), a ICE reportou 862 mil sacas de café certificadas, uma queda de 120 mil ou 12,2% desde o dia 20 de janeiro. Em momentos de aperto na oferta de café, os estoques da bolsa costumam atuar como uma alternativa de última instância para originação.
Novidades positivas em termos de oferta provavelmente seriam a principal atualização que poderia trazer correções mais firmes às cotações. Como uma grande surpresa positiva nas safras parece improvável no momento, o mercado pode encontrar força para continuar sustentando os preços em patamares elevados. No entanto, existem alguns pontos de atenção que podem promover correções no curto prazo:
- Com um Índice de Força Relativa (IFR) apontando para um mercado sobrecomprado, correções técnicas e realização de lucros por parte dos fundos especulativos, especialmente caso estes entendam que os avanços atingiram seu teto na faixa dos US¢ 400,00/lb, poderiam contribuir para ajustes;
- Nota-se que os avanços recentes em Nova Iorque não foram acompanhados por Londres, fazendo com que o spread entre as primeiras telas do café arábica em Nova Iorque e robusta em Londres voltasse a operar em níveis mais elevados. A diferença na semana passada terminou próxima dos US¢ 150/lb, significativamente acima da média dos últimos três anos, de US¢ 73,3/lb. A diferença maior pode acelerar uma troca de preferências dos compradores para o café robusta;
- Por fim, olhando mais para o médio prazo, é provável que a inflação elevada ao consumidor final impacte, em alguma medida, a demanda, o que pode ajudar a aliviar a pressão, principalmente a partir da entrada das próximas colheitas no Brasil.
Cotações de café arábica e robusta nas bolsas de NY e Londres (US¢/lb) e spread

Fontes: ICE. Elaboração: StoneX.
Update climático
pós a expansão do fruto e o atingimento de seu crescimento máximo, inicia-se uma das fases mais importantes do desenvolvimento do café, conhecida como granação. Para que o grão se desenvolva corretamente, são necessárias chuvas regulares e temperaturas amenas.
No mês de janeiro, as condições foram ideais para esse processo, com precipitações regulares. Em algumas regiões, especialmente em Matas de Minas e Sul de Minas, os volumes de chuva ficaram acima da média histórica. Além disso, a alta nebulosidade contribuiu para que as temperaturas máximas ficassem abaixo da climatologia, favorecendo não apenas essa fase essencial para o rendimento da lavoura, mas também o crescimento dos ramos —outra etapa simultânea que ocorre na planta e que influencia a safra de 2026/2027.
Por outro lado, as previsões para fevereiro indicam que as áreas produtoras poderão enfrentar chuvas irregulares e, em alguns locais, volumes abaixo da média histórica, o que pode impactar a fase de granação. O monitoramento do número de dias consecutivos sem chuva e das temperaturas, especialmente as máximas, será essencial para avaliar se as condições climáticas continuarão afetando ou não a safra de 2025/2026.
Vale lembrar que a percepção de safra aquém do potencial já está precificada nas cotações atuais na bolsa de Nova Iorque. Uma melhora no clima contribuiria para segurar novas altas, no entanto, um clima desfavorável poderia elevar ainda mais o pessimismo com a safra, garantindo suporte para que as cotações se mantenham em patamares historicamente elevados.
TABELA DE INDICADORES




